O VERDADEIRO OESTE SELVAGEM – 1

As páginas que se seguem, recheadas de magníficas gravuras (com ilustrações de artistas famosos, como Charles Russell, John White, Frederic Remington, Don Lawrence, Peter Archer, Gerry Embleton e outros), e com textos bem documentados sobre a verdadeira história do Oeste americano — com todas as idiossincrasias que transformaram essa realidade num mito e numa epopeia tão transcendentes como outras lendas e mitos universais —, foram reproduzidas de um livro publicado há três décadas pela editora Europa-América, que ao tempo dedicava particular atenção ao western, nomeadamente através de uma colecção de livros de bolso onde figuravam alguns dos melhores autores do género.

Mas a popularidade deste tipo de literatura foi decaindo e hoje é raro aparecer entre nós um livro de cowboys, mesmo quando o cinema relança o tema através da paixão que por ele continuam a nutrir realizadores como Quentin Tarantino ou Clint Eastwood.

Em próximos posts apresentaremos mais excertos deste livro, chamando a atenção para o facto de termos de cortar, por vezes, imagens que abrangem duas páginas, para não ficarem demasiado reduzidas, em formato de página dupla, no espaço mais diminuto do nosso blogue (embora possam ser ampliadas com dois cliques, para facilitar a leitura).   

JOHN WAYNE – O ETERNO “COWBOY”

Durante uma longa carreira, John Wayne (1907-1979) interpretou dezenas de filmes, mas o western foi sempre o seu género preferido, porque simbolizava os ideais dos pioneiros que desbravaram o Oeste americano — e de que ele próprio se tornaria também um símbolo, com as suas personagens fortes, heróicas, maiores do que a vida, que não tardaram a transformá-lo numa lenda do cinema, sobretudo depois do seu primeiro grande êxito em “Stagecoach” (“Cavalgada Heróica”), filme realizado por John Ford em 1938.

John Wayne (nascido, aliás, com o nome de Marion Michael Morrison) já era, nessa altura, uma “estrela” dos filmes da série B, produzidos por estúdios de pequena dimensão como a Republic Pictures, mas ainda não conseguira alcançar o estatuto de vedetas como Tom Mix, Ken Maynard, Buck Jones, Harry Carey ou Hoot Gibson, os autênticos reis do western.

Foi John Ford, realizador também com uma longa carreira, experimentado tanto no western como noutros géneros, que o guindou ao cume da fama, ao escolhê-lo (contra a vontade dos próprios produtores) para o papel do pistoleiro Ringo Kid, em “Stagecoach”, filme que revitalizou o western, demarcando-se pelo seu argumento e pelo seu nível técnico e artístico das películas da série B, de curta metragem e baixo orçamento.

A associação entre Ford e John Wayne — cujo novo nome foi criado, segundo reza a lenda, pelo realizador Raoul Walsh, com quem Marion Morrison trabalhou no épico “The Big Trail”, já com esse nome — durou muitos anos, cimentando uma amizade em que partilhavam o mesmo amor pelos grandes espaços abertos do Oeste americano e a mesma fidelidade aos ideais dos pioneiros, raiz dos seus másculos dogmas políticos conservadores, que, no caso de John Wayne, o fizeram aderir, de alma e coração, ao partido republicano.

A história curta que se segue, reproduzida do Mundo de Aventuras nº 398 – 2ª série, de 28 de Maio de 1981, evoca, pelo traço de Jarry (colaborador do Tintin belga), os principais passos da triunfante carreira cinematográfica de John Wayne e alguns dos filmes que, sob a direcção de John Ford e Howard Hawks, lhe deram um lugar eterno entre os grandes nomes da 7ª Arte.

Nota: a popularidade de John Wayne como ícone do western valeu-lhe ser transformado também em herói da Banda Desenhada, com direito a revista própria, de longa duração, onde colaboraram alguns dos melhores desenhadores americanos dos anos 1950/60, como por exemplo Al Williamson e Frank Frazetta.

Jorge Magalhães

“INOCENTE DE QUALQUER CRIME!”

Página ilustrada por Ruggero Giovannini (1922-1983) e publicada na contracapa do Mundo de Aventuras nº 856, de 17 de Fevereiro de 1966.

 BREVE BIOGRAFIA DE GIOVANNINI

Giovaninni, um dos “monstros sagrados” do fumetto italiano, mestre do claro-escuro, com um grande domínio do movimento e da técnica narrativa, mas sempre insatisfeito, em busca da síntese gráfica e do dinamismo na estilização, iniciou a sua prolífica carreira ainda muito jovem nas páginas do semanário católico Il Vittorioso, com histórias de todos os géneros (excepto a ficção científica), que nas suas mãos pareciam adquirir uma estética nova, realçada pelo vigor expressionista do traço.

Muitas delas figuram também no sumário do Cavaleiro Andante (incluindo Álbuns e Números Especiais) e de outras revistas portuguesas, como Mundo de Aventuras, Condor, Titã, Colecção Alvo, Condor Popular — onde foi igualmente vasta a sua produção de westerns dignos de antologia, como “As Grandes Águas”, “A Ultima Fronteira”, “A Vingança de Mocassin Rosso”, “Sombras Selvagens”, “Águia Veloz”, “Em Nome da Lei”, entre outros.

Influenciado pelo estilo de alguns desenhadores americanos, sobretudo Will Gould, Frank Robbins e Milton Caniff, Giovaninni distinguiu-se entre os autores de fumetti da sua geração pela facilidade em retratar ambientes históricos, género em que viria a especializar-se, tanto no Il Vittorioso como em revistas inglesas, para as quais começou a trabalhar nos anos 60, produzindo inúmeras criações com um traço sempre estilizado e a sua refinada técnica do preto e branco.

Entre as suas “coroas de glória” desse período destacam-se as adaptações de vários clássicos literários, como Ben-Hur, Os Três Mosqueteiros e O Último dos Moicanos, e em particular a série Olac, o Gladiador, onde ficou gravada a sua mestria no estilo realista e nas narrativas de temática histórica. Olac foi um dos heróis mais célebres da BD inglesa e fez também as delícias dos leitores do Mundo de Aventuras, que publicou vários episódios.

Durante os últimos anos de vida, Giovaninni colaborou no Il Giornalino, outra célebre revista italiana, para a qual produziu excelentes séries como Capitan Erik, Ricky e I Biondi Lupi del Nord. Morreu prematuramente na sua cidade natal, Roma, em 5 de Março de 1983.

Aqui têm três capas d’O Falcão alusivas a histórias de cowboys que Giovaninni desenhou nos anos 60 e publicadas originalmente na revista inglesa Thriller Picture Library.

RUBRICA DO OESTE – 14

COMO É DIFÍCIL REALIZAR FILMES DE “COWBOYS”

Aqui têm mais um artigo oriundo da revista Plateia — que muitos cinéfilos (e outros amantes do espectáculo) de há 40, 50 anos, recordam com saudade —, desta feita extraído de um número especial dedicado à famosa série de televisão Bonanza, que muitos espectadores da RTP também ainda não esqueceram.

Este artigo aborda, com ironia, um aspecto dos filmes de cowboys que tem tanta ou mais importância do que o argumento ou a prestação dos actores: a competência dos realizadores a quem cabe a tarefa não só de escolher e dirigir o elenco (e a restante equipa técnica), como de fazer com que tudo bata certo ao filmar arriscadas cenas de acção, com “duplos” ou com os próprios actores, depois de devidamente treinados.

E as séries de TV não são excepção…

RUBRICA DO OESTE – 13

OS ÍNDIOS E A CAÇA

As duas páginas que apresentamos nesta rubrica foram extraídas de uma das mais célebres revistas portuguesas de BD, o Cavaleiro Andante, onde os temas dedicados ao Oeste americano tiveram também apreciável destaque.

Entre as curiosidades desse género que o Cavaleiro Andante costumava incluir nas suas páginas figuram, inclusive, algumas strips (tiras) de origem inglesa, ilustradas por exímios artistas como Steve Chapman, Patrick Nicolle e Eric Bradbury (este último já nosso conhecido), cujos textos eram escritos por Joan Whitford, experiente argumentista fascinada pelas histórias e personagens do western, que usava um pseudónimo masculino: Barry Ford. Em breve apresentaremos também alguns desses trabalhos.

Por agora, ficamos com estas páginas publicadas, em 1958, nos nºs 346 e 347 do Cavaleiro Andante (cuja autoria atribuímos a um artista italiano, Antonio Canale), onde se retratam algumas armadilhas para animais e armas utilizadas por várias tribos de índios na guerra e na caça, duas das principais ocupações dos bravios e destros peles-vermelhas que viviam em perfeita comunhão com o seu habitat natural.

A VISITA DO PAI NATAL

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E se o Pai Natal, essa figura mítica que os pioneiros oriundos do Velho Mundo trouxeram também para o Oeste americano, se transformasse em cowboy para visitar os ranchos espalhados pela pradaria, na noite mais especial e festiva do ano?

Sem dispensar as renas, claro, que nas regiões mais ao norte desse vasto continente são tão abundantes como nos recônditos domínios de S. Nicolau. E transportando também sacos recheados de prendas, que farão as delícias dos filhos dos fazendeiros, encantados com as luzes da árvore de Natal e as figuras do Presépio e com as canções tradicionais entoadas por um harmonioso coro de cowboys, que ergue as suas vozes para o céu onde as estrelas brilham ainda mais intensamente do que noutras paragens.