OS “COWBOYS” DA SÉRIE B – 2

Texto de Jorge Magalhães

Satisfazendo a expectativa dos nossos leitores que se interessam por este tema, prosse- guimos a evocação dos populares cowboys dos filmes com 12 ou 15 episódios e de curta metragem (duas bobinas, uma hora de exibição) que fizeram as delicias dos espectadores, sobretudo dos mais jovens, numa época em que o western se afirmou como um dos géneros mais espectaculares do cinema, a seguir ao advento do sonoro (e até antes disso).

Alguns estúdios que apostaram forte na produção desses filmes, alcunhados com o pejorativo rótulo de “série B”, contrataram actores com larga experiência do ofício de cowboys, como Tom Mix, Buck Jones, Tim McCoy e Ken Maynard, cujas carreiras foram coroadas de êxito, devido especialmente aos seus dotes físicos, isto é, por serem rápidos no gatilho, destros com um laço e capazes de executar as mais arriscadas acrobacias sobre a sela de um cavalo, para gáudio das multidões que assistiam às suas performances (bem longe de parecerem fantasistas) nas salas de cinema, nos circos ou nos rodeos.

A popularidade destes novos heróis da tela — que, como Roy Rogers e Gene Autry, até sabiam cantar! — estendeu-se também às histórias aos quadradinhos, sobretudo no seu país de origem, os Estados Unidos da América (tema de um excelente artigo já publicado no nosso blogue, da autoria de Carlos Gonçalves).

Nos anos 80 do século passado, a popularidade desses ícones do cinema western não se tinha ainda extinguido no Brasil, ao ponto de a revista Aí, Mocinho! (9ª série), editada pela EBAL desde 1949, apresentar uma selecção das suas melhores aventuras ilustradas, completando-as com breves biografias de alguns dos actores que as encarnaram nos filmes da série B — bafejados durante várias décadas pelo êxito e pelo favoritismo de um público que não se cansava de aplaudir as suas proezas, tão reais nas telas prateadas dos cinemas como as de um Buffalo Bill ou de um Wild Bill Hickok!

No nº 2 da citada revista (cuja última série, contrariando as previsões mais optimistas, não foi além de oito números), coube a vez a dois “astros” do cinema western de primeira grandeza: Randolph Scott e Roy Rogers, com uma longa e frutuosa carreira — que no caso do “rei” dos cowboys cantores (casado com Dale Evans, a “rainha” das cowgirls), acabaria na televisão, muito tempo depois de se esgotar o maná dos westerns da série B.

Advertisements