TEX (E TINTIN) NA FEIRA DO LIVRO DE LISBOA

Está a decorrer no Parque Eduardo VII, até 13 de Junho, mais uma edição da Feira do Livro da capital portuguesa, mais precisamente a 88ª edição da Feira do Livro de Lisboa, evento que é a montra da edição em Portugal, com mais de duas centenas de pavilhões e centenas de editores, chancelas, alfarrabistas e livreiros presentes e com lançamento e apresentação de livros, sessões de autógrafos, leituras públicas, workshops, intervenções artísticas e encenações, maratonas de leitura, feiras de rua, exposições e promoções.

Novelas gráficas de Tex com a chancela da Polvo Editora

E o famoso personagem Tex Willer também está presente na Feira do Livro, através dos volumes da colecção “Romance Gráfico” (“Patagónia“, “Tempestade Sobre Galveston“, “O Segredo do Juiz Bean“, “Ouro Negro” e “Capitan Jack“, nas suas diversas versões de capa), com o selo da Polvo Editora, no stand B07-B09-B11, da distribuidora Europress.

Estes volumes de Tex só têm, em princípio, 10% de desconto sobre o PVP com IVA, que é 16,99 euros, isto devido à Lei do Preço Fixo do Livro.

Juventude e Banda Desenhada, uma constante na Feira do Livro

Por tudo isto, prezado leitor, se puder dê ainda uma saltada até à Feira do Livro de Lisboa ou até ao Festival Internacional de BD de Beja (que encerra a 10 de Junho) e adquira (se ainda não os possui) os exemplares desta magnífica colecção dedicada a Tex Willer, devido à louvável aposta editorial da Polvo, que irá prosseguir nos próximos tempos, tendo em conta que já estão a ser preparadas novas edições de Tex com a chancela da editora de Rui Brito.

Alguns pavilhões da Feira do Livro de Lisboa 2018

(Texto e imagens reproduzidos do Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa das imagens supra, clique nas mesmas)

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A ARTE DOS MESTRES: ROSSANO ROSSI

Rossano Rossi em Beja, a desenhar para os seus fãs

Eis um conjunto de magníficas ilustrações de um desenhador italiano muito apreciado também pelos leitores texianos (e cujo estilo mostra algumas afinidades com o de Fabio Civitelli… estilos que, aliás, são dos mais singulares de toda a saga texiana).

Tex, ainda jovem, e a sua amada Lilyth, na arte de Rossano Rossi

Rossano Rossi, como já noticiámos, esteve presente no passado fim-de-semana em Beja, como convidado de honra do Festival Internacional de BD que está a decorrer (até ao próximo dia 10 de Junho) naquela antiquíssima cidade alentejana. Rodeado pelos seus fãs, teve ainda a companhia da Direcção (em peso) do Clube Tex Portugal: José Carlos Francisco, Carlos Moreira e Mário João Marques.

Esboços de Rossano Rossi, com Tex em acção

Os nossos agradecimentos ao Tex Willer Blog, de onde extraímos estes sugestivos exemplos da arte de Rossano Rossi, um desenhador de grande potencial, com muito ainda para oferecer aos seus inúmeros admiradores.

Tex, Kit Carson e o malévolo Mefisto, na arte de Rossano Rossi

ROSSANO ROSSI, DESENHADOR DE TEX, NO XIV FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA

Fonte: Tex Willer Blog

Comemoram-se em 2018 os 70 anos de vida editorial de Tex Willer, a lendária personagem dos fumetti, criada por G. L. Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho), no distante ano de 1948, e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que entra este ano na sua 14ª edição e realizar-se-á entre os dias 25 de Maio e 10 de Junho, não poderia ficar indiferente a estas sete décadas de vida de uma das personagens de banda desenhada mais amadas em Portugal e que arrasta sempre atrás de si uma enorme legião de fãs e coleccionadores.

Rossano Rossi irá a Beja desenhar para os seus fãs

O primeiro fim-de-semana, como é tradicional, será o mais preenchido. A inauguração ocorre no dia 25 de Maio, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura. E este ano, a abrilhantar o evento alentejano, teremos a presença de Rossano Rossi, consagrado desenhador italiano oriundo de Arezzo, terra que o viu nascer em 1964, que assim vem comemorar a efeméride (70 anos de Tex) a Portugal, para deleite dos seus inúmeros fãs e admiradores.

Rossano Rossi, desenhador de Tex, convidado do 14º Festival Internacional de BD de Beja

Como forma de agradecimento pelo convite efectuado por Paulo Monteiro, director do Festival de BD de Beja, Rossano Rossi desenhou Tex em Portugal, mais precisamente em Beja. O desenhador aretino elegeu a Torre de Menagem do Castelo de Beja — obra que se deve ao Rei D. Dinis, que a mandou edificar em 1310, e é considerada um dos melhores exemplos de arquitectura medieval, com a particularidade de ter sido toda construída em mármore — como pano de fundo para esta nova presença de Tex na cidade de Beja, visto que, no ano de 2010, Fabio Civitelli trouxe também o Ranger até à capital do Baixo Alentejo.

Tex Willer (pela arte de Rossano Rossi) no Castelo de Beja

Desenho este que, por cortesia do blogue português do Tex, temos o prazer de apresentar aos nossos leitores e, em especial, aos apaixonados Texianos portugueses. Mostramos também, para efeito de eventual comparação, uma fotografia (extraída do mesmo blogue) da imponente Torre de Menagem do Castelo de Beja, a mais alta da Península Ibérica, com aproximadamente 40 metros de altura e uma escadaria de acesso com 198 degraus.

Torre de Menagem do Castelo de Beja

Mais informações relacionadas com o Festival Internacional de BD de Beja (autores presentes, exposições, programa oficial, mapa, horários, informações úteis, contactos, etc.) estão disponíveis no sítio Internet oficial do Festival.

COLECÇÃO BONELLI – VOL. 6 : TEX – “NA PISTA DOS FORA-DA-LEI” E “O ASSASSINO DE ÍNDIOS”

Artigo de João Miguel Lameiras reproduzido do jornal Público, de 12 de Maio de 2018.

“A Pista dos Fora-da-Lei”, de Mauro Boselli e Carlos Gomez

A primeira aventura, “A Pista dos Fora-da-Lei”, escrita por Mauro Boselli e com os espectaculares desenhos do argentino Carlos Gomez, foi publicada pela primeira vez no Almanacco del West 2013. Nesta história, Tex, acompanhado por Jack Tigre e Carson, persegue o bando de Ozzie Johnson, que entretanto assaltou o banco de Clifton, uma pequena cidade mineira. Mas tudo passa para segundo plano quando um bando de apaches rebeldes decide atacar a povoação. Johnson e os seus homens vão mostrar uma inesperada coragem e nobreza de carácter, arriscando a vida para salvar as mulheres de Clifton.

“O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi

Na segunda aventura, O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi – o desenhador de “Johnny Freak”, a inesquecível história de Dylan Dog publicada no terceiro volume desta colecção –, Venturi revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o western, confirmando as suas pujantes qualidades artísticas ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial.

“CAPITAN JACK”, DE TITO FARACI E ENRIQUE BRECCIA – UM NOVO ÃLBUM DE TEX EDITADO PELA POLVO

Capa e alguns detalhes de pranchas do livro “Capitan Jack” (Polvo Editora)

Fonte: Tex Willer Blog

A apresentação do livro “Capitan Jack”, o quinto volume da colecção TEX ROMANCE GRÁFICO, ocorreu no passado dia 28 de Abril, no auditório do Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, durante a 5ª Mostra do Clube Tex Portugal, e contou com a participação de Rui Brito (editor) e Pedro Bouça (prefaciador), sob moderação de João Miguel Lameiras.

O livro, com tradução de José Carlos Francisco, legendagem de Hugo Jesus e texto introdutório de Pedro Bouça, tem um formato de 18,5 x 24,5 cm e uma encadernação brochada: capa mole com badanas de 12,5 cm, 228 páginas a preto & branco, e foi confeccionado num papel de boa qualidade, estando enriquecido com ilustrações inéditas do prestigioso autor, nascido na Argentina, Enrique Breccia.

O preço deste 5º volume da colecção (os anteriores volumes foram “Patagónia” de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, “Tempestade sobre Galveston” de Pasquale Ruju e Massimo Rotundo, “O Segredo do Juiz Bean” de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda e “Ouro Negro” de Gianfranco Manfredi e Leomacs) é de de 16,99 euros nas livrarias, com IVA incluído, mas os sócios do Clube Tex Portugal puderam adquiri-lo por 15 euros (1,99 euros de desconto sobre o preço em livraria), no decorrer da 5ª Mostra do Clube, e os não sócios  por 16 euros, beneficiando assim de um desconto de 0,99 euros.

O livro também poderá ser comprado (directamente ao editor Rui Brito) por sócios do Clube Tex Portugal que não estiveram presentes no evento, inclusive os que residam fora de Portugal, pelos mesmos 15 euros, mas terão de adicionar 1,50 euros para despesas de envio (somente para território nacional). Se quiserem mais de um exemplar na mesma encomenda (deste ou de outro título de Tex), deverão adicionar 2,00 euros para despesas de envio (valor também para território nacional).

Para os sócios não residentes no nosso país, o valor dos portes a pagar depende do destino para onde for expedida a encomenda, pelo que também deverão contactar o editor Rui Brito para saber o valor total a pagar e a forma de efectuar o respectivo pagamento. O e-mail de contacto com este editor é ruibritobad@gmail.com.

Capa e elementos da contracapa, assim como de algumas páginas do livro “Capitan Jack”

CAPITAN JACK

Argumento: TITO FARACIDesenho: ENRIQUE BRECCIA
Polvo, 2018

O LIVRO

No sul do Oregon, Hooker Jim e o seu grupo de índios exterminam a família de Foster, um ex-ranger e velho amigo de Tex. No seu leito de morte, este clama por vingança e Tex parte em perseguição do impiedoso personagem. Entretanto, o confronto entre os Modocs e o Exército dos Estados Unidos é iminente. O Coronel Wheaton foi o escolhido para combater os índios e o recrutamento maciço de meios militares e de um grande contingente de soldados faz com que esteja seguro da vitória.

Os índios, por seu lado, podem contar com o valioso conhecimento do local do futuro campo de batalha, os “leitos de lava”, uma extensão de rochas, fendas e cavernas onde se refugiaram. Nesta aventura, baseada em acontecimentos reais, Tex irá cruzar-se com Capitan Jack, o chefe da tribo que irá liderar a heróica e desesperada resistência do seu povo, durante os anos de 1872 e 1873, contra os militares, mas que acabará traído pelo próprio Hooker Jim.

OS AUTORES

Tito Faraci (Gallarate, Varese, 1965) começou pela música e chegou, em 1995, ao universo Disney. Com Giorgio Cavazzano (a quem apelida de “mentor”), criou o personagem Rock Sassi e realizou inúmeras histórias, entre as quais “Il Segreto del Vetro” (2004), bem como “Jungle Town” (2006). A editora Einaudi dedicou- -lhe, em 2000, “Topolino Noir”, uma antologia das suas melhores histórias criminais para o universo Disney.

A sua colaboração com a Sergio Bonelli Editore começou em 1999, escrevendo para Dylan Dog. Elaborou também argumentos para Nick Raider, Magico Vento, Martin Mystère, “Speciale Cico” e criou ainda Brad Barron, protagonista de uma aclamada mini-série de 18 números e de vários especiais. De 2005 é “L’Ultima Battaglia”, romance gráfico desenhado pelo americano Daniel Brereton. Em Abril de 2007, juntou-se à equipa de argumentistas envolvidos na criação de Tex.

Escreveu ainda duas histórias para a Marvel: uma foi desenhada por Giorgio Cavazzano; a outra por Claudio Villa. Na “Topolino” publica em 2008 “La Vera Storia di Novecento”, escrita com a activa colaboração de Alessandro Baricco. Esta parceria produziu, em 2010, a adaptação a BD do romance “Senza Sangue”, desenhado por Francesco Ripoli e editado pela Edizioni BD, da qual Tito Faraci é o editor-chefe. Em 2009, publicou uma história para crianças, “Ilcane Piero, Avventure di un Fantasma” e em 2011, “Oltrela Soglia”, ambas pela Edizioni Piemme. Após um período de aventuras radiofónicas e de escrita para música, publicou, em 2015, pela Feltrinelli, o seu romance “La Vita in Generale”.

Enrique Breccia (Buenos Aires, 1945), realizou o seu primeiro trabalho como profissional em 1968, quando, juntamente com o seu pai, Alberto Breccia, ilustrou “La Vida del Che”, uma biografia do revolucionário “Che” Guevara escrita por Héctor Germán Oesterheld. Para a inglesa Fleetway, em 1972, desenha “Spy 13”, sob pseudónimo, e em seguida uma série de histórias de guerra para a revista italiana “Linus”. Remonta a 1976 a sua colaboração com o argumentista Carlos Trillo, com, entre outras, “El Buen Dios” e Alvar Mayor, um dos seus mais famosos personagens.

Em 1983, desenhou “Ibáñez”, escrito por Robin Wood, e no ano seguinte, “Sueñero El Tiempo”. Adaptou para Banda Desenhada vários clássicos da literatura, como “A Ilha do Tesouro” e “Moby Dick”. Com texto de Felipe Hernández Cava, em 1987, publicou “Lope de Aguirre”. Em 2000, iniciou a sua colaboração com a Marvel e a DC Comics, para a qual desenhou “Legion Worlds” e “Batman: Gotham Knights”. Ilustrou, em 2002, o romance gráfico “Lovecraft”, escrito por Hans Rodionoff. De 2005 a 2007, tornou-se no desenhador principal de “Swamp Thing”.

Destinado ao mercado francês, e sob textos de Xavier Dorison, desenhou “Les Sentinelles” (Delcourt, 2011). Em Lucca (Itália), foi galardoado com o prémio Gran Guinigi como “Maestro del Fumetto”, em 2011. Para a Sergio Bonelli Editore, criou uma história de Dylan Dog, em 2012. Recebeu ainda um “Diploma de Mérito” dos Prémios Konex, como um dos melhores ilustradores da última década, na Argentina. Vive actualmente em Spoleto, Itália, onde vem colaborando com a editora 001 Edizioni.

FICHA TÉCNICA

Capitan Jack
Argumento: Tito Faraci
Desenhos e capas: Enrique Breccia
Tradução: José Carlos Francisco
Legendagem: Hugo Jesus
228 pág., p/b, brochado com badanas
24,5 x 18,5 cm,
€16,99 (IVA inc.)
Polvo
, Abril 2018

Folhas de montagem das páginas do livro “Capitan Jack” (Polvo Editora)

TEX A CAVALO – NA 5ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL (ANADIA)

A saudação de Tex

Perante numerosa assistência, um singular evento assinalou a abertura da 5ª Mostra do Clube Tex Portugal, no passado dia 28 de Abril: a chegada, a cavalo, de Tex Willer ao Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, numa perfeita encenação das gloriosas cavalgadas desta mítica personagem da BD western (embora num cenário muito diferente).

Depois de saudar galhardamente os assistentes (que não perderam a ocasião para o fotografar de todos os ângulos), Tex passeou pelos arredores do Museu — onde esteve patente a Mostra, com a presença e alguns trabalhos de dois ilustres desenhadores italianos, Alessandro Bocci e Alessandro Nespolino —, desfrutando a ridente paisagem desta afamada região vinícola, montado no seu garboso corcel “Dinamite” (substituído por uma égua… pormenor que para os admiradores de Tex presentes na cerimónia não teve a menor importância, pois ficaram encantados com o porte do belo animal).

Extraídas do Tex Willer Blog, com a devida vénia ao seu autor, Joaquim Santos, apresentamos algumas imagens de mais uma memorável visita de Tex a Anadia, vestido a rigor com a sua indumentária característica e os seus inseparáveis colts, como pela mão dos desenhadores que o tornaram famoso. A última foto, com Catherine Labey a afagar “Dinamite”, ainda recordada do seu passado de amazona em França, foi tirada por Cristina Amaral, a quem endereçamos também os nossos agradecimentos.

Tex à chegada ao Museu do Vinho Bairrada

Tex Willer nas terras da Bairrada

Tex e os desenhadores italianos Alessandro Bocci e Alessandro Nespolino

Tex Willer, a Direcção do Clube Tex Portugal e os dois mestres italianos

Catherine Labey faz uma festinha reverente ao Dinamite

AS LEITURAS DO PEDRO* – “A LENDA DE TEX”

Tex: A Lenda de Tex
Inclui: O Último da Lista; O Mescalero sem Rosto; Desafio na Velha Missão; Chupa-cabras!
Manfredi, Burattini, Rauch e Ruju (argumento)
Biglia, Rubini, Bocci e Tisselli (desenho)
Stefano Biglia (capa)
Levoir/Público
Lançamento: 12 de Abril de 2018
190 x 260 mm, 136 p., cor, capa dura
10,90 €


UM OUTRO TEX

A comemorar 70 anos de publicação ininterrupta este ano, Tex, ao longo deste tempo, evoluiu de forma moderada e serena. Nos últimos anos, no entanto, surgiu ‘um outro Tex’, aquele para que este volume abre a porta.

Duro, inflexível, justiceiro, implacável, são alguns dos adjectivos que o ranger assumiu como imagem de marca ao longo dos muitos anos que leva em páginas desenhadas. Escrito durante décadas apenas pelos Bonelli, pai e filho, aberto depois, progressivamente, a outros argumentistas, foi – é – controlado de perto pelos editores, para garantir sempre aos leitores o ‘seu’ imutável herói.

Depois dos Texone, os Tex Gigante com histórias escritas à medida dos desenhadores convidados, em tempos recentes, a exploração da cor, das histórias curtas, do formato álbum franco-belga, sem o descaracterizar (completamente), possibilitou que as abordagens se tornassem (mais) livres e originais. Para o bem e para o mal (de Tex).

A Lenda de Tex, volume inaugural da colecção que a Levoir e o Público dedicam durante dez semanas às personagens Bonelli, compila quatro dessas histórias recentes, curtas de ‘apenas’ 32 páginas – algo invulgar num percurso onde as narrativas contam geralmente uma a três centenas de pranchas.

Em O Último da Lista, surge um invulgar Tex, quase no papel de detective, numa pequena localidade perdida, à procura de um antigo assaltante, entretanto redimido, para o proteger de uma vingança, numa história em que o lado humano caminha lado a lado com a sua faceta justiceira e a aplicação do dito ‘atira primeiro, pergunta depois’.

Quanto à segunda narrativa, O Mescalero sem Rosto, é quase um remake, condensado, de uma das mais apreciadas histórias de Tex, El Muerto, e centra-se num homem que deixa um rasto de sangue no seu caminho para atrair Tex, em nome de uma vingança.

Desafio na Velha Missão apresenta-se como a mais original das quatro, embora dificilmente o futuro de Tex possa passar por aqui. A diferença começa no desenho a um tempo realista e de base fotográfica e contraditoriamente impressionista, servido por uma paleta de cores nada habitual em Tex, em que predominam os ocres e os tijolos.

E acaba na verdadeira protagonista deste conto, Patricia Graves, mulher de um militar de alta patente e raptada por um comanche; vítima do síndroma de Estocolmo ou mulher nascida antes do seu tempo, terá uma surpreendente palavra a dizer quando o destino lhe proporcionar a oportunidade de escolher.

Finalmente, em Chupa-cabras!, o México é o cenário para uma história de tom fantástico mas também trágico, em que Tex e Tigre ajudam um cientista que procura os seres lendários que sugam o sangue de animais e humanos. Uma componente fantástica, geralmente afastada das histórias do ranger mas longe de ser caso único em 70 anos de tiros e cavalgadas.

Graficamente, este tipo de histórias recentes teve uma vantagem, dotar Tex de um colorido próprio e personalizado, cada vez mais distante do colorido mecanizado que a Bonelli exibiu durante anos e que utilizou para recolorir a série normal de histórias do ranger.

Ranger que, apesar de saltar de traço em traço consoante o desenhador que se ocupa dele na altura, e de tema em tema de acordo com quem o escreve, tem um padrão e características que o tornam imediatamente reconhecível, mesmo quando é dada maior liberdade aos criadores do momento.

Apesar de díspares, estas quatro histórias são (mais) quatro contributos para a lenda de um herói de papel e, pela sua diversidade gráfica, narrativa e, apesar de tudo, temática, um bom cartão de apresentação para quem ainda não conhece Willer. Tex Willer.

Uma palavra ainda, para a belíssima aguarela de Stefano Biglia, criada especialmente para servir de capa a esta edição portuguesa, o que a valoriza e a torna (mais) apetecível para os muitos apreciadores de Tex espalhados pelo mundo.

*Texto de Pedro Cleto (na foto), publicado originalmente no seu blogue As Leituras do Pedro e reproduzido com a devida vénia, assim como as imagens deste post, do Tex Willer Blog.

Para ver as imagens em toda a sua extensão (especialmente as páginas de BD), clicar duas vezes sobre as mesmas.