MESTRES DO CONTO “WESTERN”: F. R. BUCKLEY

“O ENGANO DE WILL ARBLASTER” (por F. R. Buckley)

mosquito-887Frederick Robert Buckley, ou F. R. Buckley (1896-1976), é o nome de um escritor americano (mas natural de Inglaterra) que nada dirá à maioria dos visitantes deste blogue, embora não seja totalmente desco- nhecido dos leitores d’O Mosquito, pois foi autor de um conto de Natal traduzido por Raul Correia, no nº 887, de 24/12/1947 (com outra bela capa de E. T. Coelho).

É curioso, e talvez até um pouco insólito, associar o espírito natalício a uma história de cowboys, no sentido mais verídico e realista do tema, mas não foi caso único, pois outro escritor americano mais famoso, com o pseudónimo de O. Henry, fê-lo frequente- mente, recorrendo ao mesmo assunto quando a inspiração assim o ditava.

the-saturday-evening-post-christmas-aparadoNo caso de F. R. Buckley, o seu conto — que recuperámos das páginas d’O Mosquito, a pretexto da recente quadra natalícia e como homenagem a dois nomes que tiveram grande destaque naquela mítica revista, os de Raul Correia e Eduardo Teixeira Coelho — possui ainda a curiosidade de ter sido apresentado centena e meia de números antes da estreia da rubrica Antologia de Contos de Acção, onde foram publicadas muitas histórias do género, algumas de reputados novelistas, na sua maioria norte-americanos (como Jack London, Ernest Haycox, Johnston Mac Culley, James Warner Bellah, C. E. Mulford, Max Brand e o próprio O. Henry), que Raul Correia traduziu com o seu habitual primor literário.

Noventa por cento desses contos eram oriundos (como já tivemos ocasião de referir num post anterior) de um popular magazine americano, The Saturday Evening Post, a que Raul Correia devia ter fácil acesso devido à sua ligação, como gerente comercial, ao Hotel Avenida Palace, frequentado por muitos estrangeiros. Daí também o seu conhecimento de vários idiomas, entre eles o inglês, que falava e escrevia correctamente.

argosy-f-rDe qualquer modo, mesmo que a origem das suas “fontes” fosse outra, o que importa frisar é a grande quantidade e variedade de contos de aventuras que seleccionou e traduziu para essa rubrica — iniciada, ainda sem título, no nº 1032 —, e que já anteriormente tinham começado a aparecer n’O Mosquito, embora de forma esporá- dica, para preencher decerto uma lacuna quando o principal novelista de “serviço”, Orlando Marques, estava ausente, como foi o caso de “O Engano de Will Arblaster”, da autoria de F. R. Buckley.

Refira-se, a título de curiosidade, que este novelista era um apaixonado pelos temas do velho Oeste, mas também abordou com frequência outros géneros literários, como o swashbuckling (aventuras históricas e de capa e espada), em revistas de larga tiragem como Argosy e Adventure, dois célebres pulp magazines que se publicaram, sobretudo o primeiro, durante muitas décadas. A preferência por esses temas devia-se, sem dúvida, ao seu currículo como argumentista e assistente de realização, nos tempos heróicos do cinema mudo.

adventure-4E. T. Coelho fez duas ilustrações para este conto, com um traço mais espesso e sombrio do que era habitual e que nos traz à memória os seus primeiros trabalhos, num vigoroso e aliciante preto e branco, para revistas tão emblemáticas como O Senhor DoutorEngenhocas e O Mosquito. Só um pouco mais tarde, fruto de uma rápida e magistral evolução, daria preferência ao uso do aparo e às linhas de contornos suaves e de textura luminosa, cujo contraste com a técnica do pincel era flagrante.

Aqui fica, pois, reproduzido directamente de um número especial d’O Mosquito, alusivo ao Natal de 1947, o emotivo conto de F. R. Buckley (cujo título original desconhecemos), que revive com mestria o cenário turbulento do Oeste americano, num tempo em que os jovens pistoleiros sem escrúpulos como Will Arblaster não ligavam muita importância ao espírito e aos festejos natalícios. Até conhecerem uma nova realidade, num final digno de O. Henry.

(Para visionar melhor estas páginas, basta clicar sobre elas duas vezes, ampliando-as ao máximo. Boa leitura e até à próxima…)
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MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (5)

A NOITE DO ANO NOVO  (4ª e última parte)

Como prometido, aqui têm a conclusão do conto de Johnston McCulley publicado em 1949 n’O Mosquito nºs 1051 a 1054, com tradução de Raul Correia e um sugestivo cabeçalho desenhado por E. T. Coelho. Como muitos outros que figuraram na rubrica “Antologia de Contos de Acção”, este conto era oriundo da célebre revista americana The Saturday Evening Post, à qual já fizemos referência num artigo anterior.

Resumo: O Ranger Pat Malloy chega a Copper City, nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, à meia-noite, devido à presença de dois bandos rivais. Um deles é chefiado pelo desordeiro Bart French, que planeia vingar-se de Malloy (por este o ter prendido, em tempos) e de Ed Catlin, gerente da Companhia Mineira.

À meia-noite em ponto, estalam as primeiras salvas de tiros, celebrando a passagem do ano, mas Bart aproveita a oportunidade para alvejar traiçoeiramente Ed Catlin. Forçado a intervir, Malloy derruba French com uma coronhada, enquanto os seus cúmplices se refugiam no saloon onde tinham passado a noite a beber.

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IV

Uma bala arrancou o chapéu da cabeça do Ranger, mas o tiroteio esmorecia rapidamente. Sentia-se prestes a explodir o perigo que Pat Malloy mais receava… e que era uma luta entre os minei­ros e os brush-poppers. Uma voz rouca praguejou e um grito encheu a rua:

— Atirem nos brush-poppers! Mataram o Catlin! Fogo neles!…

Malloy encaminhou-se para a porta aberta do saloon de Pedro Lopez e olhou para dentro. Os brush-poppers estavam ali quase todos reunidos, falando em tumulto e carregando as armas. Bart French tinha sido encostado à parede e um homem dava-lhe a beber uns goles de whisky. Bart rouquejava ordens.

De repente, estalou uma detonação e Malloy sentiu uma pancada no braço esquerdo. Voltando-se no mesmo instante, disparou sobre um homem que tentava esconder-se com o ângulo do barracão. Os mineiros, do outro lado da rua, tinham-se jun­tado em grande número à porta do armazém. Um deles gritou:

— Aí vamos, Ranger!

— Fiquem onde estão, rapazes! Vigiem Catlin! Ele está vivo?

— O médico diz que sim!

— Deixem o resto comigo!

Pat tinha falado sem se voltar, mantendo sob a ameaça das armas os homens que estavam dentro do saloon. Começava a sentir o sangue escorrer-lhe sob a manga, ao longo do braço esquerdo, mas a mão que segurava o colt não tremia. E foi em voz tranquila que ordenou:

— Saiam daqui, todos vocês! Bart French fica! Eu vi-o disparar sobre Ed Catlin! Comecem a sair já… ou eu começo a disparar!

Os brush-poppers olhavam-no com espanto. French levantou-se com dificuldade.

— Ouviram? Saiam todos!

Junto do balcão, um homem fez fogo. Os revólveres do Ranger trovejaram e o homem caiu. O chapéu de um outro foi levado por uma bala no momento em que ele se preparava para atirar. Então, empurrando-se e disparando ao acaso, os brush-poppers precipitaram-se para a porta do saloon.

Malloy sentiu uma espécie de chicotada na perna direita e compreendeu que tinha sido ferido outra vez. De novo os dois colts dispararam. Um dos companheiros de French ficou estendido, enquanto o resto do grupo se lançava para a rua. Através da fumarada, Pat Malloy ouviu os brados de raiva dos mineiros. Estalou um inferno de tiros… mas os brush- -poppers fugiam. Pat ouviu o tropel dos cavalos…

Foi então que sentiu a perna ferida ceder sob ele. Escorregou ao longo da parede e sentou-se no chão, em frente de Bart French. Estavam sós. Os dois homens olharam-se durante uma fracção de segundo e ambos ergueram as armas e dispararam, quase ao mesmo tempo. A bala de French cravou-se na parede, a dois ou três centímetros da cabeça de Pat. Mas a bala do Ranger tinha atravessado o pulso do adversário e French deixou cair o colt e tombou para diante, desmaiado.

Quando Lopez e um grupo de mineiros entraram no saloon, Malloy bradou:

— Não toquem em French! Isto está arrumado! Que se passou lá fora?

— Os brush-poppers fugiram, mas deixaram três deles estendidos na rua! O médico diz que o Catlin escapa desta! Você está ferido, Ranger?

— Num braço e numa perna, mas não é coisa de importância! Quando o médico estiver disponível, peçam-lhe para vir cá! O French tem de ser tratado… porque a cadeia está à espera dele!

Alguns dos mineiros voltaram a sair. Pedro Lopez foi encher um copo de whisky e aproximou-se de Malloy, que bebeu um trago. Jim Wheeler entrou nessa altura.

— Isto não é nada! — disse Pat. — O médico trata de mim num instante! Vou ter uns dias de descanso, Mr. Wheeler, e gostava de passá-los perto de Lola! Podia arranjar-me um colchão no seu armazém? Se me estender um bocado… amanhã já poderei jantar consigo e com Lola para festejar o Ano Novo!

Jim Wheeler perguntou: — E French?

— Vou nomear Lopez e um ou dois homens mais, como meus ajudantes! Eles tratarão de levar o Bart para a cadeia e vigiá-lo-ão até que venha o sheriff! Telegrafe-lhe, Mr. Wheeler, e conte o que se passou! E essa gente aí na rua?

 — Nenhum morto! Estão feridos e ficam na cadeia também até vir o sheriff! Vou telegrafar!

Pat Malloy encostou a cabeça para trás e come­çou a enrolar lentamente um cigarro. O caso estava arrumado. E, através das espirais de fumo do ci­garro, o Ranger começou a pensar que Wheeler tinha razão: aquela vida não era certamente a que mais convinha a um homem que queria casar!

— Pat!

— Lola! Nada de apoquentações, querida! Isto não tem importância! Estava aqui a pensar que vou realmente pedir a demissão e…

— Oh, Pat! Estou tão contente!

Pedro Lopez, que olhava melancolicamente as dezenas de garrafas que juncavam o saloon, olhou para eles e sorriu…

FIM

MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (4)

A NOITE DO ANO NOVO (3ª parte)

cowboy-lasso-saturday-evening-postEmbora já tivessem aparecido n’O Mosquito com regularidade, a partir do nº 1032, outros contos traduzidos por Raul Correia, a epígrafe Antologia de Contos de Acção surgiu pela primeira vez no nº 1100, com um conto de Max Brand intitulado “Deserto”, publi- cando-se  interruptamente até ao nº 1320. Quase seis meses depois, reapareceu no nº 1373, primeiro de uma nova fase (que seria também a última), mas a sua publicação foi descontínua até ao nº 1408.

Muitos desses contos, com predominância dos géneros western e policial, eram oriundos do célebre magazine americano The Saturday Evening Post (cujas capas, assinadas por artistas como Norman Rockwell, N. C. Wyeth e outros, marcaram uma época), e com eles Raul Correia pretendeu chamar a atenção dos leitores para temáticas mais amadurecidas e para um trepidante estilo narrativo completamente novo, preenchendo assim a vaga deixada por alguns antigos colaboradores literários d’O Mosquito, como Orlando Marques e Lúcio Cardador.

Nos anos 50 e 60, com o ressurgimento da literatura policial e do western, vários contos publicados nessa rubrica, incluindo “A Noite do Ano Novo”, de Johnston McCulley (cuja terceira parte seguidamente apresentamos), foram reeditados em Antologias organizadas por Roussado Pinto, nomeadamente em dois volumes com o título 18 Grandes Histórias de “Western” e Best-Sellers” do Conto “Western”, e no Edgar Caygill Magazine, cujas capas, dada a raridade desses volumes, oferecemos também ao olhar curioso dos nossos leitores.Bestsellers do conto western1 e 2

E. Caygill+18-w

A noite do Ano novo - 3

III

Resumo: O Ranger Pat Malloy chega a Copper City nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, à meia-noite, devido à presença de dois bandos rivais, um deles chefiado pelo desordeiro Bart French, que planeia vingar-se de Malloy e de Ed Catlin, o gerente da Companhia Mineira. Nos “saloons” a balbúrdia ainda não começou, mas já se sente a tensão na atmosfera…

ERA quase meia-noite e as possíveis complicações não tardariam a começar… se não houvesse meio de evitá-las. Malloy deixou-se ficar numa esquina sombria, até que viu Ed Catlin aparecer ao fim da rua e dirigir-se para o primeiro saloon. O Ranger seguiu-o, conservando-se a distância.

Catlin entrou, aproximou-se do balcão corrido e fez um sinal ao dono da casa.

— Sirva de beber a toda a gente, amigo! A Companhia Mineira paga a despesa!

Os mineiros empurraram-se uns aos outros na direcção do balcão, rindo e soltando exclamações de alegria. Os brush-poppers ficaram afastados.

— Nós pagamos as nossas bebidas! — disse um deles.

Catlin não respondeu. Bebeu um gole de whisky e encaminhou-se tranquilamente para a porta, passando a poucos metros de Malloy.

No segundo saloon, a cena repetiu-se, quase igual. Quando Catlin saía, o Ranger foi ao seu encontro.

— Por que não fica por aqui, Ed?

— Estou a cumprir as ordens da Companhia, Pat! Agora vou ao saloon de Pedro Lopez… e logo se vê o que acontece!

— Bem, visto que assim o quer… Mas depois vá para o armazém e fique ao lado de Tom Dell! É mais seguro!…

Catlin acenou afirmativamente e atravessou a rua. Pat Malloy deu a volta pela ruela estreita e foi postar-se junto da porta da retaguarda do saloon. Viu Ed Catlin aproximar-se do balcão e fazer um sinal a Lopez. Este respondeu com um gesto que queria dizer que tinha entendido, e dirigiu-se para o meio da casa.

— Como de costume, meus senhores, a Compa­nhia Mineira convida toda a gente para beber e deseja-lhes um feliz Ano Novo!…

Um coro de aclamações acolheu o convite e os mineiros adiantaram-se para o balcão. A um gesto de Bart French, os brush-poppers ficaram onde estavam.

— Não precisamos do whisky da Compa­nhia! — rouquejou French.

Sem responder, Catlin levantou o copo e saudou os mineiros. Depois, muito calmo, enrolou um ci­garro e acendeu-o. Teve um meio sorriso na direc­ção de French, um meio sorriso em que havia uma espécie de desdenhosa piedade. E encaminhou-se para a porta.

Correndo ao longo da ruela, Malloy deu a volta ao barracão e atravessou de novo a rua em direcção ao armazém. Além de Catlin e de Tom Dell, só lá se encontravam dois empregados e velhos habitantes de Copper-City. O Ranger parou no limiar e disse em voz baixa:

— Peço-lhe que não saia por enquanto, Catlin! Eu volto já!

Evitando os pontos frouxamente iluminados através das portas e janelas dos saloons, voltou a atravessar a rua e parou à esquina do barracão de Pedro Lopez. Do lado de dentro, junto à porta, French falava com um dos seus homens.

— Ele está no armazém, com o Dell! — disse uma voz.

De súbito, a rua encheu-se de gente e o vulto maciço de Pedro Lopez apareceu à porta do sa­loon, de relógio em punho. Malloy viu-o levantar um braço e olhar atentamente para o relógio. Fez-se um silêncio quase completo. E bruscamente Lopez gritou:

— Meia-noite!

Um barulho ensurdecedor, feito de brados e de bater de pés, precedeu de pouco o detonar de cen­tenas de armas. Na sombra, Pat Malloy tentava observar tudo ao mesmo tempo. Podia ver, à porta do armazém, os vultos que se recortavam na luz que vinha de dentro. Dell baixou-se de repente e o Ranger teve a impressão de que ele devia ter sentido uma bala assobiar-lhe aos ouvidos.

Foi nesse momento que Bart French apareceu à porta do saloon, de revólver em punho, dispa­rando para o ar. Pat Malloy avançou um passo, mas não podia intervir sem que Bart lhe desse motivo. E o motivo surgiu. Voltando-se rapidamente, Bart baixou o cano da arma e disparou mais uma vez. O Ranger viu o vulto de Catlin oscilar e cair…

Empunhando o revólver, Pat lançou-se para a frente. French fez fogo sobre ele, mas a bala perdeu-se. Um grupo de brush-poppers quis interpôr-se, mas o Ranger disparou e os homens recua­ram, enquanto um deles lançava um brado agudo. Rápido, arrancou a arma da mão de French e abateu-o com uma coronhada. Uma dezena de balas veio cravar-se na parede do barracão. Pat disparou até despejar as suas armas e a de French. Então, curvando-se, pulou para a sombra e voltou a carregar os colts. Os brush-poppers atrope- lavam-se uns aos outros, procurando-o. O Ranger olhou em volta: French já não estava caído à porta do saloon… o que significava que a sua gente o tinha levado para dentro.

Dell e um dos empregados transportavam também Catlin para o interior do armazém, do outro lado da rua. Alguém correu, gritando que ia buscar o médico. Os mineiros agrupavam-se e uma voz bradou:

— Foram os brush-poppers! Mataram Ed Catlin!

                                                                                                                                       (Continua)

MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (3)

A NOITE DO ANO NOVO (2ª parte)

Mark of Zorro - Douglas FairbanksApresentamos mais um capítulo do conto “A Noite do Ano Novo”, escrito por Johnston McCulley autor da célebre novela “O Sinal do Zorro”, que o cinema adaptou, pela primeira vez, em 1920, definindo, desde então, o aspecto icónico do personagem — e publicado n’O Mosquito entre os nºs 1051 e 1054 (1949), com tradução de Raul Correia.

Resumo: o Ranger Pat Malloy chega a Copper City nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e logo é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, devido à presença de dois bandos rivais, um deles chefiado pelo desordeiro Bart French… que tem velhas contas a ajustar com Malloy.a-noite-do-ano-novo-4

II

DEPOIS da ceia, Malloy saiu. O luar iluminava a cidade. Do saloon de Lopez vinha uma algazarra de vozes enrouquecidas. Pat parou à porta, na sombra. E reconheceu, nos vultos que passavam em frente da luz amarelada e obscurecida pelo fumo, as caras de vários brush-poppers que entravam e saíam.

Malloy entrou nos armazéns da Companhia Mi­neira. Tom Dell, o chefe dos armazéns, ajudado por um dos empregados, atendia alguns clientes, poucos. Quando o Ranger entrou, alguns dos homens pareceram sentir-se subitamente pouco à vontade e saíram.

— Esta noite deve haver sarilho!… — sussurrou Dell ao ouvido do Ranger, quando ficaram sós. — O Bart French está na cidade, e com ele uma quan­tidade de brush-poppers! French tem andado para aí a ameaçar o Ed Catlin… diz que ele pensa que a Companhia é dona da terra! E também ameaçou um tal Ranger… que é você!

— Bem sei… — respondeu Pat, tranquilamente. — E a respeito de Pedro Lopez?

— Lopez e os outros donos de saloons estão do lado da Lei! Não querem complicações!

Malloy saiu do armazém e encaminhou-se ao longo da rua escura, de olhos e ouvidos atentos. Foi assim que surpreendeu uma conversa entre dois brush-poppers.

— O Bart tem tudo bem preparado! Com as salvas do Ano Novo… pode acontecer um acidente ao Ed Catlin! Nenhum risco… e o Ranger também pode apanhar por engano! Entendes? É a melhor oportunidade!

Pat seguiu o seu caminho, reflectindo sobre o que ouvira. Ed Catlin, o gerente da Companhia Mineira, vivia fora da cidade, numa casa pequena. Era solteiro e uma squaw índia constituía todo o seu pessoal doméstico. O Ranger dirigiu-se para lá.

Catlin, que tinha acabado de cear, recebeu o Ranger com satisfação. Foi buscar uma garrafa de whisky e dois copos, e acenderam-se cigarros.

— Ouvi dizer que preparam sarilhos para esta noite! — disse Catlin, em voz calma.

— Também ouvi isso! — respondeu Malloy. Con­tou o que tinha sabido e concluiu:

— Parece-me que o melhor é você ficar por aqui esta noite! Cerca da meia-noite, eu volto cá e bebe-se mais um whisky

— Nada feito, amigo! É costume da Companhia pagar um copo a toda a gente na cidade que queira beber! Sempre fiz isso, Pat, e não é hoje que vou mudar de hábitos!

— Compreendo o que quer dizer, Ed! Mas, por esta vez…

Catlin abanou a cabeça… — Pensariam que eu sou um cobarde, Pat! E isso seria mau para mim e para a Companhia!

— Mas, visto que há perigo…

— E você, Pat? Vai-se esconder?

Malloy sorriu… — Claro que não! Mas o meu dever de Ranger

— Eu também tenho o meu dever a cumprir, amigo! Estou aqui a representar a Companhia! Você quer que pensem que eu não sou digno do lugar que ocupo?

— Não, Catlin! Mas…

— Então, não se fala mais nisso! Vou fazer o que sempre fiz nos outros anos, e o que for… será!…

Pat levantou-se para sair.

— Então leve um revólver, amigo! E quando o tiroteio começar… fique alerta e não se mostre mais do que o que for preciso! Eu vou andando!

Malloy voltou à cidade e entrou no primeiro saloon. Falou ao dono da casa, conversou com vários conhecidos e observou a assistência. Muitos dos homens que ali se encontravam eram brush-poppers. Pareciam nervosos, como quem espera alguma coisa que sabe que acontecerá… alguma coisa grave ou perigosa. O Ranger saiu e encami­nhou-se ao longo da rua. No segundo saloon havia também brush-poppers, mas um grupo de mineiros estava encostado ao balcão. Mais umas doses de álcool… e os dois bandos estariam pron­tos a lançar-se um sobre o outro…

Pat Malloy dirigiu-se para o saloon de Pedro Lopez, caminhando entre dois barracões que esta­vam separados por uma estreita ruela. Dando a volta, espreitou pela janela das traseiras do saloon. A casa estava cheia. Mineiros e brush-poppers olhavam-se com desconfiança e ódio, mas tudo parecia ainda relativamente calmo. Bart French estava encostado ao balcão. O Ranger entrou.

French era um homem alto e forte. Era visível que tinha já bebido considerável quantidade de álcool. Quando o Ranger abriu caminho até ao balcão, um silêncio pesado foi pouco a pouco substituindo o rumor das conversas. French olhou para o espelho, avistou Malloy e voltou-se lenta­mente, com um copo de whisky na mão.

— Hello, French!

— Hello, Ranger!

— French, você deve estar lembrado de um caso que se passou aqui, há uns dois anos…

— Não me esqueci, não! Dessa vez estive preso… por sua causa! Não me esqueci disso!

— Contava que não se esquecesse! Você não é daqueles que suportam a cadeia! Foi pouco tempo… mas pense no que será estar preso… durante muitos anos!

— Que conversa é essa? Nós estamos aqui para festejar o Ano Novo!

— Com certeza, Bart! Vamos todos festejar o Ano Novo… mas é preciso que a festa seja tranquila e decente! Não esqueça que, depois do caso de há dois anos, a Companhia pagou as despesas de construção de uma cadeia sólida… e que eu tenho as chaves! Cuide de si, Bart!

Bart French respirou fundo, com os olhos a chamejar. Via-se que fazia um esforço para se dominar. Malloy fitou-o calmamente, voltou-lhe as costas e saiu do saloon, no seu passo tranquilo.

 (Continua)

O INESQUECÍVEL “ZORRO” DE FERNANDO BENTO

zorro-bento capa DIABRETEEmbora não nos conste ter havido, até hoje, uma  edição  portuguesa  em  livro de “O Sinal do Zorro”, a obra mundialmente famosa de Johnston McCulley (adaptada várias vezes ao cinema e à BD), lembramos, a título de curiosidade, que o Diabrete, em 1949, ofereceu aos seus leitores, a partir do nº 597, uma  versão desse romance dividida em quarenta e três capítulos recheados de magníficas ilustrações de Fernando Bento, tão fieis à imagem do mítico personagem que se gravaram indelevelmente na memória de muitos leitores do saudoso “grande camaradão” da juventude portuguesa.

Uma nova adaptação da mesma novela surgiu (bastante a propósito) na revista Zorro, durante o ano de 1964, desta vez com ilustrações a lavis de outro mestre da BD portuguesa: José Garcês, que curiosamente regressou ao western — um tema pouco frequente entre os seus múltiplos trabalhos — com duas histórias aos quadradinhos estreadas nas páginas do Zorro.

O nosso blogue — que já vos apresentou o carismático personagem de Johnston McCulley — tem o prazer de divulgar também algumas das magníficas imagens de Fernando Bento oriundas do Diabrete, com um Zorro que se distingue pela elegância e leveza de movimentos, sublinhadas pelo traço dinâmico do artista, pelo porte romântico e audacioso, pela aura de mistério e de fascínio (e até de temor sobrenatural) que o envolve, quando se veste de negro e usa um largo capuz para encobrir a sua identidade — e pelo cunho verídico (no sentido de fidelidade ao ambiente e aos elementos originais) que o talentoso mestre imprimia a todas as suas criações inspiradas em figuras literárias.zorro-bento-1

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MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (2)

A NOITE DO ANO NOVO (1ª parte)

Com o título “Antologia de Contos de Acção”, foi publicada n’O Mosquito, a partir do nº 1100, uma excelente rubrica de contos traduzidos e adaptados, na sua maioria, por Raul Correia. O êxito dessa antologia foi tal que se prolongou praticamente até ao final da revista, tendo surgido ainda no nº 1408, a poucas semanas do seu brusco, mas já previsível desaparecimento, no nº 1412, de 24 de Fevereiro de 1953.

McCulley e Guy WilliamsEm homenagem a Raul Correia (tradutor) e aos grandes novelistas do western, passaremos a inserir no nosso blogue uma rubrica semelhante, onde apresentaremos alguns dos autores estrangeiros que desfilaram nessas páginas. Muitos contos d’O Mosquito foram ilustrados, a partir de 1942, pelo melhor artista da “casa” (referimo-nos, claro, a Eduardo Teixeira Coelho), mas na série presente, à base de contos traduzidos do inglês, a sua participação artística foi mais ligeira… como adiante veremos.

Abrimos esta rubrica com um original de Johnston McCulley, novelista americano que se celebrizou por ter criado a figura de um exótico justiceiro mascarado em “O Sinal do Zorro” (The Mark of Zorro), obra que correu mundo e foi várias vezes adaptada ao cinema, à televisão e à BD (ver aquipost anterior). Este conto, com um cabeçalho desenhado por E. T. Coelho, começou no nº 1051 d’O Mosquito, terminando no nº 1054, de 30 de Julho de 1949. Como é demasiado longo para o publicarmos de uma só vez, decidimos seguir o mesmo esquema, dividindo-o também em quatro partes.

Fazemos votos para que todos apreciem o vibrante estilo de narrador de Johnston McCulley, que Raul Correia soube manter e até valorizar na sua tradução.A noite do Ano novo- 1

I

QUANDO alcançou o ponto onde a trilha seguia ao lado dos rails do caminho de ferro, quase tão lisa e fácil como se fosse uma estrada, Patrick Malloy ajeitou-se mais confor­tavelmente na sela e deixou ir o cavalo à vontade, na direcção do poente.

Desde a madrugada que ele vinha a caminho, com pequenas paragens para deixar respirar a mon­tada. Mais de metade da trilha que levava a Copper Citty — que era também conhecida por «O Inferno da Fronteira » — era tão rude que exigia uma forte mão de rédea, além de uns rins sólidos e pouco sensíveis. O último dia do ano, naquela latitude, ao longo da fronteira, era quente e pesado. Malloy limpou o suor da cara com o seu lenço de seda. Enrolou um cigarro e acendeu-o. Semicerrando os olhos, ele podia ver o brilho dos rails sob a luz do poente e as filas de postes que ladeavam a linha. O caminho-de-ferro havia sido construído para servir a região de Copper City, que a descoberta de minas de cobre enriquecera súbita e perigosamente. Tão perigosamente que, em comparação com Copper City, as outras cidades da fronteira e os outros centros mineiros poderiam passar por jardins de infância. A maior parte dos trabalhadores das minas era composta por gente de raças diferentes… que parecia considerar impossível qualquer espécie de acordo ou entendimento pacífico. Muitos eram fugitivos — criminosos que passavam de um para outro lado da fronteira conforme eram mais activamente procurados pela justiça de um lado ou do outro.

Pat Malloy pertencia aos Rangers e o seu inte­resse profissional por Copper Ciry vinha do facto de ali ter sido enviado várias vezes, para impedir distúrbios ou evitar destruições de propriedades. O seu interesse pessoal pelo «Inferno da Fronteira» era consequência da sua primeira visita à estranha ci­dade… desde que encontrara pela primeira vez Lola Wheeler, a filha de Jim Wheeler, que era o chefe da estação do caminho de ferro.

Pat e Lola viam-se uma vez por mês, quando a rotina das patrulhas levava o Ranger para aqueles lados. Mas, às vezes, como no último Natal, as exigências do serviço levavam Pat para longe. Tinha prometido que estaria em Copper City na noite de Ano Novo… e ia a caminho. Jim Wheeler havia declarado abertamente que não consentiria no casamento enquanto Pat pertencesse aos Rangers.

— Não quero que a minha filha fique viúva ao fim de uma semana de casada… ou ainda menos!… — tinha ele dito. E assim Pat decidira demitir-se e estabelecer-se. Ed Catlin, o gerente da Companhia Mineira, tinha um lugar reservado para ele.

Seria uma noite de Ano Novo um tanto espe­cial. Pat não o ignorava. Os saloons estariam abertos toda a noite. Segundo o costume, a meia-noite seria saudada com uma formidável salva de tiros de revólver — Pedro Lopez, o dono do maior saloon, daria o sinal para isso — e muitos homens excitados pela bebida teriam os seus colts nos cin­turões. Pat ia pensando que seria bom que não tivesse de intervir em nada… mas considerava essa hipótese bem pouco provável…

A porta abriu-se no momento em que Pat des­montava e Lola veio a correr de dentro de casa.

— Oh, Pat! Estou tão contente por teres podido vir!

— Tenho pena de não ter cá estado na noite de Natal, querida!

— De qualquer modo… estás cá hoje e eu estou bem contente!

Lola apertou com ternura o braço do noivo.

— Preparei uma ceia catita para esta noite!

Entraram pela porta que dava directamente para a cozinha e, enquanto bebia uma chávena de café quente, Pat notou que Lola parecia preocupada. Jim Wheeler, espreitando pela porta que comuni­cava com o seu pequeno escritório, acenou amigavel­mente para o Ranger.

— Posso guardar o meu cavalo no seu alpendre, Mr. Wheeler?

— Eu vou consigo! — respondeu o pai de Lola. — Minha filha, presta atenção ao telégrafo! A porta fica aberta!

Seguiram ao lado um do outro até ao alpendre, falando disto e daquilo. Bruscamente, Pat voltou-se para o companheiro:

— O que é que o preocupa, Mr. Wheeler?

A face de Jim Wheeler tomou uma expressão de aborrecimento.

— Temos sempre preocupações, amigo! Bart French tem andado por aí!…

— Fez alguma das dele?

— Tem dado à língua… e ele é um inventor de complicações! Foi por isso que Ed Catlin o pôs na rua! Diz-se que se juntou a um bando de contra­bandistas!

— Tenho de ver isso!

— E anda para aí a ameaçar o Catlin! Diz que tem gente para o ajudar, se for preciso!

— Essa gente da fronteira anda por aí? Falo dos brush-poppers

— Desde ontem à noite que começaram a entrar na cidade! Devem vir corridos do outro lado! Talvez seja só para passar a noite de Ano Novo!

— Bem… — disse Malloy — Tenho de dar uma volta pelos saloons, para ver!

— Mas há mais, Pat! Quando Bart começou a resmungar ameaças contra Catlin, houve alguém que lhe disse que você estaria na cidade hoje… E Bart afirmou que isso o alegrava muito, porque tinha contas a ajustar! Você fez com que ele fosse preso, há dois anos!…

— Bom, então é um caso pessoal! Hei-de falar com Bart French!

— Cuidado, Pat! Os mineiros e os brush-poppers não se podem ver! Deve haver sarilho… e podem armar-lhe alguma emboscada!

— Um Ranger tem de estar preparado para tudo, amigo! Obrigado!

(continua)

MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MCCULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO”

Johnston McCulley McCulley e Guy Williams(1883-1958), o criador da mítica figura do Zorro, um dos primeiros vingadores mascarados, teve uma prolífica e brilhante carreira como argumentista de cinema e autor de séries para os pulp magazines, pois, além do seu principal personagem, criou figuras que granjearam também grande popularidade na época, como Black Star, The Spider, The Green Ghost e The Crimson Clown — percursoras de alguns dos super-heróis com nomes bizarros e identidades secretas nascidos nas décadas seguintes —, satisfazendo a sede de emoções de um vasto público viciado na leitura de revistas de crime, mistério e aventura como o Detective Story Magazine.

Curse of CapristanoZorro nasceu em Agosto de 1919, nas páginas de outro título famoso na história dos pulps (magazines de índole popular, dedicados aos mais diversos géneros, que utilizavam a polpa de papel para reduzir os custos de impressão): o All-Story Weekly, sete anos depois desta mesma revista (então ainda mensal) ter publicado a primeira aventura de Tarzan, escrita por um tal Edgar Rice Burroughs. A história de McCulley intitulava-se The Curse of Capistrano e tinha como cenário o sul da Califórnia, no tempo em que essa região, colonizada desde o século XV pelos espanhóis, ainda não passara para o domínio do México.

Foi tal o aplauso dos leitores que, no ano seguinte, surgiu a primeira adaptação cinematográfica — cujo único defeito era não ter som —, com o nome do protaMark of Zorro - Douglas Fairbanksgonista bem estampado no título: The Mark of Zorro, e um lendário actor e espadachim de Hollywood, Douglas Fairbanks, no papel de Don Diego Vega (a identidade secreta do Zorro), ao lado de Noah Beery, no do antipático e fanfarrão sargento Gonzalez.

O êxito do filme, que contribuiu para o lançamento de um novo género, conhecido como swashbuckler (aventuras de capa e espada), deu origem a um livro com o mesmo título cinéfilo, The Mark of Zorro (O Sinal do Zorro), em que McCulley desenvolveu consideravelmente o primitivo enredo. Em 1940, surgiu outra memorável versão dos estúdios de Hollywood, com três famosas “estrelas” desses longínquos tempos: Tyrone PowerLinda Darnell Basil Rathbone. Vi-a muitos anos depois, em reposição, no cinema do meu bairro, o saudoso Royal Cine (que se transformou, por capricho do destino, em supermercado), entre os aplausos e o trepidante entusiasmo de uma plateia maioritariamente juvenil.

Mas já, em 1937 e 1939, Zorro chegara de novo ao ecrã em dois trepidantes serials (filmes em episódios) da Republic Pictures, com os títulos Zorro Rides Again e Zorro’s Fighting Legion, ambos realizados por John English e William Witney e interpretados respectivamente, no papel do vingador mascarado, Mark of Zorro - 1940 - a 150jpgpor John Carroll e Reed Hadley. A Republic, pequena companhia especializada neste género de filmes, de longa metragem e orçamentos muito baixos, produziu nos anos seguintes mais seis serials do Zorro para aproveitar tão rendoso filão.

Entretanto, McCulley continuava a escrever aventuras do seu popular herói para outro célebre pulp magazine, o Argosy, adoptando o figurino que o incomparável Douglas Fairbanks transformou num autêntico ícone cinema- tográfico e que todos copiaram a partir de então, tornando-o eterno: um destro e misterioso espadachim, de mascarilha negra, capa sobre os ombros e chapéu de abas redondas, à moda da Califórnia espanhola.

Zorro Rides AgainEm 1941, para cavalgar a onda de popularidade do audacioso mascarado que lutava contra a injustiça e a opressão feudal dos grandes latifundiários, surgiu outra novela, intitulada The Sign of Zorro, mas McCulley não se ficou por aí, escrevendo num ritmo frenético mais de 60 histórias com este personagem até ao final da sua vida. A última foi publicada postumamente em Abril de 1959, quando já se ouviam os ecos de um novo triunfo do Zorro, agora como herói televisivo, numa série com 78 episódios produzida pelos Estúdios Disney e interpretada por Guy Williams (Zorro), Gene Sheldon (o seu servo Bernardo) e Henry Calvin (sargento Garcia), nos principais papéis.

De todos os romances do Zorro escritos por McCulley conheço apenas uma versão brasileira de O Sinal do Zorro, publicada em 1959 (6ª edição) pela editora Vecchi, na sua colecção “Os Audazes”. Não creio que haja qualquer edição portuguesa, em livro, a partir dos primitivos originais. Mas os leitores do Diabrete jamais esqueceram a adaptação que foi publicada nas páginas do “grande camaradão”, em 1949, com magníficas ilustrações de Fernando Bento. Mais de uma década depois, o célebre romance de McCulley apareceu também no Zorro (revista que substituiu o Cavaleiro Andante), mas ilustrado dessa feita por José Garcês.

Em breve, lembrando um prolífico novelista que hoje já poucos associam ao nome do mais legendário justiceiro mascarado, apresentaremos nesta rubrica um conto de Johnston McCulley publicado na revista O Mosquito, em 1949, com o título “A Noite do Ano Novo”.

A MARCA DE ZORRO869