A LENDA DE CUSTER – 6

TEX NA BATALHA DE LITTLE BIG HORN

Tex (Stefano Biglia)

Nesta magnífica ilustração de Stefano Biglia — artista italiano que já esteve no nosso país, como convidado de honra da 2ª Mostra do Clube Tex Portugal (realizada na cidade de Anadia, em Maio de 2015), onde expôs com grande êxito alguns dos seus trabalhos —, evoca-se o épico confronto do 7º de Cavalaria, comandado pelo general Custer, com os guerreiros índios de Sitting-Bull e Crazy Horse. Mas chama particularmente a atenção um pormenor estranho e curioso: a presença de Tex Willer, lendário personagem da BD western, ao lado do imprudente general que perdeu a vida nessa histórica batalha.

Como é que um herói de ficção, embora habituado a travar os mais duros combates em defesa do dever e da lei, aparece inesperadamente envolvido num acontecimento que culminou em tragédia para Custer e todos os soldados e oficiais que o acompanhavam? É caso para fazer ainda outra pergunta: como conseguiu Tex escapar ao massacre?

Stefano Biglia - 2A resposta encontra-se no emocionante episódio intitulado “Conspiração contra Custer”, que já foi distribuído em Portugal, numa edição da Mythos (Tex Ouro nº 80), com guião de Claudio Nizzi e desenhos de outro grande mestre dos fumetti italianos: o veterano Giovanni Ticci.

A ilustração de Stefano Biglia (na foto, em Anadia) — ambas extraídas, com a devida vénia, do Tex Willer Blog —, não é mais do que a recriação do clímax da sangrenta batalha, inspirada na fantasia do desenhador… porque Tex, efectivamente, nunca combateu ao lado de Custer, nas colinas de Little Big Horn, embora tivesse participado, por acaso, nesse conflito. E é também uma vibrante homenagem de um talentoso artista a dois ícones do fascinante e multitudinário universo texiano, onde a lenda, o mito e a realidade histórica se cruzam com frequência: Giovanni Ticci e o próprio Tex Willer

HUMOR À RÉDEA SOLTA – 2

O  “COWBOY” E O LASSO

Cara Alegre 90 743

O Cara Alegre, que hoje faz as honras da nossa galeria humorística, foi uma das revistas portuguesas mais populares do seu género, criada em Janeiro de 1951, com periodicidade quinzenal, sob a direcção de Nelson de Barros, e que logo se impôs num meio recheado de concorrentes e de famosos autores, como Stuart Carvalhais, um dos primeiros a tornar-se colaborador efectivo do novo título (com o exclusivo das capas, do nº 1 ao 24).

Nessa época, o humor era visto como instrumento de crítica (ou como sátira de costumes) mais social do que política — embora acerado e subtil, sempre de olho na censura. Para não destoar da concorrência, e evitar problemas com um regime intolerante, avesso à liberdade de opinião e de informação, o Cara Alegre seguiu paulatinamente o mesmo caminho, apoiado numa sólida equipa de colaboradores, onde floresciam também os nomes de José Viana, José Manuel Soares, Carlos Roque, José Vilhena e outros notáveis ilustradores e cartunistas, com uma carreira posteriormente coroada de sucesso.

A capa deste número do Cara Alegre — que qualquer apreciador de westerns reterá certamente na memória — tem a assinatura de José Viana, que além de inspirado humorista, de traço desenvolto, foi também um versátil actor do teatro de revista.

VÍTOR PÉON E O “WESTERN” (DE DENVER BILL A “TOMAHAWK” TOM) – 5

Concluímos neste post a apresentação de um trabalho realizado, há alguns anos, em homenagem a Vítor Péon, o maior criador de westerns da BD portuguesa, trabalho esse que teve o alto patrocínio da Câmara Municipal de Moura e foi editado no âmbito do 17º Salão de BD organizado por esta autarquia, sob a direcção de Carlos Rico.

Reproduzem-se seguidamente as páginas 38-46 desse fanzine, inserido, como lembrou Carlos Rico, na colecção J. M. (um privilégio raro e que muito me honra!).

Nota: Para os que gostam de folhear os livros em papel ainda existe a possibilidade de adquirirem alguns exemplares, bastando para isso contactar a Câmara Municipal de Moura. Também o podem fazer através de Carlos Rico, pelo e-mail:  carlos.rico@cm-moura.pt

Os outros números da colecção são os seguintes:

1 – “Banda Desenhada e Ficção Científica – As Madrugadas do Futuro”
2 – “O Western na BD Portuguesa”
4 – “Franco Caprioli – No Centenário do Desenhador Poeta” (de que também há uma versão em e-book, com muito mais páginas).

Vítor Péon e o western - 38 733

Vítor Péon e o western - 39 734

Vítor Péon e o western - 40 735

Vítor Péon e o western - 41 736

Vítor Péon e o western - 42 737

Vítor Péon e o western - 43 738

Vítor Péon e o western - 44 739

Vítor Péon e o western - 45 740Vítor Péon e o western - 46 741

MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (3)

A NOITE DO ANO NOVO (2ª parte)

Mark of Zorro - Douglas FairbanksApresentamos mais um capítulo do conto “A Noite do Ano Novo”, escrito por Johnston McCulley autor da célebre novela “O Sinal do Zorro”, que o cinema adaptou, pela primeira vez, em 1920, definindo, desde então, o aspecto icónico do personagem — e publicado n’O Mosquito entre os nºs 1051 e 1054 (1949), com tradução de Raul Correia.

Resumo: o Ranger Pat Malloy chega a Copper City nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e logo é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, devido à presença de dois bandos rivais, um deles chefiado pelo desordeiro Bart French… que tem velhas contas a ajustar com Malloy.a-noite-do-ano-novo-4

II

DEPOIS da ceia, Malloy saiu. O luar iluminava a cidade. Do saloon de Lopez vinha uma algazarra de vozes enrouquecidas. Pat parou à porta, na sombra. E reconheceu, nos vultos que passavam em frente da luz amarelada e obscurecida pelo fumo, as caras de vários brush-poppers que entravam e saíam.

Malloy entrou nos armazéns da Companhia Mi­neira. Tom Dell, o chefe dos armazéns, ajudado por um dos empregados, atendia alguns clientes, poucos. Quando o Ranger entrou, alguns dos homens pareceram sentir-se subitamente pouco à vontade e saíram.

— Esta noite deve haver sarilho!… — sussurrou Dell ao ouvido do Ranger, quando ficaram sós. — O Bart French está na cidade, e com ele uma quan­tidade de brush-poppers! French tem andado para aí a ameaçar o Ed Catlin… diz que ele pensa que a Companhia é dona da terra! E também ameaçou um tal Ranger… que é você!

— Bem sei… — respondeu Pat, tranquilamente. — E a respeito de Pedro Lopez?

— Lopez e os outros donos de saloons estão do lado da Lei! Não querem complicações!

Malloy saiu do armazém e encaminhou-se ao longo da rua escura, de olhos e ouvidos atentos. Foi assim que surpreendeu uma conversa entre dois brush-poppers.

— O Bart tem tudo bem preparado! Com as salvas do Ano Novo… pode acontecer um acidente ao Ed Catlin! Nenhum risco… e o Ranger também pode apanhar por engano! Entendes? É a melhor oportunidade!

Pat seguiu o seu caminho, reflectindo sobre o que ouvira. Ed Catlin, o gerente da Companhia Mineira, vivia fora da cidade, numa casa pequena. Era solteiro e uma squaw índia constituía todo o seu pessoal doméstico. O Ranger dirigiu-se para lá.

Catlin, que tinha acabado de cear, recebeu o Ranger com satisfação. Foi buscar uma garrafa de whisky e dois copos, e acenderam-se cigarros.

— Ouvi dizer que preparam sarilhos para esta noite! — disse Catlin, em voz calma.

— Também ouvi isso! — respondeu Malloy. Con­tou o que tinha sabido e concluiu:

— Parece-me que o melhor é você ficar por aqui esta noite! Cerca da meia-noite, eu volto cá e bebe-se mais um whisky

— Nada feito, amigo! É costume da Companhia pagar um copo a toda a gente na cidade que queira beber! Sempre fiz isso, Pat, e não é hoje que vou mudar de hábitos!

— Compreendo o que quer dizer, Ed! Mas, por esta vez…

Catlin abanou a cabeça… — Pensariam que eu sou um cobarde, Pat! E isso seria mau para mim e para a Companhia!

— Mas, visto que há perigo…

— E você, Pat? Vai-se esconder?

Malloy sorriu… — Claro que não! Mas o meu dever de Ranger

— Eu também tenho o meu dever a cumprir, amigo! Estou aqui a representar a Companhia! Você quer que pensem que eu não sou digno do lugar que ocupo?

— Não, Catlin! Mas…

— Então, não se fala mais nisso! Vou fazer o que sempre fiz nos outros anos, e o que for… será!…

Pat levantou-se para sair.

— Então leve um revólver, amigo! E quando o tiroteio começar… fique alerta e não se mostre mais do que o que for preciso! Eu vou andando!

Malloy voltou à cidade e entrou no primeiro saloon. Falou ao dono da casa, conversou com vários conhecidos e observou a assistência. Muitos dos homens que ali se encontravam eram brush-poppers. Pareciam nervosos, como quem espera alguma coisa que sabe que acontecerá… alguma coisa grave ou perigosa. O Ranger saiu e encami­nhou-se ao longo da rua. No segundo saloon havia também brush-poppers, mas um grupo de mineiros estava encostado ao balcão. Mais umas doses de álcool… e os dois bandos estariam pron­tos a lançar-se um sobre o outro…

Pat Malloy dirigiu-se para o saloon de Pedro Lopez, caminhando entre dois barracões que esta­vam separados por uma estreita ruela. Dando a volta, espreitou pela janela das traseiras do saloon. A casa estava cheia. Mineiros e brush-poppers olhavam-se com desconfiança e ódio, mas tudo parecia ainda relativamente calmo. Bart French estava encostado ao balcão. O Ranger entrou.

French era um homem alto e forte. Era visível que tinha já bebido considerável quantidade de álcool. Quando o Ranger abriu caminho até ao balcão, um silêncio pesado foi pouco a pouco substituindo o rumor das conversas. French olhou para o espelho, avistou Malloy e voltou-se lenta­mente, com um copo de whisky na mão.

— Hello, French!

— Hello, Ranger!

— French, você deve estar lembrado de um caso que se passou aqui, há uns dois anos…

— Não me esqueci, não! Dessa vez estive preso… por sua causa! Não me esqueci disso!

— Contava que não se esquecesse! Você não é daqueles que suportam a cadeia! Foi pouco tempo… mas pense no que será estar preso… durante muitos anos!

— Que conversa é essa? Nós estamos aqui para festejar o Ano Novo!

— Com certeza, Bart! Vamos todos festejar o Ano Novo… mas é preciso que a festa seja tranquila e decente! Não esqueça que, depois do caso de há dois anos, a Companhia pagou as despesas de construção de uma cadeia sólida… e que eu tenho as chaves! Cuide de si, Bart!

Bart French respirou fundo, com os olhos a chamejar. Via-se que fazia um esforço para se dominar. Malloy fitou-o calmamente, voltou-lhe as costas e saiu do saloon, no seu passo tranquilo.

 (Continua)

RUBRICA DO OESTE – 6

“COW-GIRLS” E ESTRELAS DE CINEMA

Ora aqui têm mais uma curiosidade extraída dos nossos arquivos: um belo friso de amazonas dispostas a competir com a famosa Dale Evans, a rainha do western, casada com outro grande nome do cinema, Roy Rogers, o rei dos cowboys, o trovador de voz bem timbrada que levou a todo o mundo o folclore musical do Oeste americano.

Autênticas cowgirls e estrelas de Hollywood em ascensão, estas jovens amazonas fizeram a manchete de uma página d’O Século Ilustrado, revista portuguesa de actualidades, sempre atenta às notícias da 7ª Arte, que interessavam, nessa época, em meados do século passado, a um grande numero de leitores (e leitoras). Os filmes de cowboys estavam entre os géneros favoritos do público, suscitando também o entusiasmo de muitos actores e actrizes que viam na arte de montar toda a sela um trampolim para a fama, ao lado das maiores vedetas do western, contumazes campeões de bilheteira.

Por isso, era quase obrigatório em Hollywood saber andar a cavalo e vários especialistas dos filmes de cowboys, tanto realizadores como actores, tinham os seus próprios ranchos, onde procuravam imitar a vida ao ar livre dos primeiros colonos do Far-West… mas sem dispensar os benefícios da moderna civilização!

(Nota: este exemplar d’O Século Ilustrado corresponde ao nº 586, com data de 26/3/1949. O semanário era propriedade da Sociedade Nacional de Tipografia e tinha como director, por essa altura, Carlos Pereira da Rosa e como chefe de redacção Mário Rocha).

KNICK KNACK – UMA VERDADEIRA PAPELARIA TEXIANA, EM AGUALVA (CACÉM)

Texto: José Carlos Francisco

A papelaria e tabacaria Knick Knack, localizada no Centro Comercial 81, loja 2, na rua António Nunes Sequeira, nº 32, em Agualva, perto da estação ferroviária do Cacém, é uma verdadeira Papelaria Texiana onde o Ranger Tex Willer tem um destaque único no nosso país; inclusive, uma das montras do estabelecimento é quase totalmente decorada com Tex, e para além das habituais edições da brasileira Mythos também podemos ver expostas as belíssimas edições do Ranger com o selo da portuguesíssima Polvo Editora, de Rui Brito, tanto a tão badalada obra “Patagónia“, de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, como as recentíssimas edições de “Tempestade sobre Galveston“, de Pasquale Ruju e Massimo Rotundo, estando inclusive disponível a versão com a capa exclusiva para o nosso país.

Mas como se pode ver nas fotografias que ilustram este texto, para chamar ainda mais a atenção dos seus clientes e do público em geral que passa pela papelaria, os responsáveis pelo estabelecimento expõem ainda um fantástico poster de Tex a cavalo, ilustração essa da autoria de Andrea Venturi e que foi  feita exclusivamente pelo consagrado desenhador italiano para a capa da revista nº 1 do Clube Tex Portugal.

Mas, para além das revistas, livros e poster, na montra da papelaria e tabacaria Knick Knack podemos ainda ver exposta uma bela estatueta de Tex que embeleza ainda mais a montra, embora essa estatueta não esteja à venda, já que pertence a um dos maiores coleccionadores portugueses da mítica personagem italiana, o Carlos Moreira, que juntamente com a sua esposa Teresa são, em grande parte, os responsáveis por aquela que, até prova em contrário, é a mais bela montra dedicada a Tex no nosso país e que por isso mesmo também é das que mais vende. Acreditamos que mais texianos da região, ao tomarem conhecimento deste texto, passem também a deslocar-se ao Cacém para adquirirem as suas revistas predilectas, porque esta montra marca a diferença e nada melhor que uma montra apelativa para captar a atenção de quem se quer cativar, até porque a montra é a cara de qualquer estabelecimento.

Para além de tudo isso, para criar uma montra é preciso ter em conta a estética, a perspectiva comercial, o cenário, a iluminação, a cor, mas a originalidade e a imaginação também são indispensáveis e, felizmente para Tex, originalidade e imaginação é o que não falta a Carlos Moreira e a Teresa Moreira!

(Texto e fotos reproduzidos, com a devida vénia, do Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

O INESQUECÍVEL “ZORRO” DE FERNANDO BENTO

zorro-bento capa DIABRETEEmbora não nos conste ter havido, até hoje, uma  edição  portuguesa  em  livro de “O Sinal do Zorro”, a obra mundialmente famosa de Johnston McCulley (adaptada várias vezes ao cinema e à BD), lembramos, a título de curiosidade, que o Diabrete, em 1949, ofereceu aos seus leitores, a partir do nº 597, uma  versão desse romance dividida em quarenta e três capítulos recheados de magníficas ilustrações de Fernando Bento, tão fieis à imagem do mítico personagem que se gravaram indelevelmente na memória de muitos leitores do saudoso “grande camaradão” da juventude portuguesa.

Uma nova adaptação da mesma novela surgiu (bastante a propósito) na revista Zorro, durante o ano de 1964, desta vez com ilustrações a lavis de outro mestre da BD portuguesa: José Garcês, que curiosamente regressou ao western — um tema pouco frequente entre os seus múltiplos trabalhos — com duas histórias aos quadradinhos estreadas nas páginas do Zorro.

O nosso blogue — que já vos apresentou o carismático personagem de Johnston McCulley — tem o prazer de divulgar também algumas das magníficas imagens de Fernando Bento oriundas do Diabrete, com um Zorro que se distingue pela elegância e leveza de movimentos, sublinhadas pelo traço dinâmico do artista, pelo porte romântico e audacioso, pela aura de mistério e de fascínio (e até de temor sobrenatural) que o envolve, quando se veste de negro e usa um largo capuz para encobrir a sua identidade — e pelo cunho verídico (no sentido de fidelidade ao ambiente e aos elementos originais) que o talentoso mestre imprimia a todas as suas criações inspiradas em figuras literárias.zorro-bento-1

zorro-bento-2

zorro-bento-3

zorro-bento-4-e-5

zorro-bento-6 e 7

zorro-bento-8 E 9

zorro-bento-11

zorro-bento-12

zorro-bento-13

zorro-bento-14 E 15