COLECÇÃO BONELLI – VOL. 6 : TEX – “NA PISTA DOS FORA-DA-LEI” E “O ASSASSINO DE ÍNDIOS”

Artigo de João Miguel Lameiras reproduzido do jornal Público, de 12 de Maio de 2018.

“A Pista dos Fora-da-Lei”, de Mauro Boselli e Carlos Gomez

A primeira aventura, “A Pista dos Fora-da-Lei”, escrita por Mauro Boselli e com os espectaculares desenhos do argentino Carlos Gomez, foi publicada pela primeira vez no Almanacco del West 2013. Nesta história, Tex, acompanhado por Jack Tigre e Carson, persegue o bando de Ozzie Johnson, que entretanto assaltou o banco de Clifton, uma pequena cidade mineira. Mas tudo passa para segundo plano quando um bando de apaches rebeldes decide atacar a povoação. Johnson e os seus homens vão mostrar uma inesperada coragem e nobreza de carácter, arriscando a vida para salvar as mulheres de Clifton.

“O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi

Na segunda aventura, O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi – o desenhador de “Johnny Freak”, a inesquecível história de Dylan Dog publicada no terceiro volume desta colecção –, Venturi revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o western, confirmando as suas pujantes qualidades artísticas ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial.

Advertisements

AO SERVIÇO DA LEI

Strongheart, um dos mais famosos cães prodígios do cinema, foi (como já aqui referimos) uma das grandes séries publicadas n’O Mosquito, onde alcançou sucesso ainda mais duradouro do que n’O Senhor Doutor, outra revista da mesma época, embora alguns episódios fossem repetidos. Mas a mudança de nomes (Sherlock, Bob, Storm e finalmente Strongheart) baralhou um pouco os leitores, que nunca tiveram a certeza de que o popular herói canino fosse o mesmo em todas as aventuras que apareceram n’O Mosquito e n’O Senhor Doutor, durante um período de onze anos.

À grande artista Hilda Boswell cabe o privilégio de ter sido a única mulher a dedicar-se às histórias aos quadradinhos de aventuras, nessa época pioneira da BD inglesa. Nenhum leitor deve ter suspeitado que aquele robusto, dinâmico e vigoroso traço que tanto apreciavam era obra de mãos femininas, dado o anonimato que envolvia os colaboradores da Amalgamated Press e de outras editoras do Reino Unido.

Hilda Boswell ombreou talentosamente com os melhores desenhadores do seu tempo, nas revistas juvenis inglesas, além de ter ilustrado vários livros da famosa escritora Enid Blyton. O seu nome não merece cair no esquecimento, assim como o de G. W. Backhouse e de outros artistas ingleses das primeiras décadas do século XX, cujos trabalhos sem assinatura foram publicados, com grande êxito, n’O Mosquito e noutras revistas portuguesas da mesma época.

E. T. Coelho dedicou três capas ao episódio intitulado “Ao Serviço da Lei”, uma típica aventura da Polícia Montada, que se estreou n’O Mosquito nº 353, de 15/10/1942, pouco tempo depois deste magnífico artista se tornar seu colaborador. A capa do nº 360 foi, aliás, a primeira com o traço de E. T. Coelho a aparecer na revista, inaugurando uma das melhores fases do popular semanário juvenil, prestes a transformar-se em bissemanário e a encetar mais altos voos.

Na citada aventura, Strongheart (Coração Forte) chamava-se Storm (Tempestade), nome decerto inventado pelo tradutor/adaptador das legendas, ou seja, Raul Correia. Aqui ficam as três capas de E. T. Coelho, referentes aos nºs 360, 367 e 394 (1942-1943). 

OS TRÊS CÃES MAIS FAMOSOS DO CINEMA

Nota: Mais um artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves, oriundo, tal como os anteriores, do fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a divulgação destes trabalhos no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

A título de curiosidade, lembramos que as aventuras de Lassie e Rin Tin Tin foram também publicadas em livro, nos anos 1960, pela Editorial Ibis, traduzidas de edições espanholas. E com um pormenor igualmente curioso: é que, além do texto, as histórias tinham imagens, com a planificação habitual da banda desenhada, o que as tornava ainda mais dinâmicas e atractivas. Quase metade das páginas era preenchida dessa forma, como noutras colecções da Íbis, também oriundas de versões espanholas. Estamos certos de que essa foi a chave do seu rotundo êxito. 

Quanto a Strongheart, outro cão prodígio do cinema, foi uma das grandes séries publicadas n’O Mosquito, onde alcançou sucesso ainda mais duradouro do que n’O Senhor Doutor. E.T. Coelho, um dos maiores ilustradores portugueses, dedicou-lhe a sua primeira capa publicada n’O Mosquito (nº 360) e mais duas que apresentaremos também brevemente, em homenagem a ETC e a Hilda Boswell, a única mulher que desenhou histórias aos quadradinhos de aventuras, nessa época pioneira da BD inglesa.  

A BD ITALIANA E TEX WILLER EM GRANDE DESTAQUE NUMA NOVA COLECÇÃO PÚBLICO/LEVOIR

Mais uma boa notícia para o público bedéfilo: vai estar nas bancas durante 10 semanas, todas as quintas-feiras, já a partir de hoje, 12 de Abril, uma colecção de álbuns cartonados, dedicada aos principais heróis da Sergio Bonelli Editore, muitos deles só conhecidos em Portugal através das edições brasileiras (cuja distribuição entre nós está suspensa, irremediavelmente, há muitos meses).

O volume que abre a colecção, intitulado “A Lenda de Tex” (com quatro histórias a cores publicadas originalmente na revista Color Tex, em que figura o traço de Stefano Biglia, Alessandro Bocci, Michele Rubini e Sergio Tisselli), assinala mais uma etapa na carreira internacional deste consagrado ícone da BD western, que começou a ser publicado também em Portugal por editoras independentes como a Polvo, depois de uma solitária (mas marcante) presença numa colectânea do Correio da Manhã.

Tex estará também presente no sexto volume desta colecção, intitulado “A Pista dos Fora-da-Lei”, com duas histórias longas, a preto e branco, desenhadas por Carlos Gomez e Andrea Venturi e escritas por Mauro Boselli e Claudio Nizzi. 

Alargando o universo texiano a histórias e heróis de outro género, igualmente célebres (como Dylan Dog, Dampyr, Martin MystèreJúlia, Dragonero e Mister No), a Levoir e o jornal Público merecem fartos aplausos, por apresentarem, pela primeira vez, no nosso mercado bedéfilo obras relevantes de alguns dos melhores autores italianos da actualidade. Um lançamento vaticinado ao êxito e que se espera tenha continuidade, pois no vasto catálogo da Sergio Bonelli não falta por onde escolher… 

Capa do 1º volume da Colecção Bonelli, ilustrada por Stefano Biglia.

O PEQUENO XERIFE – XUXÁ (SCIUSCIÁ)

Nota: Mais um artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves, oriundo, tal como os anteriores, do fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a divulgação destes trabalhos no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

Curiosamente, estas duas séries italianas — que obtiveram também assinalável êxito no Brasil e em Portugal — foram contemporâneas de outro grande sucesso popular, o carismático Ranger Tex Willer, que se prepara para celebrar dentro de poucos meses o seu 70º aniversário de publicação ininterrupta! 

RED RYDER – O “CAVALEIRO RUIVO”

Nota: Mais um excelente artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves, oriundo, tal como os anteriores, do fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a divulgação destes trabalhos no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

Red Ryder (Cavaleiro Ruivo) é uma das maiores criações da BD norte-americana e rendeu justa celebridade ao seu autor Fred Harman, também chamado “o pintor do Oeste”, que viveu num rancho e conhecia a fundo o ambiente onde se desenrolavam as peripécias dos seus personagens, dando-lhes um cunho de veracidade pouco comum. 

Em Portugal e no Brasil, não houve certamente nenhum entusiasta leitor das histórias aos quadradinhos (ou quadrinhos), dos anos 1950/60, que não elegesse o Cavaleiro Ruivo como um dos seus cowboys favoritos. E note-se que nesse tempo, em matéria de heróis e de séries do Faroeste, havia muito por onde escolher…

SÉRIES FAMOSAS: “OS GRANDES MITOS DO OESTE”

Nota: o presente artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves foi, tal como os anteriores, publicado originalmente no fanzine brasileiro Q. I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a sua divulgação no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.