FANZINES DE JOSÉ PIRES (OUTUBRO 2017)

No início deste mês, José Pires lançou mais um volume da série Terry e os Piratas, que está a reeditar por ordem cronológica, numa homenagem ao mestre Milton Caniff sem paralelo no nosso país. Apesar da sua enorme popularidade e de ser considerada uma obra-prima da época de ouro dos comics norte-americanos, esta série nunca teve entre nós a projecção que merecia. O FandClassics veio finalmente, por obra de José Pires, preencher essa lacuna… e já vai no 10º episódio!

Em Outubro, outro fanzine de José Pires, o Fandwestern, publicou um novo episódio de Matt Marriott, uma das melhores séries da BD inglesa, graças à extraordinária mestria gráfica de Tony Weare, um artista apaixonado pelo tema, que desenhou a série durante mais de 20 anos, com a colaboração do argumentista James Edgar, chegando mesmo a viajar até aos Estados Unidos, para percorrer de carro, durante longos meses, as regiões onde se desenrolavam as aventuras do seu herói!

É de inteira justiça reconhecer que nenhuma outra série abordou com tanta autenti- cidade a história do Oeste americano, durante a época da colonização, em meados do século XIX, compondo uma vasta galeria de personagens que dão digna réplica aos dois protagonistas, Matt Marriott e Powder Horn, incansáveis vagabundos que percorrem o Oeste em busca de trabalho, evitando armar sarilhos, mas sempre prontos a defender a honra e a justiça de colt em punho quando confrontados com malfeitores da pior espécie. E não há dúvida que nesta série a justiça vence sempre!

Mas a “cereja em cima do bolo” é mais um número do Fandaventuras, o mais antigo fanzine de José Pires ainda em circulação, também dedicado, desta vez, ao Oeste americano — mas de uma época histórica mais remota e não menos sanguinária, tal como foi magistralmente descrita por James Fenimore Cooper, um pioneiro da literatura norte-americana, criador de um novo género, cuja celebridade galgou fronteiras com o romance O Último dos Moicanos, editado em 1826.

Adaptada várias vezes ao cinema e à banda desenhada, além de ter dado origem a algumas séries de televisão, esta obra não perdeu até hoje o irresistível fascínio que se desprende das suas carismáticas e trágicas personagens, entre as quais avultam o caçador de gamos Olho de Falcão e os seus companheiros índios Chingachgook e Uncas, últimos descendentes da nobre raça dos Moicanos.

Publicada nos anos 70 pela revista Look and Learn — com desenhos de Cecil Langley Doughty, um dos maiores artistas ingleses do seu tempo, colaborador de diversas revistas juvenis, e textos de David Ashford, que se encarregou da adaptação —, esta versão copiosamente ilustrada d’O Último dos Moicanos tem a particularidade de seguir a linha narrativa do romance, em moldes arcaicos, com legendas, preferindo estas à linguagem mais arejada dos balões. Mas não deixa, por isso, de ser uma bela história!

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados a José Pires através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

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MAIS DOIS EPISÓDIOS DE MATT MARRIOTT REEDITADOS PELO “FANDWESTERN”

Entre as muito boas edições de BD que continuam a aparecer nas bancas, este mês de Agosto e o de Julho ficaram também assinalados, na área dos fanzines (edições mais modestas e de pequena tiragem, mas igualmente dignas de louvor), pela saída de mais dois números do FandClassics dedicados à série Terry e os Piratas, a famosa criação de Milton Caniff, praticamente inédita em Portugal, que o experiente faneditor José Pires está apostado em apresentar na íntegra, escalonada por 25 volumes, com mais de 70 páginas cada. Até agora já saíram oito volumes.

Outra série clássica a que José Pires tem dedicado especial atenção é o western inglês Matt Marriott (também conhecido entre nós, quando se estreou no Mundo de Aventuras, pelo bizarro nome de Calidano), que alia à extraordinária realização gráfica de Tony Weare, um virtuoso do traço expressionista, a originalidade e o dramatismo dos argumentos, na sua maioria escritos pelo prolífico James Edgar.

Com dois autores deste calibre, a série conquistou enorme popularidade nalguns países, mas Portugal é o único onde tem sido sistematicamente reeditada, graças ao entusiasmo de José Pires, que desde os primeiros números do Fandwestern, criado no longínquo ano de 1991, elegeu Matt Marriott como um dos seus personagens favoritos.

Em Julho, saiu mais um número deste fanzine, com outra aventura de Matt Marriott, intitulada “Os últimos dias de Augie Spencer” (43º episódio), que teve publicação no Mundo de Aventuras nº 1160 (1971), com o título “Os Diabos de Dekker”.

Constituída por 70 episódios, publicados entre 1955 e 1977, a série Matt Marriott foi bastante divulgada nalgumas revistas portuguesas, mas por vezes em condições deploráveis, devido às más práticas de editores, tradutores, legendadores e paginadores. Numa tarefa quase homérica, mantendo incansavelmente um ritmo de publicação regular, José Pires já recuperou mais de cinco dezenas de episódios, em formato big size e com as tiras integrais, restauradas a partir de publicações diversas (ou até mesmo de originais pertencentes a um coleccionador particular), propondo-se reeditar toda a série, embora lhe faltem ainda os dois últimos episódios.

No corrente mês de Agosto já foi distribuído outro número do Fandwestern com a trepidante aventura “Sargento Dulanty”, publicada no Mundo de Aventuras nº 1020 (1969), com o título “O Sargento Proscrito”. Como José Pires tem seguido uma ordem aleatória nos últimos números, publicando estes episódios consoante as conveniências de momento, convém referir que “O Sargento Proscrito” é muito anterior ao episódio “Os Diabos de Dekker”, ocupando o 36º lugar na tabela cronológica.

De qualquer modo, isso não belisca o interesse nem a sequência destas edições do Fandwestern, pois os episódios de Matt Marriott, na sua maioria, reportam-se a aventuras autónomas, sem ligação entre si, podendo ser lidos por qualquer ordem. Claro que a evolução do estilo de Tony Weare, mais solto na última fase da série, também é um factor a ter em conta ao estabelecer um critério editorial (ou de leitura).

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) devem ser encomendados directamente ao seu editor José Pires, escrevendo para o e-mail gussy.pires@sapo.pt

CAPRIOLI E O “WESTERN”: DAKOTA JIM, O “COWBOY” QUE DE VERDE SÓ TINHA A INDUMENTÁRIA

Trazemos-lhes hoje, como uma das curiosidades da nossa Rubrica do Oeste, mais uma magnífica ilustração de Franco Caprioli oriunda da série didáctica Popoli e Paesi (Povos e Países), dada à estampa na revista Il Vittorioso, que como muitos dos nossos leitores já sabem foi aquela onde o grande mestre italiano colaborou mais assiduamente, durante as primeiras décadas da sua fértil carreira.

A segunda curiosidade refere-se ao mesmo cenário, o Oeste americano, e a uma das criações mais singulares e primorosas (tanto em relação ao herói principal como aos desenhos) que saíram das mãos de Caprioli: Dakota Jim, o Cowboy Verde. Bastou o título desta história, dividida em duas partes, para aguçar o interesse dos leitores quando foi estreada no nº 144 do Cavaleiro Andante, em Outubro de 1954.

Infelizmente, Caprioli desenhou poucas histórias de cowboys, embora o tema o seduzisse, sem a menor dúvida, pois oferecia-lhe a oportunidade de espraiar a sua arte pela fauna, pelo folclore (sobretudo das tribos índias) e pelas deslumbrantes paisagens do Oeste americano, como esta aventura comprova em muitas das suas vinhetas.

Mas o Cavaleiro Andante pregou aos leitores uma partida, omitindo sem explicação uma das últimas páginas da história, por sinal recheada também de majestosos quadros da natureza selvagem. Claro que nenhum leitor da revista se apercebeu disso, porque a sequência das cenas (entre os nºs 167 e 168) não parecia interrompida.

Caprioli, com o seu lento ritmo narrativo e o seu amor pela natureza, explorava sempre mais o ambiente e as personagens do que a própria intriga — para ele um elemento quase secundário perante a beleza e o requinte estético das imagens com que decorava as suas páginas. Mas em Dakota Jim, o Cowboy Verde o argumento (sem qualquer relação com temas ecológicos, diga-se de passagem) até era um bom suporte dessa arte narrativa, cuja serena harmonia tanto encantava os leitores de todo o mundo.

Embora Caprioli fosse nitidamente um admirador das famosas séries B que, ainda nos tempos do cinema mudo, entusiasmavam a juventude, com os seus cowboys ágeis, românticos e destemidos — como Buck Jones, Tom Mix, Tim McCoy e outros —, Dakota Jim estabelece uma curiosa ponte entre esses primeiros e convencionais westerns, recheados de lutas, cavalgadas e tiroteios, com a acção e os heróis mais consistentes dos seus sucedâneos (sobretudo a partir dos anos 1940), cujos realizadores começavam também a descobrir a importância dos cenários naturais para cativar as audiências.

Muitos anos depois do Cavaleiro Andante ter publicado esta belíssima história, eu e o José Pires — que editávamos um fanzine chamado Fandwestern, inteiramente dedicado ao universo do Oeste americano, como o próprio título indica — resolvemos recuperá-la, reproduzindo em modestas fotocópias a preto e branco as páginas que Caprioli tinha magistralmente desenhado para nosso deleite, quando éramos mais jovens. E até conseguimos encontrar, numa revista francesa (pois não possuíamos o Il Vittorioso), a página que faltava no Cavaleiro Andante.

Lamentavelmente, nenhum de nós possui ainda a versão original dessa página, mas aqui fica a que publicámos no nº 7 do Fandwestern (Junho de 1996), completando assim, embora sem as magníficas cores de Caprioli, a versão portuguesa de uma das suas melhores criações dos anos 1950 — uma pausa (de certa forma, insólita) no género que mais lhe agradava e que lhe deu maior êxito: as grandes epopeias históricas como Aquila Maris (A Águia dos Mares), Hic Sunt Leones (Através do Deserto), L’Ussaro della Morte (O Hussardo da Morte) e Una Strana Avventura (Uma Estranha Aventura), entre outras.

FANDWESTERN – SÉRIE MATT MARRIOTT (JUNHO 2017)

Com periodicidade mensal, de uma regularidade sem falhas, para não defraudar os seus fiéis leitores, cujo número tem continuamente aumentado, o Fandwestern, editado por José Pires, prossegue a recuperação de uma das séries predilectas dos apreciadores do género, sobretudo daqueles que sabem distinguir o “trigo” do “joio”: Matt Marriott, magistralmente ilustrada por Tony Weare e com guiões, quase sempre excelentes, de James Edgar.

O episódio agora reproduzido, com superior qualidade, a partir das tiras originais, foi publicado, há mais de 40 anos, no Mundo de Aventuras nº 1236, com o título “Os Dois Velhos Inimigos”, mas totalmente remontado e “escortanhado”, portanto em condições que não agradaram, decerto, a nenhum fã da série.

Nesta reedição, em formato “big size”, à italiana, José Pires tem recorrido, muitas vezes, a material de origem fornecido por coleccionadores particulares, o que é obviamente uma garantia de qualidade gráfica, digna da magnífica arte de Tony Weare.

Os interessados podem encomendar este fanzine directamente ao seu editor, através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

OUTRO NÚMERO DO “FANDWESTERN” – COM A GRANDE SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a manter uma regularidade e uma periodicidade sem falhas, José Pires lançou este mês mais três volumes das séries que tem actualmente em publicação, com destaque para Terry e os Piratas, a obra-prima de Milton Caniff, cuja reedição integral abrangerá 25 números do FandClassics, cada um deles com mais de 70 páginas. O preço, no entanto, não varia, fixando-se nos 10 euros.

Outra série digna de relevo e que José Pires, fã incondicional do seu desenhador, o genial Tony Weare, tenciona também reeditar na íntegra (tendo já publicado mais de 40 episódios), é o magnífico western inglês Matt Marriott, bem conhecido dos leitores do Mundo de Aventuras, que foi a primeira revista portuguesa de banda desenhada a apresentá-lo ao público, embora com outro nome, no ano já distante de 1958.

O episódio que José Pires agora recuperou, com 96 tiras, foi publicado no Mundo de Aventuras nº 1201, de 28/9/1972, com o título “A História de Zinc Bill”. Os revisores do MA deviam andar muito distraídos, pois este título, obviamente, é uma gralha. Trata-se do 47º episódio da série, com o título original Zincville Story.

Estes fanzines estão à venda na Loja de José Manuel Vilela, Calçada do Duque, 19-A, 1200-155, Lisboa, mas podem também ser encomendados ao editor, por quem não morar na capital, bastando escrever para o e-mail gussy.pires@sapo.pt.

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN”

Imparável, cheio de energia e de uma regularidade impressionante, na sua actividade de faneditor, José Pires lançou este mês mais dois números dos seus excelentes fanzines Fandclassics e Fandwestern, o primeiro dedicado, na fase actual, à famosa série Terry e os Piratas, criada pelo mestre Milton Caniff em 1934, e que neste fanzine irá ter reprodução integral, dividida por 24 volumes, com 70 páginas cada. Um esforço digno de apreço, tanto mais que se trata do melhor período desta série, quase inédito no nosso país, e que José Pires conta divulgar no espaço de dois anos!

Quanto ao Fandwestern, fanzine mais antigo e de prestigiosas tradições, publica neste número outro episódio da série fetiche de José Pires: Matt Marriott, a inolvidável criação de Tony Weare (desenhos) e James Edgar (argumento), estreada entre nós no Mundo de Aventuras nº 437, de 2/1/1958, com o nome do herói alterado para Calidano, o Justiceiro.

O certo é que esse bizarro nome pegou e a série fez carreira no Mundo de Aventuras e noutras publicações da mesma editora (onde sofreu “tratos de polé”, devido ao pequeno formato dessas revistas), até ter direito a aparecer com o seu verdadeiro título, quase uma década depois, no nº 845 do Mundo de Aventuras.

Diga-se desde já que este número do Fandwestern tem um interesse acrescido, pois apresenta um dos últimos episódios desenhados por Tony Weare, na sua maioria ainda inéditos entre nós. Mais uma performance de José Pires que, no caso de Matt Marriott, já anunciou também a sua publicação integral, em 68 volumes, editando a propósito (para os leitores mais curiosos) um catálogo com todas as capas desta série, além das primeiras tiras e dos títulos originais dos 68 episódios que constituem a colecção.

(Nota: ver mais informações sobre os fanzines publicados por José Pires noutros blogues da nossa Loja de Papel: O Gato Alfarrabista, A Montra dos Livros e O Voo d’O Mosquito).

MAIS UM NÚMERO DO “FANDWESTERN” ESPECIAL DEDICADO À SÉRIE MATT MARRIOTT

Continuando a esforçada saga de reeditar na íntegra uma das melhores séries de cowboys da BD europeia, criada em 1955 por Tony Weare (desenhos) e Reg Taylor (argumentos) — a quem se juntou pouco depois outro notável argumentista, James Edgar —, o Fandwestern, fanzine editado por José Pires em formato “big size” (à italiana), apresenta este mês outro magnífico episódio desta incontornável série inglesa, com o título O Pastor Zinnerman.

À laia de curiosidade histórica, recorde-se que o referido episódio foi publicado pelo Mundo de Aventuras na década de 1970, quando esta revista atravessava uma das suas fases mais comerciais, embora em detrimento da qualidade na reprodução do respectivo material, pois o formato reduzido obrigava a cortes, montagens e supressões das tiras — por seu turno, com textos mal traduzidos e legendados —, prática que, aliás, se generalizou infelizmente a outros títulos editados, nessa época, pela Agência Portuguesa de Revistas.

Tudo isso procurou José Pires remediar, por puro amor à arte de Tony Weare, nas suas reedições da série Matt Marriott, feitas, nalguns casos, a partir de publicações estrangeiras ou de material facultado por um coleccionador português, cujo importante acervo é constituído por tiras originais e episódios publicados em jornais ingleses.

Aqui ficam, por gentileza de José Pires, a capa e duas páginas do Fandwestern com o episódio em causa — que no Mundo de Aventuras nº 1082 foi crismado (como documenta a respectiva capa, ilustrada por Carlos Alberto Santos) com o título O Estranho Pastor