A ACHA DE GUERRA

Na minha colecção de livros de aventuras, policiais, ficção científica, westerns (e não só), tenho alguns que (re) leio sempre com especial prazer. Um deles, intitulado “A Acha de Guerra”, é “a história autêntica e fascinante da luta das tribos peles- -vermelhas pela sua independência”, como vem anunciado na própria capa.

Este volume, com o nº 2, faz parte de uma célebre colecção juvenil de origem francesa, a Marabout Júnior, publicada em Portugal pela Editora Ulisseia, de boa memória, ainda muito activa na segunda metade do século XX.

Embora a colecção fosse maioritaria- mente dedicada às aventuras de Bob Morane, emblemática personagem criada pelo escritor Henri Vernes (e que passou à Banda Desenhada com igual êxito, tendo alguns álbuns publicados em Portugal), abordou também temas diversos, sobretudo relatos de natureza histórica e científica, “através da vida, da história, do universo, e das técnicas de hoje e amanhã”, dentro dos quais se insere “A Acha de Guerra”.

Com uma magnífica capa de Pierre Joubert e ilustrações de Dino Attanasio (num estilo realista que não era o seu forte, embora tenha desenhado algumas aventuras de Bob Morane), este livro da autoria de um desconhecido Jacques Seyr descreve os principais acontecimentos da luta pela conquista do Oeste americano, quando milhares de emigrantes vindos da Europa e de outras partes do mundo (até da Ásia) chegaram ao novo continente.

Desde a invasão das grandes planícies, onde viviam tribos aguerridas  como os Sioux, os Cheyennes e os Arapahoes, chefiados por Sitting Bull, Crazy Horse, Red Cloud, Gal e outros guerreiros de lendária fama, que foram rechaçadas dos seus territórios de caça depois da descoberta de ouro nas Black Hills (Colinas Negras), ocupadas pelos Sioux, até à sangrenta e longa guerra com os índios dos desertos do sudoeste, Navajos, Comanches, Apaches e outros, que opuseram feroz resistência  aos seus inimigos, guiados por chefes como Cochise e Geronimo, esta obra abarca 50 anos de história do Oeste americano, dando-nos um completo e apaixonante panorama do que foi essa heróica epopeia, mas pondo a tónica na desenfreada cobiça e ambição dos homens brancos, que usaram todos os subterfúgios para enganar e atraiçoar os índios, obrigando-os a desenterrar o machado de guerra sempre que os tratados de paz, que ingenuamente tinham celebrado com oficiais como Custer, Crook e Sheridan, eram violados ou reduzidos a letra morta.

O livro, traduzido por Roby Amorim, com um posfácio de Bernard  Hereuvelmans intitulado “O que são hoje os índios”, faz também  referência a um intrépido batedor de Fort Kearney, no Wyoming, chamado John Philips, por alcunha “Portuguee”, pois era descendente de colonos portugueses. Sozinho, no meio de uma terrível tempestade de neve, esse heróico soldado enfrentou todos os perigos, durante 250 milhas, para chegar ao Forte Laramie em busca de socorro para os seus camaradas de Forte Kearney, cercados pelos índios. E o seu extraordinário feito valeu-lhe ficar também na história do Oeste americano…  (J.M.)

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