JOSÉ PIRES: ENTRE O CINEMA E A BD – 1

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o-bandido-da-quebradasem-legendaAmante incondicional dos filmes e novelas de cowboys, tendo chegado a traduzir vários livros de autores americanos para uma colecção da editora Europa- -América, cujas capas também ilustrou (imagem ao lado), José Pires especializou-se no western desde o início da sua carreira, devotando-lhe um interesse apaixonado que se reflecte numa vasta soma de conhecimentos sobre as coordenadas históricas e geográficas desse imenso e mítico território recriado pela imaginação de cineastas, desenhadores, pintores e romancistas, as suas figuras lendárias, o folclore e as tradições das tribos índias no seu habitat natural, a vida e os hábitos dos cowboys, as armas, vestuário, cavalos, arreios, selas, estribos e outros utensílios que utilizavam nas suas múltiplas e rudes tarefas diárias.

Na verdade, não conheço ninguém que lhe possa fazer frente nessa matéria… ou que explane com a mesma fluência e erudição, num tom de genuíno entusiasmo, assuntos tão diversificados, sem precisar de recorrer a nenhuma enciclopédia. Prova disso é o seu último trabalho no âmbito do western, uma história com 50 páginas que constitui o primeiro episódio de uma série (infelizmente interrompida, por não ter encontrado editor) a que deu o nome do personagem principal, Buster, identificando este com um dos maiores mitos do western enquanto género cinematográfico: Clint Eastwood.

buster-capa0861Nessa série, Buster é um ranger do Texas tranquilo, mas inflexível — à semelhança do próprio Eastwood nos seus filmes —, que, juntamente com um fiel parceiro, o sargento Gabby Hayes, inspirado na figura de outro actor famoso, Robert Duvall, faz o que um ranger costuma fazer: perseguir e capturar bandidos de toda a espécie, sem temer o perigo e sem recuar perante nenhum obstáculo, no cumpri- mento da sua missão. Mas às vezes os fora-da-lei são um osso mais duro de roer do que os seus perseguidores imaginam e conseguem trocar-lhes as voltas, escapando habilmente entre as malhas da lei, para continuarem os seus assaltos e outras malfeitorias.

O 1º episódio de Buster, intituladoDesperadoes” (A Quadrilha Selvagem), que foca precisamente este tema, foi apresentado por José Pires, como faneditor, num fascículo em formato A4, com 54 páginas, pelo preço de 10 €, que pode ainda ser encomendado directamente pelo e-mail gussy.pires@sapo.pt. ou na conhecida loja de José Vilela, sita nas Escadinhas do Duque nº 19-A, 1200-155, Lisboa.

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Uma bela edição, em tiragem limitada, que os amantes do western e os admiradores do trabalho de José Pires não devem perder. E àqueles que gostam de esmiuçar as relações entre a BD e o cinema, este episódio oferece-lhes um atractivo suplementar, pois está recheado de referências a outros rostos da 7ª Arte, nos quais José Pires se inspirou, como é seu timbre, para dar uma aparência mais realista aos personagens.

Quem for capaz de descobrir todas as identidades ocultas de antigos e modernos “astros” da tela, nessa curiosa e heterogénea galeria de heróis, vilões e figuras secundárias, pode gabar-se de ter uma cultura cinematográfica alguns “furos” acima da média.

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PÁGINAS INÉDITAS DAS PRÓXIMAS AVENTURAS DE TEX WILLER, O MAIOR HERÓI DA BD “WESTERN”

O blogue do Tex deu, mais uma vez, conhecimento aos seus leitores de algumas páginas inéditas desenhadas por alguns dos grandes nomes do staff de Tex, de Giulio De Vita a Maurizio Dotti, passando por Ernesto Garcia Seijas, Massimo Rotundo, Michele Benevento, Laura Zuccheri, Majo Rossi e Fabio Civitelli. Aqui as reproduzimos, com a devida vénia ao Tex Willer Blog e ao seu dinâmico coordenador José Carlos Francisco, um dos maiores coleccionadores e divulgadores deste herói a nível mundial.

COMENTÁRIO:

Da mestria de Ernesto Seijas à de Maurizio Dotti e Fabio Civitelli, passando pelo excelente trabalho de Michele Benevento e Laura Zuccheri, sem esquecer as páginas ainda a lápis de Majo Rossi e Massimo Rotundo, há nesta galeria a confirmação absoluta de que a Itália e a SBE (Sergio Bonelli Editore)  continuam a ser um alfobre de grandes desenhadores e de que aqueles que asseguram, hoje, o futuro de Tex estão entre os melhores do mundo!

Notável também, sem dúvida, é a página a cores de Giulio De Vita, que desperta de imediato o interesse pela concepção estrutural das cenas, em vinhetas panorâmicas, dando à acção um dinamismo e uma objectividade peculiares. Imaginem esta mesma página publicada no habitual formato texiano, de mais reduzidas dimensões, estruturado em três tiras com o máximo de seis vinhetas. Neste caso, a liberdade gráfica é sempre limitada e os autores têm de mostrar todos os seus recursos (como inúmeras vezes acontece) para superarem essa restrição, em termos estéticos, formais e narrativos. 

Parece-nos que foi uma boa ideia a criação dos álbuns a cores de Tex, imitando os padrões franco-belgas. Os três títulos já publicados são um exemplo da liberdade gráfica que dá outra amplitude e outro “fôlego” criativo às aventuras de um herói como Tex, embora condi- cionadas pelo menor número de páginas — o que não impediria, em nosso entender, que, nalguns casos, elas pudessem estender-se por dois volumes, pelo menos. Seja como for, esta colecção (iniciada pelo mestre Eleuterio Serpieri) irá certamente reservar-nos outras belas surpresas e poderá tornar-se um marco da BD de autor, ombreando com obras- -primas do western como Blueberry e Buddy Longway, por exemplo.

Quanto ao Color Tex Histórias Breves, cremos que a intenção inicial foi transformá-lo numa espécie de “banco de ensaio” para novos desenhadores… o que até poderia ter-se revelado uma boa ideia se a selecção dos trabalhos publicados fosse mais rigorosa. Francamente, parece-nos que alguns desses desenhadores (e não vamos citar nomes, mas os defeitos saltam à vista!) ainda estão no estádio de principiantes, a quem falta “escola” e até jeito para um género tão exigente como o western. Mesmo em episódios curtos, Tex merece melhor! A quantidade nunca é desejável, quando põe em causa a qualidade… sobretudo numa série de tão longas e prestigiosas tradições como a de Tex Willer!

QUANDO TEX VEM AO NOSSO ENCONTRO…

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Nutro, desde há muito, um fervoroso entusiasmo pelo western e pela sua mitologia, tanto na literatura e no cinema como nas histórias aos quadradinhos, mas não sou, nem de perto nem de longe, um grande coleccionador de Tex, pois comecei a interessar-me por esta famosa série italiana um pouco tarde, tex-315-528em meados dos anos 80 (como já tive oportunidade de narrar num artigo que redigi para o primeiro número da excelente revista do Clube Tex Portugal).

Devido a esse relativo atraso, são muitas as lacunas na minha modesta colecção texiana… e refiro-me só às edições brasileiras distribuídas nas nossas bancas, que na série principal já atingiram, este mês, o nº 522. Mas como também compro o Tex Colecção, série que já vai no nº 316 e onde as histórias originais italianas têm sido apresentadas pela sua ordem cronológica, esse facto preenche as minhas lacunas e atenua um pouco a frustração que às vezes sinto por não ter também, como desejaria, a série principal completa, cujas capas só por si constituem um magnífico espectáculo. Além disso, são o repositório (antológico) do trabalho de dois dos maiores ilustradores de Tex: os mestres Aurelio Galleppini e Claudio Villa.

tex-ouro-41-529Há cerca de um ano, uma feliz circunstância, como sempre fruto do acaso, proporcionou-me juntar à minha colecção dois exemplares raros (e também já antigos), em muito bom estado e a um preço bastante acessível. Trata-se de uma edição em formato um pouco maior do que o normal, na série que continua a sair mensalmente (embora chegue às nossas bancas com anos de atraso): os nºs 2 e 3 da edição especial colorida da Editora Globo (Setembro de 1991 e Dezembro de 1992), com histórias completas desenhadas respectivamente por Fabio Civitelli e Aurelio Galleppini.

Actualmente, o Tex brasileiro está a cargo da Mythos Editora, que tem feito um excelente e criterioso trabalho, brindando os fãs da série com vários títulos de publicação regular, como o Tex Colecção, o Tex Almanaque, o Tex Ouro, o Tex Edição Histórica, o Tex a Cores (em formato maior), o Tex Anual e o Tex Gigante — além, claro, da série principal e de algumas edições avulsas, como o Tex Férias, por exemplo. tex-almanaque-1-530Mas o maior problema é descobri-los no meio da caótica confusão de jornais e revistas que enxameiam os escaparates e as bancas dos postos de venda. Na localidade onde resido tenho de correr “seca e meca” para não perder as colecções que me interessam, pois é muito difícil encontrá-las sempre no mesmo sítio. Não consigo perceber por que é que os distribuidores e os vendedores têm estes caprichos… que tantas dores de cabeça provocam aos leitores fiéis da série!

Mas voltando à minha última e afortunada aquisição texiana num alfarrabista, apresento mais abaixo, para desfrute dos amantes do western, as capas das duas edições especiais da Globo, como atrás mencionei. tex-200O nº 3, com o título “Forte Apache”, foi reeditado (também a cores) no nº 300 de Tex Colecção, revista que chegou às nossas bancas em Maio do ano passado e à qual o Gato Alfarrabista se referiu num post que podem ver aqui. Mas o formato maior e mais “nobre”, escolhido pela Globo na sua edição especial colorida, dá-lhe uma apresentação mais notória, fazendo destas duas peças (cujas capas, de aspecto muito semelhante, são da autoria de Zaniboni e Galleppini) um autêntico regalo para qualquer coleccionador que não possua na sua bedeteca as edições originais italianas desta série.

Só tenho pena de não ter encontrado também o primeiro número… pois seria a cereja em cima do bolo! E, a propósito, recordo que em 30 de Setembro Tex Willer festeja mais um aniversário, a caminho dos 70 anos de publicação ininterrupta. Um feito invejável que poucos heróis da Banda Desenhada, em qualquer parte do mundo, contam no seu activo!

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MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (5)

A NOITE DO ANO NOVO  (4ª e última parte)

Como prometido, aqui têm a conclusão do conto de Johnston McCulley publicado em 1949 n’O Mosquito nºs 1051 a 1054, com tradução de Raul Correia e um sugestivo cabeçalho desenhado por E. T. Coelho. Como muitos outros que figuraram na rubrica “Antologia de Contos de Acção”, este conto era oriundo da célebre revista americana The Saturday Evening Post, à qual já fizemos referência num artigo anterior.

Resumo: O Ranger Pat Malloy chega a Copper City, nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, à meia-noite, devido à presença de dois bandos rivais. Um deles é chefiado pelo desordeiro Bart French, que planeia vingar-se de Malloy (por este o ter prendido, em tempos) e de Ed Catlin, gerente da Companhia Mineira.

À meia-noite em ponto, estalam as primeiras salvas de tiros, celebrando a passagem do ano, mas Bart aproveita a oportunidade para alvejar traiçoeiramente Ed Catlin. Forçado a intervir, Malloy derruba French com uma coronhada, enquanto os seus cúmplices se refugiam no saloon onde tinham passado a noite a beber.

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IV

Uma bala arrancou o chapéu da cabeça do Ranger, mas o tiroteio esmorecia rapidamente. Sentia-se prestes a explodir o perigo que Pat Malloy mais receava… e que era uma luta entre os minei­ros e os brush-poppers. Uma voz rouca praguejou e um grito encheu a rua:

— Atirem nos brush-poppers! Mataram o Catlin! Fogo neles!…

Malloy encaminhou-se para a porta aberta do saloon de Pedro Lopez e olhou para dentro. Os brush-poppers estavam ali quase todos reunidos, falando em tumulto e carregando as armas. Bart French tinha sido encostado à parede e um homem dava-lhe a beber uns goles de whisky. Bart rouquejava ordens.

De repente, estalou uma detonação e Malloy sentiu uma pancada no braço esquerdo. Voltando-se no mesmo instante, disparou sobre um homem que tentava esconder-se com o ângulo do barracão. Os mineiros, do outro lado da rua, tinham-se jun­tado em grande número à porta do armazém. Um deles gritou:

— Aí vamos, Ranger!

— Fiquem onde estão, rapazes! Vigiem Catlin! Ele está vivo?

— O médico diz que sim!

— Deixem o resto comigo!

Pat tinha falado sem se voltar, mantendo sob a ameaça das armas os homens que estavam dentro do saloon. Começava a sentir o sangue escorrer-lhe sob a manga, ao longo do braço esquerdo, mas a mão que segurava o colt não tremia. E foi em voz tranquila que ordenou:

— Saiam daqui, todos vocês! Bart French fica! Eu vi-o disparar sobre Ed Catlin! Comecem a sair já… ou eu começo a disparar!

Os brush-poppers olhavam-no com espanto. French levantou-se com dificuldade.

— Ouviram? Saiam todos!

Junto do balcão, um homem fez fogo. Os revólveres do Ranger trovejaram e o homem caiu. O chapéu de um outro foi levado por uma bala no momento em que ele se preparava para atirar. Então, empurrando-se e disparando ao acaso, os brush-poppers precipitaram-se para a porta do saloon.

Malloy sentiu uma espécie de chicotada na perna direita e compreendeu que tinha sido ferido outra vez. De novo os dois colts dispararam. Um dos companheiros de French ficou estendido, enquanto o resto do grupo se lançava para a rua. Através da fumarada, Pat Malloy ouviu os brados de raiva dos mineiros. Estalou um inferno de tiros… mas os brush- -poppers fugiam. Pat ouviu o tropel dos cavalos…

Foi então que sentiu a perna ferida ceder sob ele. Escorregou ao longo da parede e sentou-se no chão, em frente de Bart French. Estavam sós. Os dois homens olharam-se durante uma fracção de segundo e ambos ergueram as armas e dispararam, quase ao mesmo tempo. A bala de French cravou-se na parede, a dois ou três centímetros da cabeça de Pat. Mas a bala do Ranger tinha atravessado o pulso do adversário e French deixou cair o colt e tombou para diante, desmaiado.

Quando Lopez e um grupo de mineiros entraram no saloon, Malloy bradou:

— Não toquem em French! Isto está arrumado! Que se passou lá fora?

— Os brush-poppers fugiram, mas deixaram três deles estendidos na rua! O médico diz que o Catlin escapa desta! Você está ferido, Ranger?

— Num braço e numa perna, mas não é coisa de importância! Quando o médico estiver disponível, peçam-lhe para vir cá! O French tem de ser tratado… porque a cadeia está à espera dele!

Alguns dos mineiros voltaram a sair. Pedro Lopez foi encher um copo de whisky e aproximou-se de Malloy, que bebeu um trago. Jim Wheeler entrou nessa altura.

— Isto não é nada! — disse Pat. — O médico trata de mim num instante! Vou ter uns dias de descanso, Mr. Wheeler, e gostava de passá-los perto de Lola! Podia arranjar-me um colchão no seu armazém? Se me estender um bocado… amanhã já poderei jantar consigo e com Lola para festejar o Ano Novo!

Jim Wheeler perguntou: — E French?

— Vou nomear Lopez e um ou dois homens mais, como meus ajudantes! Eles tratarão de levar o Bart para a cadeia e vigiá-lo-ão até que venha o sheriff! Telegrafe-lhe, Mr. Wheeler, e conte o que se passou! E essa gente aí na rua?

 — Nenhum morto! Estão feridos e ficam na cadeia também até vir o sheriff! Vou telegrafar!

Pat Malloy encostou a cabeça para trás e come­çou a enrolar lentamente um cigarro. O caso estava arrumado. E, através das espirais de fumo do ci­garro, o Ranger começou a pensar que Wheeler tinha razão: aquela vida não era certamente a que mais convinha a um homem que queria casar!

— Pat!

— Lola! Nada de apoquentações, querida! Isto não tem importância! Estava aqui a pensar que vou realmente pedir a demissão e…

— Oh, Pat! Estou tão contente!

Pedro Lopez, que olhava melancolicamente as dezenas de garrafas que juncavam o saloon, olhou para eles e sorriu…

FIM

HUMOR À RÉDEA SOLTA – 3

O “COW-BOY” E O LASSO (2)

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Ora aqui têm, caros amigos, mais uma das nossas páginas humorísticas, reproduzida desta vez da célebre revista O Mosquito, que muitos dos seus leitores, de idade madura, ainda recordam festivamente, celebrando todos os anos, em Janeiro, um aniversário que já se tornou uma das maiores efemérides da BD portuguesa.

O autor desta página, José Cabrero Arnal, foi um dos mais populares colaboradores dessa revista, nos seus primeiros anos de existência, e granjeou também grande reputação não só no seu país natal, a Espanha, como mais tarde em França e noutros recantos da Europa por ter sido o criador da mediática figura de Pif, le chien, um herói canino de risonho semblante e formas antropomórficas que até apadrinhou uma revista de grande êxito no seu tempo: Pif Gadget (assim chamada por ter como atracção suplementar os passatempos e objectos curiosos que oferecia aos seus leitores).

No nosso país, Arnal foi um dos desenhadores humorísticos mais conhecidos e apreciados pelos leitores de histórias aos quadradinhos, em revistas que deixaram saudades como, além d’O Mosquito, o Gafanhoto, o Mundo de Aventuras e O Falcão… ou seja, a sua popularidade entre nós, tal como em Espanha e França, durou várias décadas, consagrando personagens emblemáticas como o Cão Top (e a sua namorada Topolina), Plácido e Mosca, Pif e Hércules (um gato malicioso e brigão que era o grande rival de Pif).

OS “COW-BOYS” DE ANTIGAMENTE

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NOTA: Este longo e pormenorizado artigo de Carlos Gonçalves sobre os saudosos heróis do western que pululavam no cinema e nas histórias aos quadradinhos, com destaque para o panorama das revistas brasileiras de cowboys, foi previamente publicado no nº 4 da Revista do Clube Tex Portugal, em Junho do corrente ano, mas sem a parte final, sobre os cowboys criados por desenhadores e argumentistas brasileiros.

Carlos Gonçalves, um dos maiores especialistas portugueses da Nona Arte e dinâmico membro directivo do Clube Português de Banda Desenhada — que lhe deve, em grande parte, o vigoroso impulso com que renasceu de um longo letargo, tendo este ano celebrado festivamente o seu 40º aniversário —, voltará em breve a obsequiar este blogue com outros trabalhos profusamente documentados (e ilustrados).

Realce também para Edgard Guimarães, outro grande dinamizador das “histórias em quadrinhos” (como são conhecidas no Brasil), e o valioso contributo que deu para a elabo- ração deste artigo — publicado igualmente no seu fanzine Q.I. —, tanto no arranjo gráfico como alargando-o ao universo dos autores e editores brasileiros que criaram inúmeras séries originais, com cowboys arquetípicos que fomentaram também a popularidade do western (ver o seu texto na última página).  

RUBRICA DO OESTE – 7

DOIS VELHOS AMIGOS

Um dos primeiros contactos que tivemos com a lendária figura de Kit Carson — o célebre pioneiro, explorador e herói das campanhas contra os índios, que defendeu também quando era preciso — foi no Mundo de Aventuras, onde as suas façanhas surgiram em 1952, ilustradas por magníficos autores ingleses (entre os quais se destacou Derek C. Eyles), que lhe deram um novo fôlego épico, embora totalmente imaginário.

Lance logo

O encontro seguinte aconteceu em 1957 nas páginas do Cavaleiro Andante, mais precisa- mente numa famosa série americana criada (argumento e desenhos) por Warren Tufts, com o nome de Lance, que o Cavaleiro Andante resolveu traduzir por Flecha, dando esse nome ao seu principal personagem, um jovem e impetuoso oficial de cavalaria recém- -chegado ao Forte Leavenworth, na fronteira do Oeste selvagem, onde iria viver as mais trepidantes aventuras, com um fundo histórico verídico.

Num dos primeiros episódios, publicado nos nºs 307 e 308 daquele popular semanário juvenil, Lance St. Lorne (aliás, Flecha) dirigiu-se à povoação de Taos, no Novo México, em busca do seu amigo Kit Carson, que já não via há muito tempo. O encontro entre os dois foi qualquer coisa de memorável, como ilustram as páginas que a seguir reproduzimos daqueles números do Cavaleiro Andante.

(A série Lance foi também publicada em álbum por Manuel Caldas).

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