LIVROS SOBRE “WESTERN”: OS 50 MELHORES FILMES

Eis mais um livro da minha vasta (e eclética) colecção de literatura western — em que incluo também, sem reservas, algumas obras de Banda Desenhada —, publicado em 2016 pela editora londrina Icon Books Ltd (ISBN: 978-178578-098-1).

O livro em causa, da autoria de Barry Stone, um crítico cinematográfico residente em Sidney, Austrália (que o dedicou ao pai, com quem aprendeu a gostar de westerns), apresenta uma lista dos 50 melhores filmes deste género, na óptica do citado crítico, com cujas escolhas não estou inteiramente de acordo.

Sendo o Western um género bem definido e codificado, praticamente desde os seus primórdios, na época do cinema mudo, incluir nessa lista filmes pertencentes a outras categorias, ainda que com temas semelhantes — como Outland, Seven Samurai e Yojimbo —, parece-me uma deturpação da sua identidade, como sinónimo de uma epopeia histórica (embora romanceada): a conquista do Oeste Americano pelos pioneiros e a transição de um mundo primitivo para uma sociedade dominada pelo homem branco, onde as raças aborígenes, submetidas a esse domínio, após longas lutas, quase não tinham direito a existir.

Além disso, não podemos olvidar a importância de um elemento como a paisagem na maioria dos westerns dignos desse nome. Trata-se de um género que saiu rapidamente dos estúdios onde foi criado para os exteriores, e que deve a isso a sua sobrevivência, quando eclodiu a era do cinema sonoro. Sem a paisagem típica das pradarias, dos desertos e das cidades do Oeste — o habitat natural dos índios e dos colonos —, os westerns soam a falso.

“Shane” (1953), de George Stevens, um dos maiores “westerns” da história do cinema

No entanto, este livro adopta um critério mais lato, considerando que o género não tem fronteiras geográficas nem temporais, identificando-se perfeitamente com outros temas, quaisquer que eles sejam, que abordem o confronto dos homens com a natureza selvagem.

Apesar da minha discordância, pelas razões expostas, não deixo de o achar recomendável para os apreciadores de bons westerns clássicos, como Shane, High Noon, Stagecoach, My Darling Clementine, Johnny Guitar, Red River, Rio Bravo e muitos outros — ou de produções mais modernas, como Dances with Wolves, Unforgiven, Django Unchained, The Hateful Eight e The Revenant —, cuja análise crítica e histórica passa pelo crivo apertado de Barry Stone.

Esses apreciadores sentir-se-ão certamente recompensados com a sua leitura (caso saibam inglês), visto não haver actualmente, tanto nos cinemas como na maioria dos canais televisivos, ciclos dedicados ao Western. Descobrir uma obra como esta, há dois anos, num grande espaço livreiro (a FNAC), foi para mim uma agradável surpresa.  (JM)

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