MAIS DOIS EPISÓDIOS DE MATT MARRIOTT REEDITADOS PELO “FANDWESTERN”

Entre as muito boas edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Agosto e o de Julho ficaram também assinalados, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de louvor), pela saída de mais dois números do FandClassics dedicados à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal, que o experiente faneditor José Pires está apostado em apresentar na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada. Até agora já saíram oito volumes.

Outra série clássica a que José Pires tem dedicado especial atenção é o western inglês Matt Marriott (também conhecido entre nós, quando se estreou no Mundo de Aventuras, pelo bizarro nome de Calidano), que alia à extraordinária realização gráfica de Tony Weare, um virtuoso do traço expressionista, a originalidade e o dramatismo dos argumentos, na sua maioria escritos pelo prolífico James Edgar.

Com dois autores deste calibre, a série conquistou enorme popularidade nalguns países, mas Portugal é o único onde tem sido sistematicamente reeditada, graças ao entusiasmo de José Pires, que desde os primeiros números do Fandwestern, criado no longínquo ano de 1991, elegeu Matt Marriott como um dos seus personagens favoritos.

Em Julho, saiu mais um número deste fanzine, com outra aventura de Matt Marriott, intitulada “Os últimos dias de Augie Spencer” (43º episódio), que teve publicação no Mundo de Aventuras nº 1160 (1971), com o título “Os Diabos de Dekker”.

Constituída por 70 episódios, publicados entre 1955 e 1977, a série Matt Marriott foi bastante divulgada nalgumas revistas portuguesas, mas por vezes em condições deploráveis, devido às más práticas de editores, tradutores, legendadores e paginadores. Numa tarefa quase homérica, mantendo incansavelmente um ritmo de publicação regular, José Pires já recuperou mais de cinco dezenas de episódios, em formato big size e com as tiras integrais, restauradas a partir de publicações diversas (ou até mesmo de originais pertencentes a um coleccionador particular), propondo-se reeditar toda a série, embora lhe faltem ainda os dois últimos episódios.

No corrente mês de Agosto já foi distribuído outro número do Fandwestern com a trepidante aventura “Sargento Dulanty”, publicada no Mundo de Aventuras nº 1020 (1969), com o título “O Sargento Proscrito”. Como José Pires tem seguido uma ordem aleatória nos últimos números, publicando estes episódios consoante as conveniências de momento, convém referir que “O Sargento Proscrito” é muito anterior ao episódio “Os Diabos de Dekker”, ocupando o 36º lugar na tabela cronológica.

De qualquer modo, isso não belisca o interesse nem a sequência destas edições do Fandwestern, pois os episódios de Matt Marriott, na sua maioria, reportam-se a aventuras autónomas, sem ligação entre si, podendo ser lidos por qualquer ordem. Claro que a evolução do estilo de Tony Weare, mais solto na última fase da série, também é um factor a ter em conta ao estabelecer um critério editorial (ou de leitura).

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) devem ser encomendados directamente ao seu editor José Pires, escrevendo para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

FANDWESTERN – SÉRIE MATT MARRIOTT (JUNHO 2017)

Com periodicidade mensal, de uma regularidade sem falhas, para não defraudar os seus fiéis leitores, cujo número tem continuamente aumentado, o Fandwestern, editado por José Pires, prossegue a recuperação de uma das séries predilectas dos apreciadores do género, sobretudo daqueles que sabem distinguir o “trigo” do “joio”: Matt Marriott, magistralmente ilustrada por Tony Weare e com guiões, quase sempre excelentes, de James Edgar.

O episódio agora reproduzido, com superior qualidade, a partir das tiras originais, foi publicado, há mais de 40 anos, no Mundo de Aventuras nº 1236, com o título “Os Dois Velhos Inimigos”, mas totalmente remontado e “escortanhado”, portanto em condições que não agradaram, decerto, a nenhum fã da série.

Nesta reedição, em formato “big size”, à italiana, José Pires tem recorrido, muitas vezes, a material de origem fornecido por coleccionadores particulares, o que é obviamente uma garantia de qualidade gráfica, digna da magnífica arte de Tony Weare.

Os interessados podem encomendar este fanzine directamente ao seu editor, através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

OUTRO NÚMERO DO “FANDWESTERN” – COM A GRANDE SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Outra série digna de relevo e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, tenciona também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 40 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do Mundo de Aventuras, que foi a primeira revista portuguesa de banda desenhada a apresentá-lo ao público, embora com outro nome, no ano já distante de 1958.

O episódio que José Pires agora recuperou, com 96 tiras, foi publicado no Mundo de Aventuras nº 1201, de 28/9/1972, com o título “A História de Zinc Bill”. Os revisores do MA deviam andar muito distraídos, pois este título, obviamente, é uma gralha. Trata-se do 47º episódio da série, com o título original Zincville Story.

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN”

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, quase inédito no nosso país, e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no nº 845 do Mundo de Aventuras.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Gato Alfarrabista, A Montra dos Livros e O Voo d’O Mosquito).

CINE-WESTERN E LITERATURA – 2

TRUE GRIT ou a maturidade do “Western”

Texto de Jorge Magalhães

indomavel-cartaz-do-filmeEm 17 de Fevereiro de 2011, estreou-se em Portugal, com o título Indomável, um dos filmes mais aguardados pelos cinéfilos que costumam acompanhar febrilmente a corrida aos Óscares, mas também por todos os apreciadores de “westerns” que lamentam que o seu género favorito tenha sido quase votado ao ostracismo pelos produtores de Hollywood, mau grado o êxito, nas últimas décadas, e a qualidade artística de filmes como Silverado (1985), Danças com Lobos (1990), Imperdoável (1992), O Último dos Moicanos (1992), Tombstone (1993), Wyatt Earp (1994), Rápida e Mortal (1995), Desaparecidas (2003), Open Range (2003), O Comboio das 3 e 10 (2007), Duelo de Assassinos (2007), Django Libertado (2012), O Renascido e Os Oito Assassinos (2015) ou Os Sete Magníficos (2016).

A distância temporal entre eles — quando nos lembramos de que no século passado, durante várias décadas, se produziram dezenas de “westerns” por ano, oriundos de pequenos e grandes estúdios — é mais o reflexo do alheamento dos produtores que do desinteresse do público, visto que quase todos conseguiram resultados de bilheteira que superaram as expectativas e até, como nos casos sem precedentes de Danças com Lobos e Imperdoável, os Óscares de melhor filme e de melhor realizador.

jeff-bridges-e-hailee-steinfeld-226x300Em 2016, feito quase idêntico foi alcançado pelo filme O Renascido, que deu a Leonardo di Caprio o Óscar de melhor actor e averbou mais dois prémios noutras categorias. Embora não tivessem conseguido ganhar nenhuma das cobiçadas estatuetas, Indomável (True Grit), um filme dos irmãos Joel e Ethan Cohen, com Jeff Bridges como protagonista, Django Libertado e Os Oito Assassinos, os mais recentes êxitos do irrequieto e polémico Quentin Tarantino, vieram relançar a questão da sobrevivência do “western”, um dos géneros cinematográficos mais antigos, mas que literariamente (salvo raras excepções) perdeu todo o fulgor que teve nos séculos XIX e XX.

Esse filão literário foi intensamente explorado pelos produtores e realizadores de Hollywood, dando origem a inúmeros filmes da série B, de cariz mais comercial do que artístico, mas também a produções ambiciosas, de elevado conteúdo estético, épico e dramático, que enobreceram o género e cimentaram o prestígio dos seus realizadores e intérpretes — como (entre muitas outras) A Caravana Gloriosa, Stagecoach (Cavalgada Heróica), Consciências Mortas, Rio Vermelho, Duelo ao Sol, Forte Apache, Shane, A Desaparecida, Cimarron, O Homem que Matou Liberty Valance, Pequeno Grande Homem ou A Velha Raposa.

charles-portisEste último foi o título dado em Portugal a True Grit, uma novela de Charles Portis adaptada pela 1ª vez ao grande ecrã em 1969, num filme realizado por Henry Hathaway, que valeu ao mítico actor John Wayne o seu primeiro e único Óscar. Em 2010, foi a vez dos irmãos Cohen redescobrirem o livro de Portis, abordando com novo realismo a história de uma obstinada rapariga (Mattie Ross) que contrata um velho xerife alcoólico e rabugento, mas implacável na defesa da lei e destro no manejo das armas (Rooster Cogburn), para ajudá-la a vingar a morte do pai, assassinado por um miserável vagabundo (Tom Chaney) que traíra a sua confiança.

Publicada em 1968, True Grit, a segunda novela de Charles Portis (na foto) — que, depois de participar na guerra da Coreia, se dedicou ao jornalismo, tornando-se escritor por vocação —, conheceu um sucesso imediato graças ao filme de Hathaway, com um John Wayne já envelhecido, mas imponente e audacioso como nunca, de pala no olho e rédeas nos dentes, carregando ferozmente sobre um grupo de bandoleiros, num dos últimos e maiores papéis da sua longa carreira.

Mas só 18 anos depois esse livro seria traduzido para português, numa colecção de saudosa memória, criada em 1982 pelas Publicações Europa-América, a colecção Western, que reuniu muitos autores famosos, desde Zane Grey, Clarence Mulford e Edgar Rice Burroughs (sim, esse mesmo… o criador de Tarzan!) a Louis L’Amour, Frank Gruber, W. R. Burnett, Elmer Kelton — todos norte-americanos, representando a essência do genuíno “western” literário, que nasceu muito antes dos primeiros filmes de “cowboys”.

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Alguns dos títulos incluídos nessa colecção são marcos de fundamental importância na relação entre literatura e cinema “western”, como Shane e Monte Walsh, de Jack Schaefer, Duelo ao Sol, de Niven Busch, O Maioral, de Owen Wister, A Cidade Turbulenta, de Max Brand, Incidente em Ox-Bow, de Walter van Tilburg Clark, Céu Aberto, de A. B. Guthrie Jr., ou mesmo O Último Moicano e Os Pioneiros, de James Fenimore Cooper, considerado por muitos o verdadeiro percursor do género. Todas estas obras foram adaptadas ao cinema, sob a direcção de grandes mestres como George Stevens, King Vidor, Victor Fleming, George Marshall, William Wellman, Howard Hawks e Michael Mann.

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Como ainda é possível encontrar alguns destes livros entre restos de edições da Europa- -América (disponíveis nas suas livrarias), aconselhamos os nossos leitores a não perderem o ensejo de conhecer uma das melhores colecções do género que já se publicaram em Portugal, constituída por 54 volumes em formato de bolso, com preço módico, traduções razoáveis (algumas até bastante boas) e um design gráfico das capas — na sua maioria excelentemente ilustradas por José Pires — que evoca as adaptações cinematográficas, nada ficando a dever ao das suas congéneres estrangeiras.

True Grit (A Velha Raposa), um livro que acabei recentemente de reler, foi o nº 32 dessa colecção, uma das muitas que enchem as minhas estantes, alimentando ainda hoje um insaciável fascínio pelo género. Voltaremos ao assunto muito em breve, neste blogue, com outro grande clássico da literatura western.

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Nota: Quem estiver interessado em ler True Grit, de Charles Portis, tem ao seu dispor outra boa edição portuguesa, com o título do filme dos irmãos Cohen, oportunamente dada à estampa pela Editorial Presença (2011), embora com uma capa muito inferior à que José Pires (com toda a sua experiência e interesse pelo género) desenhou para a colecção Western, da Europa-América, em 1986.

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN” ESPECIAL DEDICADO À SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a esforçada saga de reeditar na íntegra uma das melhores séries de cowboys da BD europeia, criada em 1955 por Tony Weare (desenhos) e Reg Taylor (argumentos) — a quem se juntou pouco depois outro notável argumentista, James Edgar —, o Fandwestern, fanzine editado por José Pires em formato “big size” (à italiana), apresenta este mês outro magnífico episódio desta incontornável série inglesa, com o título O Pastor Zinnerman.

À laia de curiosidade histórica, recorde-se que o referido episódio foi publicado pelo Mundo de Aventuras na década de 1970, quando esta revista atravessava uma das suas fases mais comerciais, embora em detrimento da qualidade na reprodução do respectivo material, pois o formato reduzido obrigava a cortes, montagens e supressões das tiras — por seu turno, com textos mal traduzidos e legendados —, prática que, aliás, se generalizou infelizmente a outros títulos editados, nessa época, pela Agência Portuguesa de Revistas.

Tudo isso procurou José Pires remediar, por puro amor à arte de Tony Weare, nas suas reedições da série Matt Marriott, feitas, nalguns casos, a partir de publicações estrangeiras ou de material facultado por um coleccionador português, cujo importante acervo é constituído por tiras originais e episódios publicados em jornais ingleses.

Aqui ficam, por gentileza de José Pires, a capa e duas páginas do Fandwestern com o episódio em causa — que no Mundo de Aventuras nº 1082 foi crismado (como documenta a respectiva capa, ilustrada por Carlos Alberto Santos) com o título O Estranho Pastor

NOVA SÉRIE DO “FANDWESTERN” DEDICADA A VÍTOR PÉON – VOLUMES 2, 3 e 4

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas jornadas desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern (dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade), apresentamos mais um número do Fandwestern, distribuído em Fevereiro, com a reedição da primeira história desenhada por Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga” (e argumento de Orlando Marques), realizada em 1946 para O Pluto, revista em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

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Denver Bill, o herói de “Falsa Acusação”, acusado de tentativa de homicídio, vê-se em apuros para provar a sua inocência, tendo de enfrentar bandidos, xerifes, “peles- -vermelhas”, incêndios, avalanches, ataques de animais selvagens e muitos outros perigos e obstáculos, mas conta com a preciosa ajuda do seu cavalo Flyer, do capitão Brent, um velho companheiro de armas, e da gentil Jane Spring, filha do xerife que o persegue porque o considera um assassino.

A acção trepidante é descrita à maneira inglesa, sem balões, em legendas didascálicas, isto é, texto alinhado debaixo das vinhetas (em geral seis ou sete por página n’O Mosquito, que apresentou os primeiros episódios a cores).

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Em Janeiro, como já anunciámos, o Fandwestern reeditou duas outras histórias de Vítor Péon: “O  Juramento de Dick Storm“, publicada também n’O Mosquito, pouco tempo depois de Falsa Acusação”, e Três Balas”, cuja acção trepidante, baseada numa novela de Orlando Marques, se desenrola igualmente no cenário mítico do Oeste americano.

“O Juramento de Dick Storm” é outro western de boa cepa como “Falsa Acusação”, recheado de movimento e de lances dramáticos, com um herói obcecado pelo desejo de vingança, em luta com o bando que, por causa do mapa de um tesouro, tirou a vida ao seu pai. Em companhia da jovem e destemida Ruth Sinclair, Dick Storm irá encontrar esse tesouro (e o amor e a felicidade), depois de ter cumprido o seu juramento.

Mais uma vez, Péon deu largas ao prazer de desenhar cavalos, realçando o papel dos equídeos nesta aventura, mormente da montada de Dick (o “malhado), que intervém sempre a tempo de salvar a vida do dono.

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Oriunda d’O Pluto, revista editada por Roussado Pinto, em 1945-46, e que durou apenas 25 números, Três Balas” ficou incompleta, mas surgiu em nova versão (remontada parcialmente e com 120 estampas coloridas) numa das primeiras colecções de cromos do género, editada pela fábrica de rebuçados “A Oriental”.

Curiosamente, nesta movimentada aventura, cujo protagonista, chamado Duke Carson, mudou de nome na colecção de cromos — com o título “Fred Bill, o Terror do Texas” —, o mote é semelhante ao de “O Juramento de Dick Storm”: o juiz Carson, atacado pelo bando de Juanilo, o mexicano, entrega ao filho, antes de morrer, uma pistola com três balas, como instrumento da sua vingança.

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Embora tivesse ficado incompleta, como referimos, “Três Balas” é um perfeito paradigma dos serials cinematográficos dos anos 1930/40, que faziam furor entre a rapaziada, com uma acção que flui continuamente, à boa maneira de Péon, sem intrigas complicadas, centrada na dinâmica do movimento e na arte cinética dos cavalos.

A propósito, em Fred Bill, o Terror do Texas” o herói encontra um novo destino na companhia de Walzir, uma jovem índia de espírito abnegado, e de Corisco, o seu fogoso corcel, que transpõe rios e desfiladeiros e salta precipícios com uma agilidade espantosa, conseguindo escapar incólume, como o dono, às mais perigosas quedas.

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Estes fanzines encontram-se à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

A título de curiosidade, informamos que um dos próximos projectos de José Pires é a reedição das aventuras de “Texas Moore”, um dos mais empolgantes westerns criados por Vítor Péon e que teve publicação no Diabrete em 1947-48.

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