OS TRAJES ESPAMPANANTES DOS “COWBOYS” CANTORES E QUEM OS CRIOU

Roy Rogers e Dale Evans

Por Jorge Magalhães

Ninguém acredita que, na vida real, os cowboys usassem camisas tão espalhafatosas, pois certamente seriam alvo de galhofa por parte dos seus camaradas, homens rudes que passavam a vida ao ar livre, de volta do gado, e pouco tempo tinham para se aperaltar, mesmo quando, de mês a mês, tiravam uma folga para um curto passeio até à cidade mais próxima, onde podiam gastar numa noite o soldo de várias semanas de trabalho.

O hábito dos trajes espampanantes, que faziam as delícias da garotada e das meninas que se derretiam à vista dos seus actores predilectos, nasceu no cinema, sobretudo durante a época dourada dos westerns da série B e dos cowboys cantores como Gene Autry e Roy Rogers, que faziam gala de exibir nos seus filmes uma vasta colecção de camisas bordadas com motivos folclóricos (e muitos outros), parecendo até que se desafiavam para ver quem averbava, nessa categoria, os maiores louros.

E verdade se diga que quer Gene Autry, quer Roy Rogers e a sua partenaire Dale Evans (com a qual estava unido, também, pelos laços do matrimónio), inspiraram muitas modas nos anos 40 e 50 do século passado, fazendo a fortuna dos fabricantes de camisas [1] e a alegria dos jovens espectadores de cinema, sempre ávidos de emoções fortes, como tiroteios, cavalgadas, lutas com os índios e os bandidos, rixas nos saloons… mas também de cenas românticas, em que os bravos cavaleiros seduziam as donzelas com a sua destreza equestre, os seus dotes musicais e o garbo do seu porte, realçado pelas espampanantes camisas bordadas com todo o requinte.

E elas, as cowgirls como Dale Evans, caprichavam em seguir-lhes o exemplo, arrancando também assobios e aplausos às plateias em delírio que não se cansavam de venerar os seus heróis… e as suas heroínas, nos westerns da série B!

Gene Autry

[1] Nota curiosa: tanto Roy Rogers como Gene Autry (e muitas outras celebridades da Meca do cinema) foram clientes do mais famoso alfaiate de Los Angeles, Nudie Cohn, um emigrante ucraniano que se estabeleceu na Califórnia e enriqueceu com as suas criações extravagantes, como a do milionário fato em lamé dourado que Elvis Presley usou nas suas primeiras aparições em palco, avaliado em $10,000, quantia fabulosa nessa época (1957). Quanto terão custado as camisas de Roy Rogers, Dale Evans e Gene Autry?

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ROY ROGERS E A PUBLICIDADE

Atestando a enorme popularidade de Roy Rogers nos seus tempos de glória, quando era o “rei” incontestado dos seriados de cinema e de televisão, em companhia do seu cavalo Trigger e de uma bela e fogosa amazona — Dale Evans, a “rainha” do western, com quem teve um longo e feliz matrimónio —, este anúncio comercial de uma reputada firma norte-americana, a Sears, apresentava, nos anos 1950, um variado sortido de vistosas botas de cowboy, idênticas às que Roy Rogers usava nos seus filmes.

E a campanha, segundo registos da época, foi coroada de sucesso, rendendo decerto ao “rei” dos vaqueiros uma boa maquia pela utilização do seu nome e imagem.

DALE EVANS, A RAINHA DO OESTE

Nota: o presente artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves foi, tal como os anteriores, publicado originalmente no fanzine brasileiro Q.I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a sua divulgação no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

ROY ROGERS, O ETERNO REI DA PRADARIA, E DALE EVANS, A SUA RAINHA

Como Roy Rogers tem sido ultimamente um “convidado” especial deste blogue — que irá também evocar em breve a figura de Dale Evans, a amazona com quem contracenou em vários filmes e que escolheu para sua companheira, na vida real, depois de dois casamentos fracassados —, aqui fica mais um registo fotográfico da sua longa carreira: em cima, Roy e Dale nos seus tempos de juventude e de glória; em baixo, numa fase em que já se notam as marcas da idade, mas ainda suficientemente vigorosa para que não parassem de representar e de cantar. E logo num programa dos “Marretas”!

Roy Rogers morreu em 1998, com 86 anos, e Dale Evans em 2001, com 88. O pequeno artigo que se segue foi extraído do Mundo de Aventuras nº 292 (2ª série), de 10/5/1979.

ROY ROGERS – O REI DOS “COWBOYS”

Nota: o presente artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves foi, tal como os anteriores, publicado originalmente no fanzine brasileiro Q. I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a sua divulgação no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

A 2ª parte deste artigo, dedicada a Dale Evans, companheira de Roy Rogers na vida real e em dezenas de filmes (que lhe valeram o cognome de rainha do western), será publicada em breve. Para ela chamamos também a vossa atenção.

RUBRICA DO OESTE – 6

“COW-GIRLS” E ESTRELAS DE CINEMA

Ora aqui têm mais uma curiosidade extraída dos nossos arquivos: um belo friso de amazonas dispostas a competir com a famosa Dale Evans, a rainha do western, casada com outro grande nome do cinema, Roy Rogers, o rei dos cowboys, o trovador de voz bem timbrada que levou a todo o mundo o folclore musical do Oeste americano.

Autênticas cowgirls e estrelas de Hollywood em ascensão, estas jovens amazonas fizeram a manchete de uma página d’O Século Ilustrado, revista portuguesa de actualidades, sempre atenta às notícias da 7ª Arte, que interessavam, nessa época, em meados do século passado, a um grande numero de leitores (e leitoras). Os filmes de cowboys estavam entre os géneros favoritos do público, suscitando também o entusiasmo de muitos actores e actrizes que viam na arte de montar toda a sela um trampolim para a fama, ao lado das maiores vedetas do western, contumazes campeões de bilheteira.

Por isso, era quase obrigatório em Hollywood saber andar a cavalo e vários especialistas dos filmes de cowboys, tanto realizadores como actores, tinham os seus próprios ranchos, onde procuravam imitar a vida ao ar livre dos primeiros colonos do Far-West… mas sem dispensar os benefícios da moderna civilização!

(Nota: este exemplar d’O Século Ilustrado corresponde ao nº 586, com data de 26/3/1949. O semanário era propriedade da Sociedade Nacional de Tipografia e tinha como director, por essa altura, Carlos Pereira da Rosa e como chefe de redacção Mário Rocha).