OUTRO NÚMERO DO “FANDWESTERN” – COM A GRANDE SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Outra série digna de relevo e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, tenciona também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 40 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do Mundo de Aventuras, que foi a primeira revista portuguesa de banda desenhada a apresentá-lo ao público, embora com outro nome, no ano já distante de 1958.

O episódio que José Pires agora recuperou, com 96 tiras, foi publicado no Mundo de Aventuras nº 1201, de 28/9/1972, com o título “A História de Zinc Bill”. Os revisores do MA deviam andar muito distraídos, pois este título, obviamente, é uma gralha. Trata-se do 47º episódio da série, com o título original Zincville Story.

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN”

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, quase inédito no nosso país, e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no nº 845 do Mundo de Aventuras.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Gato Alfarrabista, A Montra dos Livros e O Voo d’O Mosquito).

CINE-WESTERN E LITERATURA – 2

TRUE GRIT ou a maturidade do “Western”

Texto de Jorge Magalhães

indomavel-cartaz-do-filmeEm 17 de Fevereiro de 2011, estreou-se em Portugal, com o título Indomável, um dos filmes mais aguardados pelos cinéfilos que costumam acompanhar febrilmente a corrida aos Óscares, mas também por todos os apreciadores de “westerns” que lamentam que o seu género favorito tenha sido quase votado ao ostracismo pelos produtores de Hollywood, mau grado o êxito, nas últimas décadas, e a qualidade artística de filmes como Silverado (1985), Danças com Lobos (1990), Imperdoável (1992), O Último dos Moicanos (1992), Tombstone (1993), Wyatt Earp (1994), Rápida e Mortal (1995), Desaparecidas (2003), Open Range (2003), O Comboio das 3 e 10 (2007), Duelo de Assassinos (2007), Django Libertado (2012), O Renascido e Os Oito Assassinos (2015) ou Os Sete Magníficos (2016).

A distância temporal entre eles — quando nos lembramos de que no século passado, durante várias décadas, se produziram dezenas de “westerns” por ano, oriundos de pequenos e grandes estúdios — é mais o reflexo do alheamento dos produtores que do desinteresse do público, visto que quase todos conseguiram resultados de bilheteira que superaram as expectativas e até, como nos casos sem precedentes de Danças com Lobos e Imperdoável, os Óscares de melhor filme e de melhor realizador.

jeff-bridges-e-hailee-steinfeld-226x300Em 2016, feito quase idêntico foi alcançado pelo filme O Renascido, que deu a Leonardo di Caprio o Óscar de melhor actor e averbou mais dois prémios noutras categorias. Embora não tivessem conseguido ganhar nenhuma das cobiçadas estatuetas, Indomável (True Grit), um filme dos irmãos Joel e Ethan Cohen, com Jeff Bridges como protagonista, Django Libertado e Os Oito Assassinos, os mais recentes êxitos do irrequieto e polémico Quentin Tarantino, vieram relançar a questão da sobrevivência do “western”, um dos géneros cinematográficos mais antigos, mas que literariamente (salvo raras excepções) perdeu todo o fulgor que teve nos séculos XIX e XX.

Esse filão literário foi intensamente explorado pelos produtores e realizadores de Hollywood, dando origem a inúmeros filmes da série B, de cariz mais comercial do que artístico, mas também a produções ambiciosas, de elevado conteúdo estético, épico e dramático, que enobreceram o género e cimentaram o prestígio dos seus realizadores e intérpretes — como (entre muitas outras) A Caravana Gloriosa, Stagecoach (Cavalgada Heróica), Consciências Mortas, Rio Vermelho, Duelo ao Sol, Forte Apache, Shane, A Desaparecida, Cimarron, O Homem que Matou Liberty Valance, Pequeno Grande Homem ou A Velha Raposa.

charles-portisEste último foi o título dado em Portugal a True Grit, uma novela de Charles Portis adaptada pela 1ª vez ao grande ecrã em 1969, num filme realizado por Henry Hathaway, que valeu ao mítico actor John Wayne o seu primeiro e único Óscar. Em 2010, foi a vez dos irmãos Cohen redescobrirem o livro de Portis, abordando com novo realismo a história de uma obstinada rapariga (Mattie Ross) que contrata um velho xerife alcoólico e rabugento, mas implacável na defesa da lei e destro no manejo das armas (Rooster Cogburn), para ajudá-la a vingar a morte do pai, assassinado por um miserável vagabundo (Tom Chaney) que traíra a sua confiança.

Publicada em 1968, True Grit, a segunda novela de Charles Portis (na foto) — que, depois de participar na guerra da Coreia, se dedicou ao jornalismo, tornando-se escritor por vocação —, conheceu um sucesso imediato graças ao filme de Hathaway, com um John Wayne já envelhecido, mas imponente e audacioso como nunca, de pala no olho e rédeas nos dentes, carregando ferozmente sobre um grupo de bandoleiros, num dos últimos e maiores papéis da sua longa carreira.

Mas só 18 anos depois esse livro seria traduzido para português, numa colecção de saudosa memória, criada em 1982 pelas Publicações Europa-América, a colecção Western, que reuniu muitos autores famosos, desde Zane Grey, Clarence Mulford e Edgar Rice Burroughs (sim, esse mesmo… o criador de Tarzan!) a Louis L’Amour, Frank Gruber, W. R. Burnett, Elmer Kelton — todos norte-americanos, representando a essência do genuíno “western” literário, que nasceu muito antes dos primeiros filmes de “cowboys”.

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Alguns dos títulos incluídos nessa colecção são marcos de fundamental importância na relação entre literatura e cinema “western”, como Shane e Monte Walsh, de Jack Schaefer, Duelo ao Sol, de Niven Busch, O Maioral, de Owen Wister, A Cidade Turbulenta, de Max Brand, Incidente em Ox-Bow, de Walter van Tilburg Clark, Céu Aberto, de A. B. Guthrie Jr., ou mesmo O Último Moicano e Os Pioneiros, de James Fenimore Cooper, considerado por muitos o verdadeiro percursor do género. Todas estas obras foram adaptadas ao cinema, sob a direcção de grandes mestres como George Stevens, King Vidor, Victor Fleming, George Marshall, William Wellman, Howard Hawks e Michael Mann.

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Como ainda é possível encontrar alguns destes livros entre restos de edições da Europa- -América (disponíveis nas suas livrarias), aconselhamos os nossos leitores a não perderem o ensejo de conhecer uma das melhores colecções do género que já se publicaram em Portugal, constituída por 54 volumes em formato de bolso, com preço módico, traduções razoáveis (algumas até bastante boas) e um design gráfico das capas — na sua maioria excelentemente ilustradas por José Pires — que evoca as adaptações cinematográficas, nada ficando a dever ao das suas congéneres estrangeiras.

True Grit (A Velha Raposa), um livro que acabei recentemente de reler, foi o nº 32 dessa colecção, uma das muitas que enchem as minhas estantes, alimentando ainda hoje um insaciável fascínio pelo género. Voltaremos ao assunto muito em breve, neste blogue, com outro grande clássico da literatura western.

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Nota: Quem estiver interessado em ler True Grit, de Charles Portis, tem ao seu dispor outra boa edição portuguesa, com o título do filme dos irmãos Cohen, oportunamente dada à estampa pela Editorial Presença (2011), embora com uma capa muito inferior à que José Pires (com toda a sua experiência e interesse pelo género) desenhou para a colecção Western, da Europa-América, em 1986.

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN” ESPECIAL DEDICADO À SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a esforçada saga de reeditar na íntegra uma das melhores séries de cowboys da BD europeia, criada em 1955 por Tony Weare (desenhos) e Reg Taylor (argumentos) — a quem se juntou pouco depois outro notável argumentista, James Edgar —, o Fandwestern, fanzine editado por José Pires em formato “big size” (à italiana), apresenta este mês outro magnífico episódio desta incontornável série inglesa, com o título O Pastor Zinnerman.

À laia de curiosidade histórica, recorde-se que o referido episódio foi publicado pelo Mundo de Aventuras na década de 1970, quando esta revista atravessava uma das suas fases mais comerciais, embora em detrimento da qualidade na reprodução do respectivo material, pois o formato reduzido obrigava a cortes, montagens e supressões das tiras — por seu turno, com textos mal traduzidos e legendados —, prática que, aliás, se generalizou infelizmente a outros títulos editados, nessa época, pela Agência Portuguesa de Revistas.

Tudo isso procurou José Pires remediar, por puro amor à arte de Tony Weare, nas suas reedições da série Matt Marriott, feitas, nalguns casos, a partir de publicações estrangeiras ou de material facultado por um coleccionador português, cujo importante acervo é constituído por tiras originais e episódios publicados em jornais ingleses.

Aqui ficam, por gentileza de José Pires, a capa e duas páginas do Fandwestern com o episódio em causa — que no Mundo de Aventuras nº 1082 foi crismado (como documenta a respectiva capa, ilustrada por Carlos Alberto Santos) com o título O Estranho Pastor

NOVA SÉRIE DO “FANDWESTERN” DEDICADA A VÍTOR PÉON – VOLUMES 2, 3 e 4

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Por cortesia de José Pires, nosso amigo de longa data, companheiro de muitas jornadas desde os tempos heróicos em que lançámos o Fandaventuras e o Fandwestern (dois fanzines que ainda estão em publicação, graças ao incansável labor deste apaixonado pela BD clássica, que os edita mensalmente, com infalível pontualidade), apresentamos mais um número do Fandwestern, distribuído em Fevereiro, com a reedição da primeira história desenhada por Vítor Péon para a mítica revista O Mosquito, na sua estreia, em 1943, como autor de banda desenhada.

Neste número, figura também uma história curta de Péon, com o título “Traidor em Fuga” (e argumento de Orlando Marques), realizada em 1946 para O Pluto, revista em que Péon foi o principal colaborador artístico, ilustrando-a de uma ponta à outra, num alarde de talento, versatilidade e energia criativa.

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Denver Bill, o herói de “Falsa Acusação”, acusado de tentativa de homicídio, vê-se em apuros para provar a sua inocência, tendo de enfrentar bandidos, xerifes, “peles- -vermelhas”, incêndios, avalanches, ataques de animais selvagens e muitos outros perigos e obstáculos, mas conta com a preciosa ajuda do seu cavalo Flyer, do capitão Brent, um velho companheiro de armas, e da gentil Jane Spring, filha do xerife que o persegue porque o considera um assassino.

A acção trepidante é descrita à maneira inglesa, sem balões, em legendas didascálicas, isto é, texto alinhado debaixo das vinhetas (em geral seis ou sete por página n’O Mosquito, que apresentou os primeiros episódios a cores).

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Em Janeiro, como já anunciámos, o Fandwestern reeditou duas outras histórias de Vítor Péon: “O  Juramento de Dick Storm“, publicada também n’O Mosquito, pouco tempo depois de Falsa Acusação”, e Três Balas”, cuja acção trepidante, baseada numa novela de Orlando Marques, se desenrola igualmente no cenário mítico do Oeste americano.

“O Juramento de Dick Storm” é outro western de boa cepa como “Falsa Acusação”, recheado de movimento e de lances dramáticos, com um herói obcecado pelo desejo de vingança, em luta com o bando que, por causa do mapa de um tesouro, tirou a vida ao seu pai. Em companhia da jovem e destemida Ruth Sinclair, Dick Storm irá encontrar esse tesouro (e o amor e a felicidade), depois de ter cumprido o seu juramento.

Mais uma vez, Péon deu largas ao prazer de desenhar cavalos, realçando o papel dos equídeos nesta aventura, mormente da montada de Dick (o “malhado), que intervém sempre a tempo de salvar a vida do dono.

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Oriunda d’O Pluto, revista editada por Roussado Pinto, em 1945-46, e que durou apenas 25 números, Três Balas” ficou incompleta, mas surgiu em nova versão (remontada parcialmente e com 120 estampas coloridas) numa das primeiras colecções de cromos do género, editada pela fábrica de rebuçados “A Oriental”.

Curiosamente, nesta movimentada aventura, cujo protagonista, chamado Duke Carson, mudou de nome na colecção de cromos — com o título “Fred Bill, o Terror do Texas” —, o mote é semelhante ao de “O Juramento de Dick Storm”: o juiz Carson, atacado pelo bando de Juanilo, o mexicano, entrega ao filho, antes de morrer, uma pistola com três balas, como instrumento da sua vingança.

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Embora tivesse ficado incompleta, como referimos, “Três Balas” é um perfeito paradigma dos serials cinematográficos dos anos 1930/40, que faziam furor entre a rapaziada, com uma acção que flui continuamente, à boa maneira de Péon, sem intrigas complicadas, centrada na dinâmica do movimento e na arte cinética dos cavalos.

A propósito, em Fred Bill, o Terror do Texas” o herói encontra um novo destino na companhia de Walzir, uma jovem índia de espírito abnegado, e de Corisco, o seu fogoso corcel, que transpõe rios e desfiladeiros e salta precipícios com uma agilidade espantosa, conseguindo escapar incólume, como o dono, às mais perigosas quedas.

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Estes fanzines encontram-se à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

A título de curiosidade, informamos que um dos próximos projectos de José Pires é a reedição das aventuras de “Texas Moore”, um dos mais empolgantes westerns criados por Vítor Péon e que teve publicação no Diabrete em 1947-48.

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NOVA SÉRIE DO “FANDWESTERN”, DEDICADA A VÍTOR PÉON – VOL. 1: “UMA AVENTURA DE BUFFALO BILL”

buffalo-bill-peon-thriller296José Pires, especialista, como faneditor, na reedição de clássicos da “época de ouro” da BD portuguesa, inglesa e de outras origens — actividade que exerce há mais de duas décadas —, acaba de nos brindar, abrindo auspiciosamente o ano de 2017, com três volumes de uma nova série do seu Fandwestern, dedicada ao grande desenhador Vítor Péon (ver cartaz no final deste post), a quem se devem, como já assinalámos com o devido realce, as primeiras histórias de cowboys genuinamente realistas criadas por um autor nacional.

Mas o primeiro título desta nova série traz-nos uma absoluta novidade, pois reedita um western de Vítor Péon realizado, em 1958, para a revista inglesa Thriller Picture Library # 119, que era, até agora, inédito entre nós e ao qual José Pires deu o título “Uma Aventura de Buffalo Bill”, depois de o traduzir e legendar.

Trata-se de um magnífico trabalho, que já revela a maturidade de Péon no género western, depois de ter criado um dos seus maiores heróis nas páginas do Mundo de Aventuras: o icónico Tomahawk Tom, cuja popularidade chegou até às últimas décadas do século passado, num fenómeno de revivalismo sem paralelo na BD portuguesa.

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“Uma Aventura de Buffalo Bill” (intitulada no original Buffalo Bill and the Spectre of the Plains) foi realizada por Péon durante uma estadia de alguns meses na Bélgica, ao serviço da Agência Internacional A.L.I, para a qual produziu vários trabalhos destinados ao pujante (nessa época) mercado inglês de publicações juvenis, entre eles uma série de episódios com outro célebre e lendário herói: Robin Hood (que E.T. Coelho, aliás, seguindo um trajecto idêntico, também ilustrou para o mesmo editor inglês).

Exímio em ambos os géneros, histórico e de cowboys, Péon estreou-se com estes trabalhos num exigente e competitivo mainstream onde campeavam, nessa época, alguns dos melhores desenhadores europeus e sul-americanos de histórias aos quadradinhos, nomeadamente Jesús Blasco, D. C. Eyles (autor da capa do Thriller #119), Frank Bellamy, Ron Embleton, Hugo Pratt, Alberto Breccia ou Arturo del Castillo (para darmos apenas alguns exemplos). E o seu sucesso foi tal que não tardou a prosseguir uma nova carreira no Reino Unido, onde se radicou durante alguns anos, primeiro em Dundee (Escócia) e depois em Londres, trabalhando para duas grandes editoras, a D. C. Thomson e a Fleetway.

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Desfazendo alguns equívocos, esclarecemos que o autor literário desta primeira história de Péon para o mercado inglês, que na revista surge com o nome de Barry Ford, era uma talentosa argumentista, com vasta obra no domínio do western — que demonstrou conhecer profundamente —, chamada Joan Whitford. Feita a correcção necessária, porque não era norma nas revistas inglesas (salvo raras excepções) dar liberdade aos desenhadores para escreverem as suas próprias histórias, visto existir nas principais editoras um numeroso e prolífero núcleo de argumentistas, aqui têm mais duas páginas desta trepidante aventura de Buffalo Bill, que nos foram gentilmente cedidas por José Pires.

Este número do Fandwestern já se encontra à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas pode também ser encomendado ao editor, por quem não mora na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

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Muito em breve, apresentaremos mais edições primorosamente restauradas por José Pires, com os primeiros westerns de Vítor Péon publicados, na década de 1940, em revistas que deixaram saudades, como O Mosquito e O Pluto, onde este prolífico autor deu largas ao seu esfuziante talento, criando, num estilo dinâmico e emotivo, histórias de todos os géneros profusamente ilustradas, mas ainda com o texto à maneira antiga, isto é, em legendas didascálicas, imitando os comics ingleses dessa longínqua época.

Os interessados podem já adquirir os volumes 2 e 3, com os seguintes episódios: “O Juramento de Dick Storm”, segunda HQ de Vítor Péon publicada, em 1944, n’O Mosquito, e “Três Balas”, outro western cheio de acção, reproduzido d’O Pluto, revista editada por Roussado Pinto em 1945/46 e que durou apenas 25 números.

O volume 4, que apresenta “Falsa Acusação”, a história com que Péon se estreou n’O Mosquito, dois anos e meio antes, só sairá em Fevereiro, mas os leitores desta colecção podem (e devem) fazer já a sua reserva, pois o Fandwestern tem uma tiragem limitada e somente em casos que o justifiquem haverá reedições de números esgotados.

MATT MARRIOTT – UMA SÉRIE A RECORDAR

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No seu excelente fanzine Fandwestern (que já se publica desde os anos 90), José Pires acaba de reeditar mais um episódio da grande série Matt Marriott, intitulado “O Presídio Mexicano”, correspondente ao que saiu em 1973 no MA nº 1230 (1ª série), com o título “Uma Aventura no México”. Aqui se reproduzem ambas as capas, a título de curiosidade; mas não há dúvida de que aquela que merece nota mais alta é a do Fandwestern, por ter escolhido uma ilustração do próprio Tony Weare, com uma cena tauromáquica, o que é pouco vulgar em histórias de cowboys. Não lhes parece?

Mantendo sem desfalecimentos um ritmo regular de publi- cação, José Pires lançou também o mês passado um episódio inédito de Matt Marriott, com o título O Dia dos Lobos, excelentemente reproduzido a partir das tiras diárias originais. Os interessados podem contactar o faneditor através do seu email: gussy.pires@sapo.pt

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Voltaremos ao tema numa próxima oportunidade, com alguns artigos sobre esta magnífica série western de origem inglesa, criada em 1955 por Tony Weare (desenhos), Reg Taylor e James Edgar (argumentos). Apresentaremos também uma relação dos primeiros episódios publicados no Mundo de Aventuras e noutras revistas portuguesas, muitos dos quais já foram reeditados por José Pires no seu fanzine.

Entretanto, aqui ficam, para vossa apreciação, duas páginas do Fandwestern, respeitantes aos nºs 48 (O Dia dos Lobos) e 49 (O Presídio Mexicano).