JAMES STEWART – IMPROVÁVEL HERÓI DO “WESTERN”

Texto: Jorge Magalhães

Alto, magro e um pouco “desengonçado”, tanto nos gestos como no modo de falar — embora fosse essa a chave do seu êxito —, James Stewart (1908-1997) estava longe de se parecer com a imagem ideal dos cowboys popularizada por centenas de filmes made in Hollywood. Mas o certo é que a sua longa e memorável carreira não teria sido a mesma sem os papéis que lhe couberam nalguns dos melhores westerns da história do cinema, sobretudo os que foram realizados por Anthony Man (1906-1967), durante um dos períodos mais férteis que o género atravessou nos anos 1950 e para o qual tanto Stewart como Mann deram um contributo de relevante importância.

Cinco grandes clássicos que todos os amantes do western ainda hoje revêem com prazer e aos quais os críticos nunca deixaram de tecer elogios: Winchester ‘73 (1950), Bend of the River Jornada de Heróis (1952), The Naked SpurEsporas de Aço (1953), The Far CountryTerra Distante (1954) e The Man from LaramieO Homem Que Veio de Longe (1955).

É claro que James Stewart participou noutros westerns também de inolvidável memória — como Broken Arrow (A Flecha Quebrada), às ordens de Delmer Daves, ou Two Rode Together (Terra Bruta)The Man Who Shot Liberty Valance (O Homem Que Matou Liberty Valance), ambos de John Ford, o seu realizador favorito —, mas foram, sem dúvida, os filmes de Anthony Mann, rodados em magníficos exteriores, que o colocaram no galarim dos maiores ícones do cinema western.

Embora, verdade seja dita, todos os papéis de Stewart fossem diferentes dos que eram desempenhados por outros actores célebres dos filmes de cowboys (como Gary Cooper, John Wayne, Randolph Scott ou Clint Eastwood), pois costumava encarnar homens simples mas de vontade férrea, que conseguiam superar as suas fragilidades lutando tenazmente contra toda a espécie de obstáculos, incluindo os da natureza selvagem e dos adversários — por vezes, ainda mais duros e impiedosos — que o destino punha no seu caminho. Imagem que se colou também ao seu estatuto de vedeta, numa série de filmes que reflectiam outra realidade e em que interpretou magistralmente o mesmo tipo de personagens audazes e determinadas, ainda que nem sempre pudessem ser vistas como um modelo de virtudes.

Actor de comédias e dramas de cariz social, James Stewart não parecia predestinado para papéis de cowboy, apesar de já ter passado fugazmente pelo género, ao lado de Marlene Dietrich, num filme realizado por George Marshall, em 1939: Destry Rides Again (A Cidade Turbulenta), que aliava o tom de comédia aos tópicos nascentes dos westerns dessa época que procuravam distinguir-se dos estereótipos da série B.

Por isso, foi com surpresa que os espectadores o viram num papel mais maduro em Broken Arrow e Winchester ’73, em que a sua própria aparência física já não era a do rapaz franzino que figurava no filme de George Cukor The Philadelphia Story (Casamento Escandaloso), ao lado de Cary Grant e Katharine Hepburn, ou em Mr. Smith Goes to Washington (Peço a Palavra), contra- cenando com Jean Arthur, no seu primeiro papel importante, sob a direcção de Frank Capra.

Os dados estavam lançados e, graças a realizadores como Delmer Daves, Anthony Man e John Ford, que deram ao cinema western algumas das suas coroas de glória, a carreira de James Stewart, improvável actor de filmes de cowboys, nunca mais seria a mesma.

OS PRIMEIROS “WESTERNS” DE JAMES STEWART

“A Cidade Turbulenta” (1939), com Marlene Dietrich

“Winchester ’73” (1950), com Dan Duryea e Shelley Winters

“A Flecha Quebrada” (1950), com Jeff Chandler e Debra Paget

“Jornada de Heróis” (1952), com Julia Adams e Rock Hudson

“Esporas de Aço” (1953), com Robert Ryan e Janet Leigh

“Terra Distante” (1954), com Ruth Roman e Walter Brennan

“O Homem Que Veio de Longe” (1955), com Arthur Kennedy e Cathy O’Connell

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O PRÓXIMO CONVÍVIO DO CLUBE TEX PORTUGAL

Dia 9 de Dezembro jantar/convívio, no Cacém, para entrega da Revista nº 7 do Clube Tex Portugal

(CONFIRME JÁ A SUA PRESENÇA)

Por José Carlos Francisco

A Direcção do Clube Tex Portugal vai organizar no próximo dia 9 de Dezembro, sábado, um jantar/convívio para que os sócios do Clube recebam pessoalmente a REVISTA nº 7 do CLUBE TEX PORTUGAL, edição devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore.

Sobre a revista em si, daremos mais informações em breve, podendo adiantar de momento que terá uma capa inédita da autoria de Stefano Biglia, ou melhor, DUAS CAPAS, já que devido ao sucesso ocorrido com as edições anteriores também neste sétimo número teremos duas versões da capa, pois Stefano Biglia enviou-nos não uma, mas sim duas deslumbrantes artes. E neste sétimo número vamos contar, uma vez mais, com diversas colaborações de autores de Tex, mas a seu tempo daremos informações definitivas sobre mais esta edição que ficará na história de Tex em Portugal (e não só).

Voltando ao convívio texiano, o  jantar, que terá início às 20.30 horas do dia 9 de Dezembro, ocorrerá, tal como nos anos anteriores, no Cacém, mas num espaço diferente dos anos anteriores. Mais precisamente no Restaurante Dom Carlos, um espaço amplo e agradável, situado no Largo Gama Barros 5 • Cacém.

A ementa do Convívio Texiano deste ano é composta de:
Entradas: Pão, Azeitonas, Paté, Linguiça com cogumelos e Salgados
Peixe: Bacalhau com broa
Carne: Escalopes à Madeira
Bebidas: Vinho tinto e branco (casa), Sangria, Sumos, Cerveja e Água
Sobremesa: Salada de fruta, Mousse de chocolate e Doce da casa
Café

O preço por adulto é de 13.50€, crianças até aos 4 anos não pagam e dos 4 até aos 10 anos pagam 50%.

Para além da entrega de um exemplar GRATUITO da Revista nº 7 do Clube Tex Portugal a cada associado presente, o jantar servirá principalmente para fomentar e fortalecer o convívio entre texianos e também para se debaterem as principais iniciativas do Clube Tex Portugal para 2018, com especial incidência num quinto evento a realizar no mês de Abril, novamente na Bairrada, que contará com a presença de mais DOIS renomados autores de Tex e incluirá também novas exposições dedicadas ao Ranger.

Será igualmente tema de debate um evento a realizar em Setembro de 2018, onde o Clube Tex Portugal assinalará e comemorará os 70 anos de vida editorial de Tex!

Momento a reviver: a entrega aos sócios da Revista #1 do Clube Tex Portugal – 2014

A Direcção do Clube pede aos sócios (e não sócios, pois o jantar convívio é aberto a todos os apreciadores da 9ª Arte) que desejem participar no jantar/convívio do dia 9 de Dezembro, que confirmem a sua presença impreterivelmente até ao dia 4 de Dezembro, para os e-mails josebenfica@hotmail.com ou cacem.moreira@gmail.com — ou ainda no blogue português do Tex, na forma de comentário ao post http://texwillerblog.com/wordpress/?p=74694 —, recordando uma vez mais que os sócios podem ser acompanhados por familiares e amigos que desejem participar também neste convívio texiano.

Aos sócios, com as quotas do mês de Dezembro pagas, que não possam comparecer ao jantar/convívio do Cacém, será enviado pelo correio em data posterior o respectivo exemplar da revista nº 7 do Clube Tex Portugal.

(Post anteriormente publicado no Tex Willer Blog, de onde o reproduzimos com a devida vénia. Para aproveitar a extensão completa  das imagens, clique nas mesmas)

OS TRAJES ESPAMPANANTES DOS “COWBOYS” CANTORES E QUEM OS CRIOU

Roy Rogers e Dale Evans

Por Jorge Magalhães

Ninguém acredita que, na vida real, os cowboys usassem camisas tão espalhafatosas, pois certamente seriam alvo de galhofa por parte dos seus camaradas, homens rudes que passavam a vida ao ar livre, de volta do gado, e pouco tempo tinham para se aperaltar, mesmo quando, de mês a mês, tiravam uma folga para um curto passeio até à cidade mais próxima, onde podiam gastar numa noite o soldo de várias semanas de trabalho.

O hábito dos trajes espampanantes, que faziam as delícias da garotada e das meninas que se derretiam à vista dos seus actores predilectos, nasceu no cinema, sobretudo durante a época dourada dos westerns da série B e dos cowboys cantores como Gene Autry e Roy Rogers, que faziam gala de exibir nos seus filmes uma vasta colecção de camisas bordadas com motivos folclóricos (e muitos outros), parecendo até que se desafiavam para ver quem averbava, nessa categoria, os maiores louros.

E verdade se diga que quer Gene Autry, quer Roy Rogers e a sua partenaire Dale Evans (com a qual estava unido, também, pelos laços do matrimónio), inspiraram muitas modas nos anos 40 e 50 do século passado, fazendo a fortuna dos fabricantes de camisas [1] e a alegria dos jovens espectadores de cinema, sempre ávidos de emoções fortes, como tiroteios, cavalgadas, lutas com os índios e os bandidos, rixas nos saloons… mas também de cenas românticas, em que os bravos cavaleiros seduziam as donzelas com a sua destreza equestre, os seus dotes musicais e o garbo do seu porte, realçado pelas espampanantes camisas bordadas com todo o requinte.

E elas, as cowgirls como Dale Evans, caprichavam em seguir-lhes o exemplo, arrancando também assobios e aplausos às plateias em delírio que não se cansavam de venerar os seus heróis… e as suas heroínas, nos westerns da série B!

Gene Autry

[1] Nota curiosa: tanto Roy Rogers como Gene Autry (e muitas outras celebridades da Meca do cinema) foram clientes do mais famoso alfaiate de Los Angeles, Nudie Cohn, um emigrante ucraniano que se estabeleceu na Califórnia e enriqueceu com as suas criações extravagantes, como a do milionário fato em lamé dourado que Elvis Presley usou nas suas primeiras aparições em palco, avaliado em $10,000, quantia fabulosa nessa época (1957). Quanto terão custado as camisas de Roy Rogers, Dale Evans e Gene Autry?

MORREU RENZO CALEGARI

O homem que desenhou
 “A Balada de Zeke Colter”

Renzo Calegari (5 de Setembro de 1933 – 5 de Novembro de 2017)

Por Mário João Marques

Esta é uma das notícias que nunca queremos dar, mas que a lei da vida a isso nos obriga. Renzo Calegari, grande desenhador do fumetto italiano, faleceu no passado domingo, dia 5, aos 84 anos, deixando a banda desenhada mais pobre. Artista com duas grandes paixões, o desenho e a História, Calegari deixou bem patente o seu talento em 54 anos de uma intensa carreira, onde dedicou particular atenção ao Oeste americano, compondo páginas de verdadeira literatura desenhada.

Nascido em 1933, em Bolzaneto (Génova), Calegari começou a desenhar em 1955 para o estúdio de Rinaldo Dami, iniciando o seu percurso ao lado de autores como Gino D’Antonio em El Kid ou I Tre Bill, ou Gianluigi Bonelli em Big Davy. A partir de 1964 assina uma das suas obras primas, La Storia del West, em colaboração com grandes autores, entre eles Gino D’Antonio, Sergio Tarquinio e Renato Polese, onde vai contar a longa saga da família MacDonald durante o período dos primeiros colonos no Oeste americano.

Deixa a banda desenhada em 1969 para integrar o movimento de 68, regressando à sua paixão na década de 70 com outra obra-prima, a mini-série Welcome to Springville, escrita por Giancarlo Berardi. Para a Orient Express e Il Giornalino realiza a série Boone e Gente di Frontiera, até chegar a Tex, desenhando La Balata di Zeke Colter (auxiliado por Stefano Biglia, hoje um dos autores de ponta de Tex, e Luigi Copello), uma aventura escrita por Claudio Nizzi e publicada no Almanacco del West 1994.

Em 2004, desenhou uma aventura bélica para Mister No, intitulada Storia di um Soldato e escrita por Michele Masiero. Finalmente, em 2007, desenhou para a Sergio Bonelli Editore Bandidos!, um western escrito por Gino D’Antonio.

Com o seu talento e a sua paixão, Calegari exprimiu cultura nos seus trabalhos como poucos conseguem fazer, mas nos últimos anos da sua vida passou por momentos difíceis, sobretudo após o falecimento da sua mulher, vivendo carências a nível económico e humano, facto que, infelizmente, parece ser característico de alguns dos grandes artistas nas suas mais variadas atividades.

Os apelos em seu auxílio fizeram-se sentir, nomeadamente para que este grande autor fosse incluído na Lei Bacchelli, como efetivamente veio a acontecer, um fundo a favor de cidadãos ilustres, importante não só do ponto de vista material, mas também como sinal de reconhecimento público e de solidariedade pelo seu empenho e carreira. Um artista que nunca renegou os seus ideais e que ao longo da sua vida sempre lutou por uma sociedade mais livre e mais justa, por isso, Renzo Calegari foi sempre alguém que viveu para além das suas belas pranchas.

Morreu no passado domingo, aos 84 anos, poucos dias após a sua carreira ter sido reconhecida com o prémio Turio Copello, instituído pela sociedade económica de Chiavari e que se destina a premiar a criatividade dos artistas locais.

(Fonte: Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

TEX NO AMADORA BD 2017

TODAS as edições de Tex com o selo da Polvo Editora

à VENDA no Festival Amadora BD

Por José Carlos Francisco

A 28ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o Amadora BD 2017, um evento organizado pela autarquia da Amadora, está a decorrer na capital portuguesa da Banda Desenhada, até ao dia 12 deste mês de Novembro. O Festival [cujo cartaz é da autoria de Nuno Saraiva] conta com diversas exposições, lançamentos editoriais e a presença de autores portugueses e estrangeiros de Banda Desenhada e, tal como nos últimos anos, tem decorrido no Fórum Luís de Camões.

Este ano o tema é “A Reportagem“, um dos géneros do jornalismo que, no caso da Banda Desenhada, pode ser concebido e realizado por artistas, com “uma liberdade criativa maior, ainda que tenham de relatar factos, sempre sob o dever de manter a ética e o compromisso com a sociedade“, referiu a organização aquando da inauguração do evento. E mesmo não havendo este ano nenhuma exposição ou lançamento relacionado com Tex Willer, ao contrário do ano passado, também se podem encontrar à venda todas as edições portuguesas de Tex com o selo da Polvo Editora, exemplares esses que estão disponíveis no stand da Polvo, já que a editora de Rui Brito mais uma vez marca presença no maior evento da Banda Desenhada em Portugal.

Edições portuguesas de Tex à venda no stand da Polvo, durante o Festival Amadora BD 2017

O stand da Polvo tem à venda TODAS as edições de Tex publicadas até hoje, inclusive o volume praticamente esgotado “Patagónia”, uma das mais emblemáticas aventuras de Tex, escrita por Mauro Boselli e superiormente ilustrada por Pasquale Frisenda, cujo lançamento teve lugar no dia 9 de Maio de 2015, no auditório do Museu do Vinho Bairrada, na cidade de Anadia, integrado na 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, que contou com a participação de Pasquale Frisenda.

Mas também, como referimos, “Tempestade sobre Galveston” (com as duas versões da capa), de Pasquale Ruju e Massimo Rotundo, assim como “O Segredo do Juiz Bean” (igualmente com as duas versões da capa), de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, e ainda “Ouro Negro” (com a capa exclusiva para Portugal), de Gianfranco Manfredi e Leomacs, são títulos que podem ser adquiridos no stand da Polvo por quem for visitar este ano o maior festival de Banda Desenhada realizado em solo português.

Directores e sócios do Clube Tex Portugal com o editor Rui Brito, no stand da Polvo

Trata-se de uma OPORTUNIDADE IMPERDÍVEL DE ADQUIRIR OS QUATRO VOLUMES DA COLECÇÃO TEX ROMANCE GRÁFICO para quem visitar o Festival e ainda não possuir estas verdadeiras obras-primas da 9ª Arte (grossos volumes de 18,5 x 24,5 cm, com mais de 200 páginas, impressas em papel de boa gramagem, com uma nitidez perfeita do preto e branco, capa em cartolina com badanas e prefácios exclusivos para as edições portuguesas), e assim poder degustar quatro movimentadas histórias, cheias de acção e que fazem jus à saga de quase 70 anos de Tex Willer.

Catherine Labey também se juntou aos texianos no stand da Polvo

(Post publicado no Tex Willer Blog, de onde o extraímos, com a devida vénia. Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

DUKE – A NOVA SÉRIE DE HERMANN EDITADA EM PORTUGAL PELA ARTE DE AUTOR

“DUKE – A LAMA E O SANGUE”

EM 1886, UM DOS PEQUENOS POVOADOS DO COLORADO, NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, VÊ-SE SOB O JUGO DE SÁDICOS PISTOLEIROS CONTRATADOS PELO PROPRIETÁRIO DE UMA MINA, OS QUAIS NÃO TÊM QUAISQUER ESCRÚPULOS EM ASSASSINAR TODOS OS QUE SE ATRAVESSAM NO SEU CAMINHO.

MAS QUANDO AS VÍTIMAS COMEÇAM A SER MULHERES E CRIANÇAS, DUKE, O AJUDANTE DO XERIFE LOCAL, É OBRIGADO A ABANDONAR A SUA NEUTRALIDADE E A REVELAR O QUE MELHOR SABE FAZER: RECORRER ÀS ARMAS.

Argumento: Yves H. – Desenho: Hermann – Edição: cartonada, 56 páginas – Impressão: cor – Data de edição: Outubro de 2017 – Editor em Portugal: Arte de Autor – PVP: 15,00€

Hermann, um autor que não pára

Hermann Huppen nasceu na Bélgica, em Julho de 1938. Depois de terminar os estudos, com o fito de se tornar fabricante de móveis, profissão que não era o seu forte e em que trabalhou apenas duas semanas, abandona-a para ingressar num gabinete de arquitectura. Paralelamente, e à noite,  Hermann  estuda desenho de arquitectura e de decoração interior na Academia de Belas Artes de St. Gilles (Bruxelas).

Após uma permanência de três anos no Canadá, regressa a Bruxelas e casa-se. O destino dita-lhe como cunhado Philippe Vandooren, futuro director editorial da Dupuis, o qual, apreciando o seu jeito para o desenho, lhe encomenda uma pequena BD para uma revista de que é responsável: a mítica Spirou. Essa história chama a atenção de Greg, que entra em contacto com o jovem autor e lhe propõe uma experiência de seis meses no seu estúdio.

E é assim que, em 1966, Hermann começa a ilustrar Bernard Prince, uma série policial escrita por Greg e que é publicada noutra mítica revista, a Tintin (onde Greg era chefe de redacção), transformando-se em breve numa grande série de aventuras ao entrar em cena o iate Cormoran. Depois de uma incursão na série histórica Jugurtha (1967), escrita por Laymilie (Jean-Luc Vernal), da qual desenha os dois primeiros tomos, Hermann retoma a colaboração com Greg em Comanche, série western que surge em Dezembro de 1969.

Em 1977, Hermann sente necessidade de criar histórias autónomas e lança-se na sua primeira série a solo, Jeremiah, abordando um futuro apocalíptico. Entre 1980 e 1983, ilustra Nic, uma série onírica com argumento de Morphée (aliás, Philippe Vandooren). Em 1984, inicia uma nova série cuja acção decorre na Idade Média: As Torres de Bois Maury.

Hermann e Yves H. – pai e filho – uma parelha de sucesso

Exigente, curioso e trabalhador incansável, Hermann dedica-se na década de 90 à criação de “one-shots” (histórias sem continuidade): Missié Vandisandi (1991), Sarajevo-Tango (1995), Caatinga (1997) ou On a tué Wild Bill (1999).

Em 2000, com a cumplicidade de Van Hamme, desenha Lune de Guerre. Depois, com argumentos do filho, Yves H., surgem histórias como Liens de Sang, Le Secret des Hommes- -Chiens, Rodrigo, Zhong Guo, Manhattan Beach 1957, The Girl From Ipanema… ou Duke.

Hermann, que recebeu várias distinções ao longo da sua prolífica carreira, foi em 2016 homenageado com o Grande Prémio do Festival de Banda Desenhada de Angoulême. É um dos autores franco-belgas mais publicados em Portugal, tanto em álbuns como em revistas (Tintin, Mundo de Aventuras, Selecções BD), e já nos visitou algumas vezes. A Arte de Autor — uma novel editora que tem primado pelas boas escolhas — está de parabéns por trazer a sua nova série (de que mostramos algumas páginas) para o mercado bedéfilo português.

Páginas do álbum “Duke – A Lama e o Sangue” (edição Arte de Autor)

FANZINES DE JOSÉ PIRES (OUTUBRO 2017)

No início deste mês, José Pires lançou mais um volume da série Terry e os Piratas, que está a reeditar por ordem cronológica, numa homenagem ao mestre Milton Caniff sem paralelo no nosso país. Apesar da sua enorme popularidade e de ser considerada uma obra-prima da época de ouro dos comics norte-americanos, esta série nunca teve entre nós a projecção que merecia. O FandClassics veio finalmente, por obra de José Pires, preencher essa lacuna… e já vai no 10º episódio!

Em Outubro, outro fanzine de José Pires, o Fandwestern, publicou um novo episódio de Matt Marriott, uma das melhores séries da BD inglesa, graças à extraordinária mestria gráfica de Tony Weare, um artista apaixonado pelo tema, que desenhou a série durante mais de 20 anos, com a colaboração do argumentista James Edgar, chegando mesmo a viajar até aos Estados Unidos, para percorrer de carro, durante longos meses, as regiões onde se desenrolavam as aventuras do seu herói!

É de inteira justiça reconhecer que nenhuma outra série abordou com tanta autenti- cidade a história do Oeste americano, durante a época da colonização, em meados do século XIX, compondo uma vasta galeria de personagens que dão digna réplica aos dois protagonistas, Matt Marriott e Powder Horn, incansáveis vagabundos que percorrem o Oeste em busca de trabalho, evitando armar sarilhos, mas sempre prontos a defender a honra e a justiça de colt em punho quando confrontados com malfeitores da pior espécie. E não há dúvida que nesta série a justiça vence sempre!

Mas a “cereja em cima do bolo” é mais um número do Fandaventuras, o mais antigo fanzine de José Pires ainda em circulação, também dedicado, desta vez, ao Oeste americano — mas de uma época histórica mais remota e não menos sanguinária, tal como foi magistralmente descrita por James Fenimore Cooper, um pioneiro da literatura norte-americana, criador de um novo género, cuja celebridade galgou fronteiras com o romance O Último dos Moicanos, editado em 1826.

Adaptada várias vezes ao cinema e à banda desenhada, além de ter dado origem a algumas séries de televisão, esta obra não perdeu até hoje o irresistível fascínio que se desprende das suas carismáticas e trágicas personagens, entre as quais avultam o caçador de gamos Olho de Falcão e os seus companheiros índios Chingachgook e Uncas, últimos descendentes da nobre raça dos Moicanos.

Publicada nos anos 70 pela revista Look and Learn — com desenhos de Cecil Langley Doughty, um dos maiores artistas ingleses do seu tempo, colaborador de diversas revistas juvenis, e textos de David Ashford, que se encarregou da adaptação —, esta versão copiosamente ilustrada d’O Último dos Moicanos tem a particularidade de seguir a linha narrativa do romance, em moldes arcaicos, com legendas, preferindo estas à linguagem mais arejada dos balões. Mas não deixa, por isso, de ser uma bela história!

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados a José Pires através do e-mail gussy.pires@sapo.pt