TEXTOS ESCOLHIDOS: OS PIONEIROS DO “WESTERN”

Nesta nova rubrica do “Era uma vez o Oeste”, onde o cinema também estará presente, apresentamos hoje, como introdução à época pioneira dos filmes de cowboys — tema aliciante que temos abordado noutros posts —, um artigo publicado no Mundo de Aventuras nº 277, de 25/1/1979 (há tanto tempo já!), que exprime bem o meu interesse pelo género, transformado em fascínio irresistível quando me habituei a ler livros e histórias aos quadradinhos com aventuras do faroeste (como a rapaziada correntemente lhes chamava) e a ver filmes com os melhores actores que já encarnaram — nesse ecrã mágico que tanto atraía os jovens da minha geração (e até muitos adultos) — as figuras arquetípicas dos destemidos desbravadores das árduas pistas trilhadas pelas caravanas ou dos invencíveis paladinos que impunham a lei e a justiça nas bravias cidades da nova fronteira.

Nascidos quase ao mesmo tempo que o cinema, os filmes de cow-boys tornaram-se não só uma das maiores fontes de rendimento dos primitivos estúdios de Hollywood, mas também a reconstituição viva — graças ao poder encantatório das imagens animadas, da música e da voz dos intérpretes (quando o som invadiu os ecrãs) — de uma gesta heróica em que vibram os acordes da marcha impetuosa dos pioneiros atraídos pelas míticas pradarias que se estendiam a oeste das Montanhas Rochosas e do nascimento de uma nova nação!

OS “COWBOYS” DA SÉRIE B – 2

Texto de Jorge Magalhães

Satisfazendo a expectativa dos nossos leitores que se interessam por este tema, prosse- guimos a evocação dos populares cowboys dos filmes com 12 ou 15 episódios e de curta metragem (duas bobinas, uma hora de exibição) que fizeram as delicias dos espectadores, sobretudo dos mais jovens, numa época em que o western se afirmou como um dos géneros mais espectaculares do cinema, a seguir ao advento do sonoro (e até antes disso).

Alguns estúdios que apostaram forte na produção desses filmes, alcunhados com o pejorativo rótulo de “série B”, contrataram actores com larga experiência do ofício de cowboys, como Tom Mix, Buck Jones, Tim McCoy e Ken Maynard, cujas carreiras foram coroadas de êxito, devido especialmente aos seus dotes físicos, isto é, por serem rápidos no gatilho, destros com um laço e capazes de executar as mais arriscadas acrobacias sobre a sela de um cavalo, para gáudio das multidões que assistiam às suas performances (bem longe de parecerem fantasistas) nas salas de cinema, nos circos ou nos rodeos.

A popularidade destes novos heróis da tela — que, como Roy Rogers e Gene Autry, até sabiam cantar! — estendeu-se também às histórias aos quadradinhos, sobretudo no seu país de origem, os Estados Unidos da América (tema de um excelente artigo já publicado no nosso blogue, da autoria de Carlos Gonçalves).

Nos anos 80 do século passado, a popularidade desses ícones do cinema western não se tinha ainda extinguido no Brasil, ao ponto de a revista Aí, Mocinho! (9ª série), editada pela EBAL desde 1949, apresentar uma selecção das suas melhores aventuras ilustradas, completando-as com breves biografias de alguns dos actores que as encarnaram nos filmes da série B — bafejados durante várias décadas pelo êxito e pelo favoritismo de um público que não se cansava de aplaudir as suas proezas, tão reais nas telas prateadas dos cinemas como as de um Buffalo Bill ou de um Wild Bill Hickok!

No nº 2 da citada revista (cuja última série, contrariando as previsões mais optimistas, não foi além de oito números), coube a vez a dois “astros” do cinema western de primeira grandeza: Randolph Scott e Roy Rogers, com uma longa e frutuosa carreira — que no caso do “rei” dos cowboys cantores (casado com Dale Evans, a “rainha” das cowgirls), acabaria na televisão, muito tempo depois de se esgotar o maná dos westerns da série B.

OS “COWBOYS” DA SÉRIE B – 1

Texto de Jorge Magalhães

Durante várias décadas, os westerns dominaram o panorama da produção cinematográfica norte-americana, sobretudo os que eram produzidos por pequenos estúdios indepen- dentes, como a Monogram e a Republic, e que os críticos designavam pejorativamente por westerns da série B, devido aos seus temas repetitivos, à sua curta metragem (duas bobinas, uma hora de projecção), à sua fraca qualidade artística e ao seu baixo orçamento.

Mas o público adorava-os, acorrendo em massa às sessões duplas em que esses filmes eram exibidos e vibrando com a sua acção trepidante, embora sem grandes rasgos criativos, e com as proezas dos seus intérpretes, geralmente actores que, como Tom Mix, Tim McCoy ou Ken Maynard, executavam as cenas mais arriscadas sem precisar de duplos, pois tinham larga experiência do ofício de cowboys.

A popularidade desses actores que se tornaram campeões de bilheteira, alguns deles ainda na época do western mudo (1903-1930), não passou, porém, de fama efémera, pois hoje, na sua grande maioria, estão completamente esquecidos.

John Wayne, um dos maiores “astros” de sempre do western (que trabalhou às ordens de grandes realizadores como John Ford e Howard Hawks), Gary Cooper, Randolph  Scott, Joel McCrea e poucos mais, ainda habitam o imaginário dos amantes do western, como figuras míticas cuja longa carreira conheceu também muitos êxitos noutro género de filmes.

Roy Rogers, Gene Autry, Buck Jones, Hopalong Cassidy, ainda hoje são nomes sonantes do western, porque a sua popularidade, durante décadas, se estendeu também à televisão, à rádio, ao teatro, ao circo e à BD. Aliás, foram os comic books a dar o maior impulso, fora das telas, à carreira dos cowboys da série B, cujos nomes apareceram em dezenas de revistas publicadas pela Marvel, a DC, a Fawcett, a Dell, a Charlton e outras editoras.

Nesta rubrica, apresentaremos (entre outros tópicos a anunciar brevemente) pequenas biografias de alguns dos maiores “astros” do cinema western, extraídas de uma revista brasileira de outros tempos (1949-1987), inteiramente dedicada às histórias de cowboys. O seu curioso título Aí, Mocinho! era uma homenagem a esses heróis da tela que faziam vibrar a garotada nas matinés dos cinemas de bairro.

Em Portugal não se chamavam “mocinhos”, mas o entusiasmo do público juvenil era idêntico e as salas de cinema, quando exibiam um filme de cowboys com os seus maiores ídolos, estavam sempre à cunha. 

Fui frequentador assíduo do Royal-Cine, uma bela sala de espectáculos lisboeta (que há muito encerrou as suas portas, transformando-se tristemente num super-mercado), e lembro-me bem desses tempos. Reviver essas gratas memórias não é um mero exercício de nostalgia… mas uma forma de manter vivo o espírito inocente, de puro divertimento, dos westerns da série B e o legado de todos aqueles — actores, realizadores, produtores, técnicos e argumentistas — que lhes deram forma e substância, durante mais de 50 anos de existência nas telas prateadas dos cinemas!

Nota: Registo, a título de curiosidade, que Rex Allen e Johnny Mack Brown, dois dos últimos “cowboys” da série B, viveram as suas aventuras nas histórias aos quadradinhos pelo traço de famosos desenhistas como Russ Manning, Alex Toth e Jesse Marsh — então ainda em início de carreira, mas cujos dotes artísticos o futuro viria plenamente a confirmar.

JOHN WAYNE – O ETERNO “COWBOY”

Durante uma longa carreira, John Wayne (1907-1979) interpretou dezenas de filmes, mas o western foi sempre o seu género preferido, porque simbolizava os ideais dos pioneiros que desbravaram o Oeste americano — e de que ele próprio se tornaria também um símbolo, com as suas personagens fortes, heróicas, maiores do que a vida, que não tardaram a transformá-lo numa lenda do cinema, sobretudo depois do seu primeiro grande êxito em “Stagecoach” (“Cavalgada Heróica”), filme realizado por John Ford em 1938.

John Wayne (nascido, aliás, com o nome de Marion Michael Morrison) já era, nessa altura, uma “estrela” dos filmes da série B, produzidos por estúdios de pequena dimensão como a Republic Pictures, mas ainda não conseguira alcançar o estatuto de vedetas como Tom Mix, Ken Maynard, Buck Jones, Harry Carey ou Hoot Gibson, os autênticos reis do western.

Foi John Ford, realizador também com uma longa carreira, experimentado tanto no western como noutros géneros, que o guindou ao cume da fama, ao escolhê-lo (contra a vontade dos próprios produtores) para o papel do pistoleiro Ringo Kid, em “Stagecoach”, filme que revitalizou o western, demarcando-se pelo seu argumento e pelo seu nível técnico e artístico das películas da série B, de curta metragem e baixo orçamento.

A associação entre Ford e John Wayne — cujo novo nome foi criado, segundo reza a lenda, pelo realizador Raoul Walsh, com quem Marion Morrison trabalhou no épico “The Big Trail”, já com esse nome — durou muitos anos, cimentando uma amizade em que partilhavam o mesmo amor pelos grandes espaços abertos do Oeste americano e a mesma fidelidade aos ideais dos pioneiros, raiz dos seus másculos dogmas políticos conservadores, que, no caso de John Wayne, o fizeram aderir, de alma e coração, ao partido republicano.

A história curta que se segue, reproduzida do Mundo de Aventuras nº 398 – 2ª série, de 28 de Maio de 1981, evoca, pelo traço de Jarry (colaborador do Tintin belga), os principais passos da triunfante carreira cinematográfica de John Wayne e alguns dos filmes que, sob a direcção de John Ford e Howard Hawks, lhe deram um lugar eterno entre os grandes nomes da 7ª Arte.

Nota: a popularidade de John Wayne como ícone do western valeu-lhe ser transformado também em herói da Banda Desenhada, com direito a revista própria, de longa duração, onde colaboraram alguns dos melhores desenhadores americanos dos anos 1950/60, como por exemplo Al Williamson e Frank Frazetta.

Jorge Magalhães

TEMAS DE FILMES: RUMO AO DESCONHECIDO, PELAS TRILHAS DO OESTE

Um clássico entre os maiores sobre a conquista do Oeste, A Caravana Perdida (1951) converteu-se num dos filmes preferidos de John Ford (1895-1973) — de quem era a história original, adaptada em argumento cinematográfico por Frank Nugent (seu habitual colaborador) e (o próprio filho) Patrick Ford. Tendo assumido a produção com Merian C. Cooper, para Argosy a cargo da RKO, Ford inspirou-se em factos reais, ocorridos por 1849, almejando — como vectores dramáticos/narrativos — a simplicidade e as emoções, numa magistral emergência romântica e optimista. Espíritos rudes, força telúrica.

A infinita matriz visionária do cineasta é estilizada pela fotografia de Bert Glennon, em prodigioso preto e branco, tendo por contraponto palpitante a música de Richard Hageman, ainda com recurso aos Sons of the Pioneers. Eis todo o tipo de pessoas, de anos e sexos vários, sob humores e perigos variegados. Como se o próprio coração da América, premente e genuíno, se revelasse pois — numa pulsão latente, intemporal, da natureza humanista com a paisagem arrebatadora.

(Nota: artigo de José de Matos-Cruz publicado em Imaginário #658, de onde o reproduzimos, com a devida vénia)

CINE-WESTERN E LITERATURA – 2

TRUE GRIT ou a maturidade do “Western”

Texto de Jorge Magalhães

indomavel-cartaz-do-filmeEm 17 de Fevereiro de 2011, estreou-se em Portugal, com o título Indomável, um dos filmes mais aguardados pelos cinéfilos que costumam acompanhar febrilmente a corrida aos Óscares, mas também por todos os apreciadores de “westerns” que lamentam que o seu género favorito tenha sido quase votado ao ostracismo pelos produtores de Hollywood, mau grado o êxito, nas últimas décadas, e a qualidade artística de filmes como Silverado (1985), Danças com Lobos (1990), Imperdoável (1992), O Último dos Moicanos (1992), Tombstone (1993), Wyatt Earp (1994), Rápida e Mortal (1995), Desaparecidas (2003), Open Range (2003), O Comboio das 3 e 10 (2007), Duelo de Assassinos (2007), Django Libertado (2012), O Renascido e Os Oito Assassinos (2015) ou Os Sete Magníficos (2016).

A distância temporal entre eles — quando nos lembramos de que no século passado, durante várias décadas, se produziram dezenas de “westerns” por ano, oriundos de pequenos e grandes estúdios — é mais o reflexo do alheamento dos produtores que do desinteresse do público, visto que quase todos conseguiram resultados de bilheteira que superaram as expectativas e até, como nos casos sem precedentes de Danças com Lobos e Imperdoável, os Óscares de melhor filme e de melhor realizador.

jeff-bridges-e-hailee-steinfeld-226x300Em 2016, feito quase idêntico foi alcançado pelo filme O Renascido, que deu a Leonardo di Caprio o Óscar de melhor actor e averbou mais dois prémios noutras categorias. Embora não tivessem conseguido ganhar nenhuma das cobiçadas estatuetas, Indomável (True Grit), um filme dos irmãos Joel e Ethan Cohen, com Jeff Bridges como protagonista, Django Libertado e Os Oito Assassinos, os mais recentes êxitos do irrequieto e polémico Quentin Tarantino, vieram relançar a questão da sobrevivência do “western”, um dos géneros cinematográficos mais antigos, mas que literariamente (salvo raras excepções) perdeu todo o fulgor que teve nos séculos XIX e XX.

Esse filão literário foi intensamente explorado pelos produtores e realizadores de Hollywood, dando origem a inúmeros filmes da série B, de cariz mais comercial do que artístico, mas também a produções ambiciosas, de elevado conteúdo estético, épico e dramático, que enobreceram o género e cimentaram o prestígio dos seus realizadores e intérpretes — como (entre muitas outras) A Caravana Gloriosa, Stagecoach (Cavalgada Heróica), Consciências Mortas, Rio Vermelho, Duelo ao Sol, Forte Apache, Shane, A Desaparecida, Cimarron, O Homem que Matou Liberty Valance, Pequeno Grande Homem ou A Velha Raposa.

charles-portisEste último foi o título dado em Portugal a True Grit, uma novela de Charles Portis adaptada pela 1ª vez ao grande ecrã em 1969, num filme realizado por Henry Hathaway, que valeu ao mítico actor John Wayne o seu primeiro e único Óscar. Em 2010, foi a vez dos irmãos Cohen redescobrirem o livro de Portis, abordando com novo realismo a história de uma obstinada rapariga (Mattie Ross) que contrata um velho xerife alcoólico e rabugento, mas implacável na defesa da lei e destro no manejo das armas (Rooster Cogburn), para ajudá-la a vingar a morte do pai, assassinado por um miserável vagabundo (Tom Chaney) que traíra a sua confiança.

Publicada em 1968, True Grit, a segunda novela de Charles Portis (na foto) — que, depois de participar na guerra da Coreia, se dedicou ao jornalismo, tornando-se escritor por vocação —, conheceu um sucesso imediato graças ao filme de Hathaway, com um John Wayne já envelhecido, mas imponente e audacioso como nunca, de pala no olho e rédeas nos dentes, carregando ferozmente sobre um grupo de bandoleiros, num dos últimos e maiores papéis da sua longa carreira.

Mas só 18 anos depois esse livro seria traduzido para português, numa colecção de saudosa memória, criada em 1982 pelas Publicações Europa-América, a colecção Western, que reuniu muitos autores famosos, desde Zane Grey, Clarence Mulford e Edgar Rice Burroughs (sim, esse mesmo… o criador de Tarzan!) a Louis L’Amour, Frank Gruber, W. R. Burnett, Elmer Kelton — todos norte-americanos, representando a essência do genuíno “western” literário, que nasceu muito antes dos primeiros filmes de “cowboys”.

a-velha-raposa-dvd-livro-contracapa

Alguns dos títulos incluídos nessa colecção são marcos de fundamental importância na relação entre literatura e cinema “western”, como Shane e Monte Walsh, de Jack Schaefer, Duelo ao Sol, de Niven Busch, O Maioral, de Owen Wister, A Cidade Turbulenta, de Max Brand, Incidente em Ox-Bow, de Walter van Tilburg Clark, Céu Aberto, de A. B. Guthrie Jr., ou mesmo O Último Moicano e Os Pioneiros, de James Fenimore Cooper, considerado por muitos o verdadeiro percursor do género. Todas estas obras foram adaptadas ao cinema, sob a direcção de grandes mestres como George Stevens, King Vidor, Victor Fleming, George Marshall, William Wellman, Howard Hawks e Michael Mann.

coleccao-western-no-17

Como ainda é possível encontrar alguns destes livros entre restos de edições da Europa- -América (disponíveis nas suas livrarias), aconselhamos os nossos leitores a não perderem o ensejo de conhecer uma das melhores colecções do género que já se publicaram em Portugal, constituída por 54 volumes em formato de bolso, com preço módico, traduções razoáveis (algumas até bastante boas) e um design gráfico das capas — na sua maioria excelentemente ilustradas por José Pires — que evoca as adaptações cinematográficas, nada ficando a dever ao das suas congéneres estrangeiras.

True Grit (A Velha Raposa), um livro que acabei recentemente de reler, foi o nº 32 dessa colecção, uma das muitas que enchem as minhas estantes, alimentando ainda hoje um insaciável fascínio pelo género. Voltaremos ao assunto muito em breve, neste blogue, com outro grande clássico da literatura western.

o-maioral-cidade-turbulentaincidente-em-ox-bow

Nota: Quem estiver interessado em ler True Grit, de Charles Portis, tem ao seu dispor outra boa edição portuguesa, com o título do filme dos irmãos Cohen, oportunamente dada à estampa pela Editorial Presença (2011), embora com uma capa muito inferior à que José Pires (com toda a sua experiência e interesse pelo género) desenhou para a colecção Western, da Europa-América, em 1986.

TEMAS DE FILMES: NÃO HÁ HORIZONTE MAIOR DO QUE OS CÉUS DO OESTE

Mitificados pela própria lenda de Hollywood, muitos filmes americanos, consagrados entre clássicos e obras-primas, transferem-se para além da sua história, ou do específico enquadramento em que surgiram, eles mesmos testemunhos de um espectáculo tão virtual como o cinema e seus modelos de produção. Céu Aberto (1952) é exemplar de tal fenómeno, realizado por Howard Hawks com a chancela RKO, através da sua Winchester Productions.

Em 1938, Hawks dirigira As Duas Feras para aquela companhia, então uma das três majors de Hollywood, e entretanto em crise, passando a ser gerida por Howard Hughes. Pretendendo revitalizá-la, este desafiou Hawks — um nome prestigiado e de sucesso popular — a concretizar um segundo western, após o tão apreciado Rio Vermelho (1948).

E Hawks não resistiu ao repto do seu velho amigo, que lhe dava finalmente ensejo de constituir um «fresco original», adaptando o épico The Big Sky do eminente escritor A.B. Guthrie Jr. A árdua tarefa, que aliás se deteve pelos primeiros trechos romanescos, foi confiada ao talentoso Dudley Nichols, que assinou argumentos tão notáveis como Cavalgada Heróica (1939) de John Ford, entre as décadas áureas de ’30 e ’50.

(Nota: texto de José de Matos-Cruz publicado em Imaginário #650, de onde o reproduzimos, com a devida vénia)