EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL: 100 ANOS DE FASCÍCULOS DE AVENTURAS EM PORTUGAL

NOS TEMPOS HERÓICOS DA “LITERATURA DE CORDEL”

Uma grande exposição na Biblioteca Nacional, a não perder, organizada em parceria com o Clube Português de Banda Desenhada, sobre o multitudinário universo dos fascículos de aventuras que fizeram as delícias de várias gerações, na primeira metade do século XX, com fabulosos heróis que se gravaram na memória dos mais jovens e capas cheias de colorido e emoção, pelo traço dinâmico, na sua maioria, de Alfredo Januário de Morais (1872-1971), um dos mais prolíficos e populares artistas dessa época.

Estes fascículos de aventuras, de preço módico, impressos em papel de jornal,  influenciaram também um escol de novelistas portugueses, nomeadamente os que surgiram n’O Mosquito, n’O Senhor Doutor, no Tic-Tac, n’O Faísca, n’O Pluto e no Mundo de Aventuras, como Reinaldo Ferreira (o célebre Repórter X), António Feio, Raul Correia, Orlando Marques, José Padinha, Lúcio Cardador, Roberto Ferreira e Roussado Pinto.

Os leitores dessa época não dispensavam as aventuras de Texas Jack, do Capitão Morgan, de Raffles, de Nick Carter… E houve até um colaborador d’O Mosquito, Orlando Marques, que na sua juventude usou o cognome de Texas Jack, tal era o entusiasmo que este herói das pradarias lhe despertava e aos seus colegas do Liceu do Funchal.

Aliás, Texas Jack foi a grande série do Oeste Americano publicada nesses fascículos e chegou a atingir o “recorde” de 120 números, reeditados várias vezes. Ainda sou do tempo em que eles se vendiam em todos os quiosques e não perdia uma oportunidade de os ler, quando o porta- -moedas estava mais recheado ou emprestados pelos amigos.

Aqui ficam, para matar saudades, algumas capas dessa memorável colecção, exemplo perfeito do exuberante estilo de Alfredo de Morais.  (J. M.)

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A ARTE DOS MESTRES: ROSSANO ROSSI

Rossano Rossi em Beja, a desenhar para os seus fãs

Eis um conjunto de magníficas ilustrações de um desenhador italiano muito apreciado também pelos leitores texianos (e cujo estilo mostra algumas afinidades com o de Fabio Civitelli… estilos que, aliás, são dos mais singulares de toda a saga texiana).

Tex, ainda jovem, e a sua amada Lilyth, na arte de Rossano Rossi

Rossano Rossi, como já noticiámos, esteve presente no passado fim-de-semana em Beja, como convidado de honra do Festival Internacional de BD que está a decorrer (até ao próximo dia 10 de Junho) naquela antiquíssima cidade alentejana. Rodeado pelos seus fãs, teve ainda a companhia da Direcção (em peso) do Clube Tex Portugal: José Carlos Francisco, Carlos Moreira e Mário João Marques.

Esboços de Rossano Rossi, com Tex em acção

Os nossos agradecimentos ao Tex Willer Blog, de onde extraímos estes sugestivos exemplos da arte de Rossano Rossi, um desenhador de grande potencial, com muito ainda para oferecer aos seus inúmeros admiradores.

Tex, Kit Carson e o malévolo Mefisto, na arte de Rossano Rossi

ROSSANO ROSSI, DESENHADOR DE TEX, NO XIV FESTIVAL INTERNACIONAL DE BD DE BEJA

Fonte: Tex Willer Blog

Comemoram-se em 2018 os 70 anos de vida editorial de Tex Willer, a lendária personagem dos fumetti, criada por G. L. Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho), no distante ano de 1948, e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, que entra este ano na sua 14ª edição e realizar-se-á entre os dias 25 de Maio e 10 de Junho, não poderia ficar indiferente a estas sete décadas de vida de uma das personagens de banda desenhada mais amadas em Portugal e que arrasta sempre atrás de si uma enorme legião de fãs e coleccionadores.

Rossano Rossi irá a Beja desenhar para os seus fãs

O primeiro fim-de-semana, como é tradicional, será o mais preenchido. A inauguração ocorre no dia 25 de Maio, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura. E este ano, a abrilhantar o evento alentejano, teremos a presença de Rossano Rossi, consagrado desenhador italiano oriundo de Arezzo, terra que o viu nascer em 1964, que assim vem comemorar a efeméride (70 anos de Tex) a Portugal, para deleite dos seus inúmeros fãs e admiradores.

Rossano Rossi, desenhador de Tex, convidado do 14º Festival Internacional de BD de Beja

Como forma de agradecimento pelo convite efectuado por Paulo Monteiro, director do Festival de BD de Beja, Rossano Rossi desenhou Tex em Portugal, mais precisamente em Beja. O desenhador aretino elegeu a Torre de Menagem do Castelo de Beja — obra que se deve ao Rei D. Dinis, que a mandou edificar em 1310, e é considerada um dos melhores exemplos de arquitectura medieval, com a particularidade de ter sido toda construída em mármore — como pano de fundo para esta nova presença de Tex na cidade de Beja, visto que, no ano de 2010, Fabio Civitelli trouxe também o Ranger até à capital do Baixo Alentejo.

Tex Willer (pela arte de Rossano Rossi) no Castelo de Beja

Desenho este que, por cortesia do blogue português do Tex, temos o prazer de apresentar aos nossos leitores e, em especial, aos apaixonados Texianos portugueses. Mostramos também, para efeito de eventual comparação, uma fotografia (extraída do mesmo blogue) da imponente Torre de Menagem do Castelo de Beja, a mais alta da Península Ibérica, com aproximadamente 40 metros de altura e uma escadaria de acesso com 198 degraus.

Torre de Menagem do Castelo de Beja

Mais informações relacionadas com o Festival Internacional de BD de Beja (autores presentes, exposições, programa oficial, mapa, horários, informações úteis, contactos, etc.) estão disponíveis no sítio Internet oficial do Festival.

COLECÇÃO BONELLI – VOL. 6 : TEX – “NA PISTA DOS FORA-DA-LEI” E “O ASSASSINO DE ÍNDIOS”

Artigo de João Miguel Lameiras reproduzido do jornal Público, de 12 de Maio de 2018.

“A Pista dos Fora-da-Lei”, de Mauro Boselli e Carlos Gomez

A primeira aventura, “A Pista dos Fora-da-Lei”, escrita por Mauro Boselli e com os espectaculares desenhos do argentino Carlos Gomez, foi publicada pela primeira vez no Almanacco del West 2013. Nesta história, Tex, acompanhado por Jack Tigre e Carson, persegue o bando de Ozzie Johnson, que entretanto assaltou o banco de Clifton, uma pequena cidade mineira. Mas tudo passa para segundo plano quando um bando de apaches rebeldes decide atacar a povoação. Johnson e os seus homens vão mostrar uma inesperada coragem e nobreza de carácter, arriscando a vida para salvar as mulheres de Clifton.

“O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi

Na segunda aventura, O Assassino de Índios”, de Claudio Nizzi e Andrea Venturi – o desenhador de “Johnny Freak”, a inesquecível história de Dylan Dog publicada no terceiro volume desta colecção –, Venturi revela-se bastante à vontade na passagem para um género mais codificado como é o western, confirmando as suas pujantes qualidades artísticas ao serviço de uma história com contornos de inquérito policial.

AO SERVIÇO DA LEI

Strongheart, um dos mais famosos cães prodígios do cinema, foi (como já aqui referimos) uma das grandes séries publicadas n’O Mosquito, onde alcançou sucesso ainda mais duradouro do que n’O Senhor Doutor, outra revista da mesma época, embora alguns episódios fossem repetidos. Mas a mudança de nomes (Sherlock, Bob, Storm e finalmente Strongheart) baralhou um pouco os leitores, que nunca tiveram a certeza de que o popular herói canino fosse o mesmo em todas as aventuras que apareceram n’O Mosquito e n’O Senhor Doutor, durante um período de onze anos.

À grande artista Hilda Boswell cabe o privilégio de ter sido a única mulher a dedicar-se às histórias aos quadradinhos de aventuras, nessa época pioneira da BD inglesa. Nenhum leitor deve ter suspeitado que aquele robusto, dinâmico e vigoroso traço que tanto apreciavam era obra de mãos femininas, dado o anonimato que envolvia os colaboradores da Amalgamated Press e de outras editoras do Reino Unido.

Hilda Boswell ombreou talentosamente com os melhores desenhadores do seu tempo, nas revistas juvenis inglesas, além de ter ilustrado vários livros da famosa escritora Enid Blyton. O seu nome não merece cair no esquecimento, assim como o de G. W. Backhouse e de outros artistas ingleses das primeiras décadas do século XX, cujos trabalhos sem assinatura foram publicados, com grande êxito, n’O Mosquito e noutras revistas portuguesas da mesma época.

E. T. Coelho dedicou três capas ao episódio intitulado “Ao Serviço da Lei”, uma típica aventura da Polícia Montada, que se estreou n’O Mosquito nº 353, de 15/10/1942, pouco tempo depois deste magnífico artista se tornar seu colaborador. A capa do nº 360 foi, aliás, a primeira com o traço de E. T. Coelho a aparecer na revista, inaugurando uma das melhores fases do popular semanário juvenil, prestes a transformar-se em bissemanário e a encetar mais altos voos.

Na citada aventura, Strongheart (Coração Forte) chamava-se Storm (Tempestade), nome decerto inventado pelo tradutor/adaptador das legendas, ou seja, Raul Correia. Aqui ficam as três capas de E. T. Coelho, referentes aos nºs 360, 367 e 394 (1942-1943). 

“CAPITAN JACK”, DE TITO FARACI E ENRIQUE BRECCIA – UM NOVO ÃLBUM DE TEX EDITADO PELA POLVO

Capa e alguns detalhes de pranchas do livro “Capitan Jack” (Polvo Editora)

Fonte: Tex Willer Blog

A apresentação do livro “Capitan Jack”, o quinto volume da colecção TEX ROMANCE GRÁFICO, ocorreu no passado dia 28 de Abril, no auditório do Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, durante a 5ª Mostra do Clube Tex Portugal, e contou com a participação de Rui Brito (editor) e Pedro Bouça (prefaciador), sob moderação de João Miguel Lameiras.

O livro, com tradução de José Carlos Francisco, legendagem de Hugo Jesus e texto introdutório de Pedro Bouça, tem um formato de 18,5 x 24,5 cm e uma encadernação brochada: capa mole com badanas de 12,5 cm, 228 páginas a preto & branco, e foi confeccionado num papel de boa qualidade, estando enriquecido com ilustrações inéditas do prestigioso autor, nascido na Argentina, Enrique Breccia.

O preço deste 5º volume da colecção (os anteriores volumes foram “Patagónia” de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, “Tempestade sobre Galveston” de Pasquale Ruju e Massimo Rotundo, “O Segredo do Juiz Bean” de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda e “Ouro Negro” de Gianfranco Manfredi e Leomacs) é de de 16,99 euros nas livrarias, com IVA incluído, mas os sócios do Clube Tex Portugal puderam adquiri-lo por 15 euros (1,99 euros de desconto sobre o preço em livraria), no decorrer da 5ª Mostra do Clube, e os não sócios  por 16 euros, beneficiando assim de um desconto de 0,99 euros.

O livro também poderá ser comprado (directamente ao editor Rui Brito) por sócios do Clube Tex Portugal que não estiveram presentes no evento, inclusive os que residam fora de Portugal, pelos mesmos 15 euros, mas terão de adicionar 1,50 euros para despesas de envio (somente para território nacional). Se quiserem mais de um exemplar na mesma encomenda (deste ou de outro título de Tex), deverão adicionar 2,00 euros para despesas de envio (valor também para território nacional).

Para os sócios não residentes no nosso país, o valor dos portes a pagar depende do destino para onde for expedida a encomenda, pelo que também deverão contactar o editor Rui Brito para saber o valor total a pagar e a forma de efectuar o respectivo pagamento. O e-mail de contacto com este editor é ruibritobad@gmail.com.

Capa e elementos da contracapa, assim como de algumas páginas do livro “Capitan Jack”

CAPITAN JACK

Argumento: TITO FARACIDesenho: ENRIQUE BRECCIA
Polvo, 2018

O LIVRO

No sul do Oregon, Hooker Jim e o seu grupo de índios exterminam a família de Foster, um ex-ranger e velho amigo de Tex. No seu leito de morte, este clama por vingança e Tex parte em perseguição do impiedoso personagem. Entretanto, o confronto entre os Modocs e o Exército dos Estados Unidos é iminente. O Coronel Wheaton foi o escolhido para combater os índios e o recrutamento maciço de meios militares e de um grande contingente de soldados faz com que esteja seguro da vitória.

Os índios, por seu lado, podem contar com o valioso conhecimento do local do futuro campo de batalha, os “leitos de lava”, uma extensão de rochas, fendas e cavernas onde se refugiaram. Nesta aventura, baseada em acontecimentos reais, Tex irá cruzar-se com Capitan Jack, o chefe da tribo que irá liderar a heróica e desesperada resistência do seu povo, durante os anos de 1872 e 1873, contra os militares, mas que acabará traído pelo próprio Hooker Jim.

OS AUTORES

Tito Faraci (Gallarate, Varese, 1965) começou pela música e chegou, em 1995, ao universo Disney. Com Giorgio Cavazzano (a quem apelida de “mentor”), criou o personagem Rock Sassi e realizou inúmeras histórias, entre as quais “Il Segreto del Vetro” (2004), bem como “Jungle Town” (2006). A editora Einaudi dedicou- -lhe, em 2000, “Topolino Noir”, uma antologia das suas melhores histórias criminais para o universo Disney.

A sua colaboração com a Sergio Bonelli Editore começou em 1999, escrevendo para Dylan Dog. Elaborou também argumentos para Nick Raider, Magico Vento, Martin Mystère, “Speciale Cico” e criou ainda Brad Barron, protagonista de uma aclamada mini-série de 18 números e de vários especiais. De 2005 é “L’Ultima Battaglia”, romance gráfico desenhado pelo americano Daniel Brereton. Em Abril de 2007, juntou-se à equipa de argumentistas envolvidos na criação de Tex.

Escreveu ainda duas histórias para a Marvel: uma foi desenhada por Giorgio Cavazzano; a outra por Claudio Villa. Na “Topolino” publica em 2008 “La Vera Storia di Novecento”, escrita com a activa colaboração de Alessandro Baricco. Esta parceria produziu, em 2010, a adaptação a BD do romance “Senza Sangue”, desenhado por Francesco Ripoli e editado pela Edizioni BD, da qual Tito Faraci é o editor-chefe. Em 2009, publicou uma história para crianças, “Ilcane Piero, Avventure di un Fantasma” e em 2011, “Oltrela Soglia”, ambas pela Edizioni Piemme. Após um período de aventuras radiofónicas e de escrita para música, publicou, em 2015, pela Feltrinelli, o seu romance “La Vita in Generale”.

Enrique Breccia (Buenos Aires, 1945), realizou o seu primeiro trabalho como profissional em 1968, quando, juntamente com o seu pai, Alberto Breccia, ilustrou “La Vida del Che”, uma biografia do revolucionário “Che” Guevara escrita por Héctor Germán Oesterheld. Para a inglesa Fleetway, em 1972, desenha “Spy 13”, sob pseudónimo, e em seguida uma série de histórias de guerra para a revista italiana “Linus”. Remonta a 1976 a sua colaboração com o argumentista Carlos Trillo, com, entre outras, “El Buen Dios” e Alvar Mayor, um dos seus mais famosos personagens.

Em 1983, desenhou “Ibáñez”, escrito por Robin Wood, e no ano seguinte, “Sueñero El Tiempo”. Adaptou para Banda Desenhada vários clássicos da literatura, como “A Ilha do Tesouro” e “Moby Dick”. Com texto de Felipe Hernández Cava, em 1987, publicou “Lope de Aguirre”. Em 2000, iniciou a sua colaboração com a Marvel e a DC Comics, para a qual desenhou “Legion Worlds” e “Batman: Gotham Knights”. Ilustrou, em 2002, o romance gráfico “Lovecraft”, escrito por Hans Rodionoff. De 2005 a 2007, tornou-se no desenhador principal de “Swamp Thing”.

Destinado ao mercado francês, e sob textos de Xavier Dorison, desenhou “Les Sentinelles” (Delcourt, 2011). Em Lucca (Itália), foi galardoado com o prémio Gran Guinigi como “Maestro del Fumetto”, em 2011. Para a Sergio Bonelli Editore, criou uma história de Dylan Dog, em 2012. Recebeu ainda um “Diploma de Mérito” dos Prémios Konex, como um dos melhores ilustradores da última década, na Argentina. Vive actualmente em Spoleto, Itália, onde vem colaborando com a editora 001 Edizioni.

FICHA TÉCNICA

Capitan Jack
Argumento: Tito Faraci
Desenhos e capas: Enrique Breccia
Tradução: José Carlos Francisco
Legendagem: Hugo Jesus
228 pág., p/b, brochado com badanas
24,5 x 18,5 cm,
€16,99 (IVA inc.)
Polvo
, Abril 2018

Folhas de montagem das páginas do livro “Capitan Jack” (Polvo Editora)

A ACHA DE GUERRA

Na minha colecção de livros de aventuras, policiais, ficção científica, westerns (e não só), tenho alguns que (re) leio sempre com especial prazer. Um deles, intitulado “A Acha de Guerra”, é “a história autêntica e fascinante da luta das tribos peles- -vermelhas pela sua independência”, como vem anunciado na própria capa.

Este volume, com o nº 2, faz parte de uma célebre colecção juvenil de origem francesa, a Marabout Júnior, publicada em Portugal pela Editora Ulisseia, de boa memória, ainda muito activa na segunda metade do século XX.

Embora a colecção fosse maioritaria- mente dedicada às aventuras de Bob Morane, emblemática personagem criada pelo escritor Henri Vernes (e que passou à Banda Desenhada com igual êxito, tendo alguns álbuns publicados em Portugal), abordou também temas diversos, sobretudo relatos de natureza histórica e científica, “através da vida, da história, do universo, e das técnicas de hoje e amanhã”, dentro dos quais se insere “A Acha de Guerra”.

Com uma magnífica capa de Pierre Joubert e ilustrações de Dino Attanasio (num estilo realista que não era o seu forte, embora tenha desenhado algumas aventuras de Bob Morane), este livro da autoria de um desconhecido Jacques Seyr descreve os principais acontecimentos da luta pela conquista do Oeste americano, quando milhares de emigrantes vindos da Europa e de outras partes do mundo (até da Ásia) chegaram ao novo continente.

Desde a invasão das grandes planícies, onde viviam tribos aguerridas  como os Sioux, os Cheyennes e os Arapahoes, chefiados por Sitting Bull, Crazy Horse, Red Cloud, Gal e outros guerreiros de lendária fama, que foram rechaçadas dos seus territórios de caça depois da descoberta de ouro nas Black Hills (Colinas Negras), ocupadas pelos Sioux, até à sangrenta e longa guerra com os índios dos desertos do sudoeste, Navajos, Comanches, Apaches e outros, que opuseram feroz resistência  aos seus inimigos, guiados por chefes como Cochise e Geronimo, esta obra abarca 50 anos de história do Oeste americano, dando-nos um completo e apaixonante panorama do que foi essa heróica epopeia, mas pondo a tónica na desenfreada cobiça e ambição dos homens brancos, que usaram todos os subterfúgios para enganar e atraiçoar os índios, obrigando-os a desenterrar o machado de guerra sempre que os tratados de paz, que ingenuamente tinham celebrado com oficiais como Custer, Crook e Sheridan, eram violados ou reduzidos a letra morta.

O livro, traduzido por Roby Amorim, com um posfácio de Bernard  Hereuvelmans intitulado “O que são hoje os índios”, faz também  referência a um intrépido batedor de Fort Kearney, no Wyoming, chamado John Philips, por alcunha “Portuguee”, pois era descendente de colonos portugueses. Sozinho, no meio de uma terrível tempestade de neve, esse heróico soldado enfrentou todos os perigos, durante 250 milhas, para chegar ao Forte Laramie em busca de socorro para os seus camaradas de Forte Kearney, cercados pelos índios. E o seu extraordinário feito valeu-lhe ficar também na história do Oeste americano…  (J.M.)