ROY ROGERS E A PUBLICIDADE

Atestando a enorme popularidade de Roy Rogers nos seus tempos de glória, quando era o “rei” incontestado dos seriados de cinema e de televisão, em companhia do seu cavalo Trigger e de uma bela e fogosa amazona — Dale Evans, a “rainha” do western, com quem teve um longo e feliz matrimónio —, este anúncio comercial de uma reputada firma norte-americana, a Sears, apresentava, nos anos 1950, um variado sortido de vistosas botas de cowboy, idênticas às que Roy Rogers usava nos seus filmes.

E a campanha, segundo registos da época, foi coroada de sucesso, rendendo decerto ao “rei” dos vaqueiros uma boa maquia pela utilização do seu nome e imagem.

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HERÓIS PACÍFICOS QUE DESBRAVARAM O OESTE

Aqui têm mais uma página de curiosidades sobre o Oeste americano, desta feita dedicada a uma classe de pioneiros, também de rija têmpera, cujo papel fundamental no desbravamento das terras virgens ocupadas apenas, nalguns casos, por tribos índias, foi muitas vezes esquecido. Pioneiros que além de estarem na vanguarda do progresso, iam também, quase sempre, entre os primeiros a chegar a essas regiões selvagens.

Trata-se dos agrimensores, ou seja, dos homens que estudavam a topografia dos terrenos e o meio de vencer os obstáculos naturais que se interpunham ao avanço da civilização, com as suas caravanas, as suas multidões de colonos e de aventureiros, as suas diligências, as suas linhas telegráficas, os seus trens do caminho de ferro. Heróis pacíficos que, em vez de armas, usavam a inteligência e o saber para abrir novas fronteiras e tornar menos dura, menos inóspita, a estrada do progresso.

Curiosamente, a revista brasileira Aí, Mocinho!, da Ebal (já citada várias vezes neste blogue), deu ao tema uma atenção inusitada, estampando-o na própria capa do seu nº 17 (Nova Série), Julho 1959, que apresentava no “miolo” uma boa história de origem inglesa intitulada “O Invasor Branco”, com desenhos de Reg Bunn.

O VERDADEIRO OESTE SELVAGEM – 3

Extraídas do magnífico livro O Oeste Selvagem, editado em 1986 pelas Publicações Europa- -América, aqui ficam mais oito páginas sobre a épica saga do nascimento de um novo mundo e de uma nova raça de pioneiros nas pradarias do Oeste americano, vastas e inexploradas, abertas à colonização e ao progresso, mau grado a feroz resistência dos seus primitivos habitantes (que de “índios” ou “peles-vermelhas” nada tinham, pois eram descendentes de povos oriundos da Ásia).

Vivendo no novo continente há muitos milhares de anos, esses povos, dispersos por numerosas tribos, com pouco de comum entre si, lutaram sem tréguas, em defesa dos seus territórios e dos seus hábitos ancestrais, contra um ameaçador inimigo, cada vez em maior número e munido de poderosas armas (como os “paus trovejantes” capazes de matar a longa distância), que lhes trouxe, entre outros males, a guerra, a fome, o cativeiro ou o desterro.

Mas a dramática e turbulenta gesta do Oeste americano não foi apenas isso… pois continuou com os pioneiros, nas cidades que fundaram e onde era preciso impor uma nova lei, e com os vaqueiros (os míticos cowboys), quando a criação de gado foi introduzida, em larga escala, nalguns dos territórios conquistados aos índios.

ROY ROGERS, O ETERNO REI DA PRADARIA, E DALE EVANS, A SUA RAINHA

Como Roy Rogers tem sido ultimamente um “convidado” especial deste blogue — que irá também evocar em breve a figura de Dale Evans, a amazona com quem contracenou em vários filmes e que escolheu para sua companheira, na vida real, depois de dois casamentos fracassados —, aqui fica mais um registo fotográfico da sua longa carreira: em cima, Roy e Dale nos seus tempos de juventude e de glória; em baixo, numa fase em que já se notam as marcas da idade, mas ainda suficientemente vigorosa para que não parassem de representar e de cantar. E logo num programa dos “Marretas”!

Roy Rogers morreu em 1998, com 86 anos, e Dale Evans em 2001, com 88. O pequeno artigo que se segue foi extraído do Mundo de Aventuras nº 292 (2ª série), de 10/5/1979.

A GRANDE EPOPEIA DO “CAVALO DE FERRO”

HOMENS E MÁQUINAS NUMA LUTA DE TITÃS

Hoje, na Rubrica do Oeste, têm lugar de destaque um livro e duas páginas ilustradas pelo dese- nhador espanhol Auraléon, sobre uma das maiores gestas da história  dos Estados Unidos da América: a construção da linha férrea trans- continental na segunda metade do século XIX, que permitiu expandir a civilização desde a Califórnia até ao leste, através das imensas pradarias povoadas até essa data apenas por tribos de índios que não totalizavam um milhão de habitantes, por algumas famílias de colonos que edificavam as primeiras  povoações ou que viviam precariamente em ranchos isolados, e por milhares de bisontes, a principal fonte de alimento dos índios, cujo abate desenfreado por parte dos caçadores ao serviço do “cavalo de ferro” (entre os quais o célebre Buffalo Bill) quase levou à sua extinção, provocando a revolta dos peles-vermelhas.

Num dos seus melhores livros sobre o Oeste americano, profusamente ilustrado e documentado (Editorial Verbo, 1977, 200 págs), cuja capa reproduzimos, o autor francês Jean-Louis Rieupeyrout historiou essa gesta heróica e trágica, ao mesmo tempo — que opôs duas grandes companhias, a Union Pacific e a Central Pacific, num percurso de quase 3.000 kms, onde tiveram de “vencer enormes dificuldades: atravessar desertos e montanhas, lutar contra belicosas tribos índias, fazer gorar assaltos de bandidos… Mas nada deteve a construção das vias férreas, dirigidas por homens para quem nada era impossível: num lado faltou a mão-de-obra e foram-na buscar à China; noutro, os trabalhadores das duas companhias pegaram em armas para disputarem a posse de um ponto estratégico na montanha!”  

Uma extraordinária epopeia do século XIX e um dos sinais precursores do nascimento de uma nova sociedade, impelida pela força motriz da revolução industrial que a Europa exportara para a América e desta se estendeu a todos os continentes.

FABIO CIVITELLI: UMA BELA HOMENAGEM AO MESTRE AURELIO GALLEPPINI, CRIADOR GRÁFICO DE TEX

(Ilustração de Fabio Civitelli extraída, com a devida vénia, do Tex Willer Blog)

Civitelli e Galleppini — dois grandes ilustradores separados por muitas décadas, mas cujas criações se tornaram míticas, pelo que representam no conjunto da saga texiana: a tradição clássica que vem desde as origens (Galleppini, 1948) e a abertura a novos rumos, a estilos e desígnios mais modernos, com Ticci e Civitelli a desbravarem caminhos, a partir de 1967 e 1985, datas fulcrais no desenvolvimento artístico da série. 

CAPRIOLI E O “WESTERN”: DAKOTA JIM, O “COWBOY” QUE DE VERDE SÓ TINHA A INDUMENTÁRIA

Trazemos-lhes hoje, como uma das curiosidades da nossa Rubrica do Oeste, mais uma magnífica ilustração de Franco Caprioli oriunda da série didáctica Popoli e Paesi (Povos e Países), dada à estampa na revista Il Vittorioso, que como muitos dos nossos leitores já sabem foi aquela onde o grande mestre italiano colaborou mais assiduamente, durante as primeiras décadas da sua fértil carreira.

A segunda curiosidade refere-se ao mesmo cenário, o Oeste americano, e a uma das criações mais singulares e primorosas (tanto em relação ao herói principal como aos desenhos) que saíram das mãos de Caprioli: Dakota Jim, o Cowboy Verde. Bastou o título desta história, dividida em duas partes, para aguçar o interesse dos leitores quando foi estreada no nº 144 do Cavaleiro Andante, em Outubro de 1954.

Infelizmente, Caprioli desenhou poucas histórias de cowboys, embora o tema o seduzisse, sem a menor dúvida, pois oferecia-lhe a oportunidade de espraiar a sua arte pela fauna, pelo folclore (sobretudo das tribos índias) e pelas deslumbrantes paisagens do Oeste americano, como esta aventura comprova em muitas das suas vinhetas.

Mas o Cavaleiro Andante pregou aos leitores uma partida, omitindo sem explicação uma das últimas páginas da história, por sinal recheada também de majestosos quadros da natureza selvagem. Claro que nenhum leitor da revista se apercebeu disso, porque a sequência das cenas (entre os nºs 167 e 168) não parecia interrompida.

Caprioli, com o seu lento ritmo narrativo e o seu amor pela natureza, explorava sempre mais o ambiente e as personagens do que a própria intriga — para ele um elemento quase secundário perante a beleza e o requinte estético das imagens com que decorava as suas páginas. Mas em Dakota Jim, o Cowboy Verde o argumento (sem qualquer relação com temas ecológicos, diga-se de passagem) até era um bom suporte dessa arte narrativa, cuja serena harmonia tanto encantava os leitores de todo o mundo.

Embora Caprioli fosse nitidamente um admirador das famosas séries B que, ainda nos tempos do cinema mudo, entusiasmavam a juventude, com os seus cowboys ágeis, românticos e destemidos — como Buck Jones, Tom Mix, Tim McCoy e outros —, Dakota Jim estabelece uma curiosa ponte entre esses primeiros e convencionais westerns, recheados de lutas, cavalgadas e tiroteios, com a acção e os heróis mais consistentes dos seus sucedâneos (sobretudo a partir dos anos 1940), cujos realizadores começavam também a descobrir a importância dos cenários naturais para cativar as audiências.

Muitos anos depois do Cavaleiro Andante ter publicado esta belíssima história, eu e o José Pires — que editávamos um fanzine chamado Fandwestern, inteiramente dedicado ao universo do Oeste americano, como o próprio título indica — resolvemos recuperá-la, reproduzindo em modestas fotocópias a preto e branco as páginas que Caprioli tinha magistralmente desenhado para nosso deleite, quando éramos mais jovens. E até conseguimos encontrar, numa revista francesa (pois não possuíamos o Il Vittorioso), a página que faltava no Cavaleiro Andante.

Lamentavelmente, nenhum de nós possui ainda a versão original dessa página, mas aqui fica a que publicámos no nº 7 do Fandwestern (Junho de 1996), completando assim, embora sem as magníficas cores de Caprioli, a versão portuguesa de uma das suas melhores criações dos anos 1950 — uma pausa (de certa forma, insólita) no género que mais lhe agradava e que lhe deu maior êxito: as grandes epopeias históricas como Aquila Maris (A Águia dos Mares), Hic Sunt Leones (Através do Deserto), L’Ussaro della Morte (O Hussardo da Morte) e Una Strana Avventura (Uma Estranha Aventura), entre outras.