TEX NO AMADORA BD 2017

TODAS as edições de Tex com o selo da Polvo Editora

à VENDA no Festival Amadora BD

Por José Carlos Francisco

A 28ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, o Amadora BD 2017, um evento organizado pela autarquia da Amadora, está a decorrer na capital portuguesa da Banda Desenhada, até ao dia 12 deste mês de Novembro. O Festival [cujo cartaz é da autoria de Nuno Saraiva] conta com diversas exposições, lançamentos editoriais e a presença de autores portugueses e estrangeiros de Banda Desenhada e, tal como nos últimos anos, tem decorrido no Fórum Luís de Camões.

Este ano o tema é “A Reportagem“, um dos géneros do jornalismo que, no caso da Banda Desenhada, pode ser concebido e realizado por artistas, com “uma liberdade criativa maior, ainda que tenham de relatar factos, sempre sob o dever de manter a ética e o compromisso com a sociedade“, referiu a organização aquando da inauguração do evento. E mesmo não havendo este ano nenhuma exposição ou lançamento relacionado com Tex Willer, ao contrário do ano passado, também se podem encontrar à venda todas as edições portuguesas de Tex com o selo da Polvo Editora, exemplares esses que estão disponíveis no stand da Polvo, já que a editora de Rui Brito mais uma vez marca presença no maior evento da Banda Desenhada em Portugal.

Edições portuguesas de Tex à venda no stand da Polvo, durante o Festival Amadora BD 2017

O stand da Polvo tem à venda TODAS as edições de Tex publicadas até hoje, inclusive o volume praticamente esgotado “Patagónia”, uma das mais emblemáticas aventuras de Tex, escrita por Mauro Boselli e superiormente ilustrada por Pasquale Frisenda, cujo lançamento teve lugar no dia 9 de Maio de 2015, no auditório do Museu do Vinho Bairrada, na cidade de Anadia, integrado na 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, que contou com a participação de Pasquale Frisenda.

Mas também, como referimos, “Tempestade sobre Galveston” (com as duas versões da capa), de Pasquale Ruju e Massimo Rotundo, assim como “O Segredo do Juiz Bean” (igualmente com as duas versões da capa), de Mauro Boselli e Pasquale Frisenda, e ainda “Ouro Negro” (com a capa exclusiva para Portugal), de Gianfranco Manfredi e Leomacs, são títulos que podem ser adquiridos no stand da Polvo por quem for visitar este ano o maior festival de Banda Desenhada realizado em solo português.

Directores e sócios do Clube Tex Portugal com o editor Rui Brito, no stand da Polvo

Trata-se de uma OPORTUNIDADE IMPERDÍVEL DE ADQUIRIR OS QUATRO VOLUMES DA COLECÇÃO TEX ROMANCE GRÁFICO para quem visitar o Festival e ainda não possuir estas verdadeiras obras-primas da 9ª Arte (grossos volumes de 18,5 x 24,5 cm, com mais de 200 páginas, impressas em papel de boa gramagem, com uma nitidez perfeita do preto e branco, capa em cartolina com badanas e prefácios exclusivos para as edições portuguesas), e assim poder degustar quatro movimentadas histórias, cheias de acção e que fazem jus à saga de quase 70 anos de Tex Willer.

Catherine Labey também se juntou aos texianos no stand da Polvo

(Post publicado no Tex Willer Blog, de onde o extraímos, com a devida vénia. Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

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DUKE – A NOVA SÉRIE DE HERMANN EDITADA EM PORTUGAL PELA ARTE DE AUTOR

“DUKE – A LAMA E O SANGUE”

EM 1886, UM DOS PEQUENOS POVOADOS DO COLORADO, NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, VÊ-SE SOB O JUGO DE SÁDICOS PISTOLEIROS CONTRATADOS PELO PROPRIETÁRIO DE UMA MINA, OS QUAIS NÃO TÊM QUAISQUER ESCRÚPULOS EM ASSASSINAR TODOS OS QUE SE ATRAVESSAM NO SEU CAMINHO.

MAS QUANDO AS VÍTIMAS COMEÇAM A SER MULHERES E CRIANÇAS, DUKE, O AJUDANTE DO XERIFE LOCAL, É OBRIGADO A ABANDONAR A SUA NEUTRALIDADE E A REVELAR O QUE MELHOR SABE FAZER: RECORRER ÀS ARMAS.

Argumento: Yves H. – Desenho: Hermann – Edição: cartonada, 56 páginas – Impressão: cor – Data de edição: Outubro de 2017 – Editor em Portugal: Arte de Autor – PVP: 15,00€

Hermann, um autor que não pára

Hermann Huppen nasceu na Bélgica, em Julho de 1938. Depois de terminar os estudos, com o fito de se tornar fabricante de móveis, profissão que não era o seu forte e em que trabalhou apenas duas semanas, abandona-a para ingressar num gabinete de arquitectura. Paralelamente, e à noite,  Hermann  estuda desenho de arquitectura e de decoração interior na Academia de Belas Artes de St. Gilles (Bruxelas).

Após uma permanência de três anos no Canadá, regressa a Bruxelas e casa-se. O destino dita-lhe como cunhado Philippe Vandooren, futuro director editorial da Dupuis, o qual, apreciando o seu jeito para o desenho, lhe encomenda uma pequena BD para uma revista de que é responsável: a mítica Spirou. Essa história chama a atenção de Greg, que entra em contacto com o jovem autor e lhe propõe uma experiência de seis meses no seu estúdio.

E é assim que, em 1966, Hermann começa a ilustrar Bernard Prince, uma série policial escrita por Greg e que é publicada noutra mítica revista, a Tintin (onde Greg era chefe de redacção), transformando-se em breve numa grande série de aventuras ao entrar em cena o iate Cormoran. Depois de uma incursão na série histórica Jugurtha (1967), escrita por Laymilie (Jean-Luc Vernal), da qual desenha os dois primeiros tomos, Hermann retoma a colaboração com Greg em Comanche, série western que surge em Dezembro de 1969.

Em 1977, Hermann sente necessidade de criar histórias autónomas e lança-se na sua primeira série a solo, Jeremiah, abordando um futuro apocalíptico. Entre 1980 e 1983, ilustra Nic, uma série onírica com argumento de Morphée (aliás, Philippe Vandooren). Em 1984, inicia uma nova série cuja acção decorre na Idade Média: As Torres de Bois Maury.

Hermann e Yves H. – pai e filho – uma parelha de sucesso

Exigente, curioso e trabalhador incansável, Hermann dedica-se na década de 90 à criação de “one-shots” (histórias sem continuidade): Missié Vandisandi (1991), Sarajevo-Tango (1995), Caatinga (1997) ou On a tué Wild Bill (1999).

Em 2000, com a cumplicidade de Van Hamme, desenha Lune de Guerre. Depois, com argumentos do filho, Yves H., surgem histórias como Liens de Sang, Le Secret des Hommes- -Chiens, Rodrigo, Zhong Guo, Manhattan Beach 1957, The Girl From Ipanema… ou Duke.

Hermann, que recebeu várias distinções ao longo da sua prolífica carreira, foi em 2016 homenageado com o Grande Prémio do Festival de Banda Desenhada de Angoulême. É um dos autores franco-belgas mais publicados em Portugal, tanto em álbuns como em revistas (Tintin, Mundo de Aventuras, Selecções BD), e já nos visitou algumas vezes. A Arte de Autor — uma novel editora que tem primado pelas boas escolhas — está de parabéns por trazer a sua nova série (de que mostramos algumas páginas) para o mercado bedéfilo português.

Páginas do álbum “Duke – A Lama e o Sangue” (edição Arte de Autor)

FANZINES DE JOSÉ PIRES (OUTUBRO 2017)

No início deste mês, José Pires lançou mais um volume da série Terry e os Piratas, que está a reeditar por ordem cronológica, numa homenagem ao mestre Milton Caniff sem paralelo no nosso país. Apesar da sua enorme popularidade e de ser considerada uma obra-prima da época de ouro dos comics norte-americanos, esta série nunca teve entre nós a projecção que merecia. O FandClassics veio finalmente, por obra de José Pires, preencher essa lacuna… e já vai no 10º episódio!

Em Outubro, outro fanzine de José Pires, o Fandwestern, publicou um novo episódio de Matt Marriott, uma das melhores séries da BD inglesa, graças à extraordinária mestria gráfica de Tony Weare, um artista apaixonado pelo tema, que desenhou a série durante mais de 20 anos, com a colaboração do argumentista James Edgar, chegando mesmo a viajar até aos Estados Unidos, para percorrer de carro, durante longos meses, as regiões onde se desenrolavam as aventuras do seu herói!

É de inteira justiça reconhecer que nenhuma outra série abordou com tanta autenti- cidade a história do Oeste americano, durante a época da colonização, em meados do século XIX, compondo uma vasta galeria de personagens que dão digna réplica aos dois protagonistas, Matt Marriott e Powder Horn, incansáveis vagabundos que percorrem o Oeste em busca de trabalho, evitando armar sarilhos, mas sempre prontos a defender a honra e a justiça de colt em punho quando confrontados com malfeitores da pior espécie. E não há dúvida que nesta série a justiça vence sempre!

Mas a “cereja em cima do bolo” é mais um número do Fandaventuras, o mais antigo fanzine de José Pires ainda em circulação, também dedicado, desta vez, ao Oeste americano — mas de uma época histórica mais remota e não menos sanguinária, tal como foi magistralmente descrita por James Fenimore Cooper, um pioneiro da literatura norte-americana, criador de um novo género, cuja celebridade galgou fronteiras com o romance O Último dos Moicanos, editado em 1826.

Adaptada várias vezes ao cinema e à banda desenhada, além de ter dado origem a algumas séries de televisão, esta obra não perdeu até hoje o irresistível fascínio que se desprende das suas carismáticas e trágicas personagens, entre as quais avultam o caçador de gamos Olho de Falcão e os seus companheiros índios Chingachgook e Uncas, últimos descendentes da nobre raça dos Moicanos.

Publicada nos anos 70 pela revista Look and Learn — com desenhos de Cecil Langley Doughty, um dos maiores artistas ingleses do seu tempo, colaborador de diversas revistas juvenis, e textos de David Ashford, que se encarregou da adaptação —, esta versão copiosamente ilustrada d’O Último dos Moicanos tem a particularidade de seguir a linha narrativa do romance, em moldes arcaicos, com legendas, preferindo estas à linguagem mais arejada dos balões. Mas não deixa, por isso, de ser uma bela história!

Estes fanzines (de tiragem bastante limitada) podem ser encomendados a José Pires através do e-mail gussy.pires@sapo.pt

OS ROSTOS DE UM HERÓI – 1

Um jovem Tex Willer na deslumbrante arte de Claudio Villa

(para o evento Lucca Comics & Games 2017)

A juventude de Tex, um longevo herói das histórias de cowboys de origem europeia, é todo um mundo com muitas peripécias ainda por desvendar. Estamos certos de que, cada vez mais, esse mundo será explorado pelos desenhadores e argumentistas da Sergio Bonelli Editore e que os fãs texianos ficarão rendidos à imagem de um Tex juvenil, diferente e próximo, ao mesmo tempo, daquele herói que tão bem conhecem.

O mesmo aconteceu com outras personagens de banda desenhada que, ao vencerem a barreira do tempo, procuraram voltar às origens, a um passado anterior à sua criação, ganhando assim ainda mais identidade mítica, para gáudio dos seus admiradores, sobretudo dos mais jovens (que se revêem na metamorfose física desses heróis) e dos que apoiam novas ideias, novos rumos, sem deturpar os padrões tradicionais.

Além disso, esse retorno de Tex ao passado (mote principal da colecção Romanzi a Fumetti) poderá permitir o seu encontro com figuras históricas que, na série actual, já desapareceram do mundo dos vivos e que, portanto, não podem ser reinventadas. Um autêntico manancial de aventuras e emoções, que dará certamente novo fôlego a um herói já quase com sete décadas de existência… e sempre no top da popularidade!

(Nota: as imagens deste post foram extraídas do Tex Willer Blog).

Romanzi a Fumetti vol. 6, desenhos de Stefano Andreucci (capa incluída), uma nova colecção que segue o modelo franco-belga de álbuns cartonados, com histórias completas

CLAUDIO NIZZI REGRESSA EM FORÇA COMO ARGUMENTISTA DE TEX

Por José Carlos Francisco

Claudio Nizzi viu ser terminada a sua longa e importante cola- boração na saga de Tex Willer nas edições italianas nº 631 e 632 de Tex, respectivamente publicadas em Maio e Junho de 2013, com a aventura “L’oro dei monti San Juan“, desenhada por Lucio Filippucci, que desse modo representava a última peça posta por Claudio Nizzi no mosaico das aventuras de Águia da Noite, depois de mais de 30 anos de carreira bonelliana e culminando precisamente o trigésimo aniversário a escrever aventuras do Ranger — já que essa sua última aventura permitiu, casualmente, a Nizzi cobrir com as suas histórias um arco de precisas 360 edições (de Tex 273 a Tex 632), que equivalem a exactos 30 anos.

A estreia na série principal de Tex acon- teceu em Julho de 1983 e dois anos depois já era o escritor principal, tendo em conta que mais de 50% das páginas publicadas tinham a sua assinatura, e inclusive em 1988, 1990 e 1992 cometeu a façanha de escrever todas as histórias publicadas nesses anos. Tal não acontecia desde 1975, quando pela última vez Gianluigi Bonelli conseguiu assinar todas as edições da série num só ano — e, sobretudo, não voltou mais a acontecer até aos nossos dias.

Mas para grande surpresa do mundo texiano, a carreira de Claudio Nizzi em Tex afinal não tinha terminado há quatro anos, como todos já tinham imaginado, porque recentemente Nizzi aceitou o convite de Mauro Boselli para voltar a escrever novas histórias de Tex.

A primeira história neste seu regresso terá 32 páginas e será publicada no próximo Color Tex, como já tínhamos anunciado AQUI mesmo [no blogue do Tex]. Trata-se da história “Dal tramonto all’alba, desenhada por Roberto Zaghi. Mas, numa recente visita à redacção da Sergio Bonelli Editore, conseguimos apurar que o regresso de Nizzi será em força e em grande estilo, pois Claudio Nizzi já escreveu TRÊS novas histórias do Ranger, todas elas longas e para séries bem consolidadas, mais precisamente duas para a série principal e uma para a série Maxi Tex.

E segundo nos confidenciou Giorgio Giusfredi, vice-editor de Tex, as histórias são muito boas e vão certamente agradar aos fãs e coleccionadores de Tex, já que Nizzi voltou em grande forma, tanto que já escreveu as 714 páginas que comporão estas três histórias, tendo a particularidade de uma delas ainda nem sequer ter sido começada a ser desenhada, visto o desenhador eleito, Giovanni Ticci, estar ainda a concluir a história comemorativa dos 70 anos de Tex e só depois começará a desenhar a aventura escrita por Nizzi, que terá assim uma velha dupla de muitos sucessos no passado: Ticci & Nizzi!

Mas também as outras duas histórias de Claudio Nizzi já estão destinadas a dois dos mais consagrados desenhadores da editora Bonelli: Lucio Filippucci e Giancarlo Alessandrini, conforme se pode ver numa das fotografias que ilustra este texto. Inclusive, podemos desse modo dar a conhecer os títulos provisórios destas três novas histórias de Tex:

Fuga verso il confine – Tex – Claudio Nizzi e Giovanni Ticci: 220 páginas
L’assedio di Mezcali – Tex – Claudio Nizzi e Lucio Filippucci: 220 páginas
– La grande congiura – Maxi Tex – Claudio Nizzi e Giancarlo Alessandrini: 274 páginas

(Texto e imagens extraídos, com a devida vénia, do Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas).

O CÉLEBRE ENCONTRO DE TEX COM BUFFALO BILL

Poster Tex Nuova Ristampa #285

Nesta belíssima “fotografia”, ou melhor, ilustração da autoria de Claudio Villa [actual capista da mais popular série da BD western] vemos em frente ao Wild West Show estacionado na cidade de Nova Orleans, um cumprimento especial entre o famosíssimo Tex Willer e o não menos famoso Buffalo Bill Cody, tendo Kit Carson e Annie Oakley, uma exímia atiradora, como testemunhas desse reencontro entre dois ícones do Velho Oeste.

Desenho inédito no Brasil e inspirado na história “Il ritorno del Maestro”, de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #435 a #438).

(Imagem e texto extraídos do Tex Willer Blog. Para aproveitar a extensão completa do poster, clique no mesmo).

AS IMAGENS DA BD SERÃO MAIS REALISTAS?

Por Jorge Magalhães

A Banda Desenhada tem destas coisas… Consegue juntar personagens reais com heróis cujas proezas são fruto unicamente da imaginação — neste caso, os nossos bem conhecidos Tex Willer e Kit Carson e duas figuras míticas do lendário Oeste americano, também recriadas pelo cinema e pela BD, Buffalo Bill e Annie Oakley, fielmente retratadas na imagem —, dando um cariz vívido tanto a uns como a outros. O que cria um paradoxo entre ficção e realidade, porque as imagens desenhadas são menos fugazes do que as imagens que brilham e perpassam, rápidas, numa tela de cinema ou num ecrã de TV.

Digamos, por outras palavras, que no nosso imaginário as personagens da BD têm uma dimensão mais real (e, ao mesmo tempo, mais onírica) do que as que figuram em livros, revistas, gravuras ou até filmes. Não só por terem espessura física — a que lhes é conferida pelo traço dos desenhadores —, mas também por terem alma — a que lhes é conferida pelas palavras e pelo pensamento dos guionistas. E também por serem imagens fixas — sem movimento aparente, mas que formam um conjunto e variam de cena para cena, criando uma dinâmica própria —, com as quais o leitor pode estabelecer uma relação mais próxima, pois estão sempre presentes, não se desvanecem como as do cinema, numa sucessão de instantes que nunca se repetem durante a exibição de um filme.

Nos livros podemos imaginar as personagens, o seu aspecto físico, o seu vestuário, as suas maneiras, até os locais onde vivem ou por onde passam, mas não as vemos nem ouvimos as suas palavras, só fixamos o seu pensamento e as suas acções. Estão presentes, mas distantes de nós. Tal como num quadro ou numa fotografia, cujas figuras também são mudas e em que a dinâmica do movimento, mesmo aparente, não existe. Além disso, pertencem ao passado, ao tempo em que foram pintadas ou fotografadas. Somente a BD, arte intemporal, tem o poder de transfigurar as imagens, criando a ilusão de que falam, através dos balões ou filacteras (que são uma extensão da própria voz), e de que estão em movimento, embora permaneçam sempre no mesmo lugar. 

No teatro as personagens ganham outra vida, são reais, de carne e osso, podem até sair do palco para meter conversa connosco. Mas desaparecem quando o espectáculo acaba. Só poderemos voltar a vê-las se regressarmos ao teatro. E com uma certeza: a de que os actores são os mesmos, mas as personagens já se transformaram, já mudaram, mesmo imperceptivelmente, porque nunca há dois momentos de representação iguais. Só no cinema, depois de escolhidos os takes na altura da montagem.

Posto isto, ficam as belas imagens da Banda Desenhada e de Tex Willer, em particular — que são tão imutáveis como as palavras escritas (ou como os fotogramas, quando separados uns dos outros) —, e as suas personagens icónicas, que têm sobre as demais a grande vantagem de viverem num plano dimensional onde o tempo não existe, ao contrário do que se passa nos filmes e até nos livros. Ora vejamos…

Quando estamos a ver um filme, é como se viajássemos no tempo (e as personagens acompanham-nos); quando lemos um livro, é o nosso pensamento que forja a sequência temporal (e as personagens respondem-nos, através da cortina invisível que esconde a sua identidade); quando passeamos o olhar por uma sucessão de imagens de BD é como se estivéssemos parados no tempo… como se fossem elas a guiar-nos por um caminho onde princípio e fim acabam sempre por encontrar-se, num eterno presente.

Cristalizando essa dimensão, a BD (cujos heróis evoluem no tempo, mas raramente envelhecem) torna as suas imagens ainda mais reais. Um hiper-realismo que ultrapassa o de qualquer outra forma de arte!

OS “COWBOYS” DA SÉRIE B – 3

Continuando a apresentar esta série dedicada aos cowboys que, graças ao fascínio e à magia do cinema, se tornaram ídolos das multidões, ícones imunes à passagem do tempo que encarnavam o verdadeiro homem do Oeste — um espaço legendário de onde muitos deles eram oriundos, tendo triunfado na tela devido às suas habilidades equestres, à experiência como cavaleiros adquirida nas tarefas que exerciam em ranchos e espectáculos de circo (como Tom Mix e Ken Maynard, por exemplo) —, eis mais dois textos reproduzidos da revista brasileira Aí, Mocinho!, cuja última série durou apenas oito números.

No seu terceiro número (Janeiro de 1987), surgiram as biografias de Rod Cameron e Tex Ritter, dois “astros” da série B que nos anos dourados do western fizeram também vibrar as plateias, embora a sua popularidade não fosse comparável à dos campeões de bilheteira como Buck Jones, Roy Rogers, Hopalong Casssidy e Gene Autry.

No entanto, os seus filmes ainda hoje permanecem na memória de muitos cinéfilos que eram crianças ou adolescentes nesse tempo… quando ir ao cinema para ver um filme de cowboys — geralmente nas noites de sábado ou nas matinés de domingo, em que havia folga das aulas e dos trabalhos de casa — era um acontecimento ansiosamente aguardado durante toda a semana. E que se prolongava, depois, na leitura dos comic books que empolgavam também a juventude, passando de mão em mão porque era preciso poupar os cêntimos para o filme que se exibia na sessão seguinte.

Em Portugal acontecia o mesmo e decerto ainda há quem se recorde dos trepidantes episódios com famosos heróis do western publicados no Mundo de Aventuras e congéneres, entre os quais, de vez em quando, Rod Cameron e Tex Ritter faziam também boa figura.

Tex Ritter — cowboy cantor como Roy Rogers e Gene Autry — teve também direito a uma revista com as suas aventuras, editada pela Fawcett. Claro que nos desenhos dessa revista o seu aspecto era muito mais jovem do que no cinema. Ei-lo de corpo inteiro nesta foto, junto do seu belo cavalo White Flash, tão popular como Trigger, a montada de Roy Rogers.