SÉRIES FAMOSAS: “OS GRANDES MITOS DO OESTE”

Nota: o presente artigo do nosso prezado colaborador Carlos Gonçalves foi, tal como os anteriores, publicado originalmente no fanzine brasileiro Q. I. (Quadrinhos Independentes), editado e coordenado por Edgard Guimarães, a quem devemos também a sua divulgação no Era uma vez o Oeste. A ambos, os nossos agradecimentos.

Advertisements

RUBRICA DO OESTE – 1

AS ARMAS DE FOGO QUE DOMINARAM O OESTE

armas-do-oeste-cor1Para os amantes do género western — ou melhor, para os “fanáticos” das histórias aos quadradinhos e dos filmes de cowboys, entre os quais me incluo desde os tempos da distante meninice —, aqui ficam algumas páginas com ilustrações a preceito sobre os principais modelos de armas utilizados pelos homens (e por algumas mulheres) que dominaram o Wild West, durante a turbulenta e primitiva época da colonização, algumas vezes do lado da lei, outras do lado oposto, como Jesse James e Billy the Kid.

Assim como forjaram a reputação e o mito intemporal de pistoleiros, xerifes, desperadoes e heróis da fronteira, ou de mulheres rebeldes e destemidas, rápidas também no gatilho, essas armas — especialmente os Colts e as Winchester — cunharam, de forma indelével, a saga dos indómitos pioneiros que, em longas caravanas, abriram inúmeras pistas através do continente, desbravando as vastas, férteis e desérticas pradarias onde iriam germinar as sementes de uma nova civilização. armas-do-oeste-1-e-23

m-aventuras-gringo-2521Estas e outras páginas de curiosidades sobre diversos temas relacionados com a história do Oeste americano, que então estavam na moda, são oriundas da célebre agência de produção e distribuição espanhola Selecciones Ilustradas, sita em Barcelona e criada por Josep Toutain — que, além de dedo para o negócio, tinha também espírito de organização e soube recrutar um grupo heterogéneo, mas coeso, de autores (incluindo argumentistas), para trabalharem em estúdio, operando assim, nos anos 60 e 70, uma viragem de 180 graus na BD espanhola.

ciclone-34-2622Esteban Maroto (Cinco x Infinito), Carlos Gimenez (Gringo, Delta 99), Francisco Cueto (Bill, o Sorridente), Victor de la Fuente (Sunday), José Ortiz (Grandes Mitos do Oeste), foram alguns dos nomes mais destacados dessa fornada de talentos (alguns ainda jovens e com pouca experiência), a quem as Selecciones Ilustradas abriram as portas de uma carreira de sucesso, permitindo-lhes até assinar os seus trabalhos, o que era quase uma novidade na época.

Muitas revistas portuguesas, como Mundo de Aventuras, Condor Popular, Ciclone, sunday-capa-2551Colecção Tigre, Jornal do Cuto, Modernos da Banda Desenhada, Pantera NegraColecção Lince e outras, publicaram material das Selecciones Ilustradas durante um longo período (anos 60 e 70), fomentando entre os seus leitores a popularidade e o prestígio desses novos desenha- dores espanhóis e respectivas personagens.

No tocante às séries documentais sobre o western, foram muito variadas as rubricas que surgiram em publicações de pequeno formato, nomeadamente o Condor Popular e o Ciclone, com títulos como “Cidades do Oeste”, “Policia Montada”, “A Oeste das Rochosas”, “Povos e Chefes Índios”, “Homens Bons do Oeste”, em geral com uma ou duas páginas, o que dava jeito ao esquema dessas revistas (que só publicavam histórias completas), mas tornava a sua publicação dispersa e irregular. “Armas do Oeste”, pelo seu tema emblemático, foi, sem dúvida, a rubrica que mais interesse despertou nos leitores. Um trabalho notável do desenhador Francisco Javier, bem documentado sobre todo o armamento da época.

armas-do-oeste-3-e-45

armas-do-oeste-5-66

armas-do-oeste-7-8

E aqui têm também, para terminar este breve intróito sobre as historietas de cowboys e respectivas curiosidades (pois tencionamos voltar ao assunto), duas magníficas páginas de Gringo, desenhadas por Suso Peña, digno sucessor de Carlos Gimenez — extraídas do episódio “Guerra em Três Frentes”, publicado no Mundo de Aventuras nº 1184 —, em que as armas do Oeste selvagem entoam, mais uma vez, a sua canção de morte.gringo-bd1-e-23