AS CAPAS DOS MESTRES – 1

           AS CAVALGADAS DE JERRY E PANCHO NO             “MUNDO DE AVENTURAS”

Texto de Jorge Magalhães (extraído, com a devida actualização, d’O Gato Alfarrabista)

Nestas capas, que assinalam o percurso do famoso Jerry Spring e do seu inseparável companheiro mexicano no Mundo de Aventuras — onde se estrearam no nº 54 (2ª série), de 10/10/1974, com a trepidante aventura “Tráfico de Armas”, ainda inédita em Portugal, depois de galoparem também, à rédea solta, no Cavaleiro Andante e no Zorro —, falta um pequeno pormenor: a assinatura do desenhador (excepto na do nº 137).

Quase todos os leitores sabem que esta série, uma das mais emblemáticas da BD western de origem europeia, foi criada na revista belga Spirou por Joseph Gillain (Jijé), artista polivalente, mestre de mestres no campo da ilustração, pintor, escultor e inventor, cujo centenário se festejou em 2014, tendo a sua vasta obra sido alvo, a pretexto dessa efeméride, de uma notável exposição promovida pela Câmara Municipal de Moura e pelo Gicav (Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu), que esteve patente até 21 de Julho desse ano no centro histórico daquela cidade alentejana de nobres e antiquíssimas tradições, transitando depois para Viseu. Durante o corrente ano de 2017, esteve também em grande destaque na sede do Clube Português de Banda Desenhada (Amadora).

No blogue BDBD, orientado por Luiz Beira e Carlos Rico — os dois principais mentores da referida mostra, cuja admiração por Jijé já vem de longe —, pode ser ainda visionada uma reportagem feita no primeiro dia de abertura desse evento, que contou com a grata presença de um neto de Joseph Gillain, residente em Portugal:

http://bloguedebd.blogspot.pt/2014/06/jije-comemorado-em-moura-reportagem.html

A maioria das capas do Mundo de Aventuras dedicadas a Jerry Spring são originais reproduzidos dos álbuns da série (1ª edição), publicados nos anos 1950 e 1960 pelas Éditions Dupuis, mas há duas que não foram desenhadas por Jijé. Além de outras três com características diferentes (nºs 235, 257 e 467), adquiridas como material de agência a um vendedor espanhol e que figuram, a título de curiosidade, depois desta selecção.

Como confiamos na perspicácia e nos conhecimentos dos habituais seguidores deste blogue, aqui lhes lançamos um desafio, à maneira dos “concursos relâmpago” que algumas revistas juvenis de boa memória organizavam em tempos idos: serão capazes de descobrir essas duas capas que, embora pareçam ter o cunho estilístico e a qualidade formal de Jijé, não são da sua autoria, e dizer-nos o nome do seu verdadeiro ilustrador?

Convidamos também os nossos leitores para um exercício simples, mas curioso. Observando atentamente este grupo de capas, poderão apreciar a variação dos cabeçalhos e do preço de venda ao público do Mundo de Aventuras, que aumentou de 5$00 para 20$00 no espaço de oito anos. A inflação e o custo progressivo das matérias-primas, sobretudo do papel, a isso obrigavam… dando muitas dores de cabeça aos editores.

A percentagem dos aumentos também não parava de subir e, em determinada altura, o preço deixou de estar em destaque na capa. Tudo isso obedecia a uma estratégia comercial cuidadosamente planeada pela gerência da APR, em face das constantes flutuações do mercado. Uma época difícil para muitas publicações de BD (e não só), em que as tiragens diminuíam na mesma progressão dos inexoráveis aumentos de preço.

Como coordenador, vivi essa fase de instabilidade por dentro, durante os anos 80, sempre na expectativa de que a crise, como uma espada de Dâmocles, cortasse abruptamente a longa carreira do Mundo de Aventuras. Afinal, foi a revista da APR que resistiu mais tempo… quase até ao encerramento da empresa. O último número apareceu nas bancas em 15 de Janeiro de 1987 e já custava 50$00! Sem aumento do número de páginas, nem melhoria da qualidade do papel… debatendo-se na lenta agonia de uma morte inevitável!

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2 thoughts on “AS CAPAS DOS MESTRES – 1

  1. Caro Jorge,
    Tenho a última série do Mundo de Aventuras completa, onde se incluem todos os Jerry Spring publicados por essa prestigiada revista. Na altura foi uma série que me marcou muito e que aguardava com ansiedade a publicação das suas aventuras, já que ainda não as tinha nas versões francesas, como hoje acontece. Apesar do formato mais reduzido, a verdade é que o Mundo de Aventuras publicou estás aventuras no magnífico preto e branco de Jijè, que é para mim um dos monstros sagrados da BD, nomeadamente francófona, a par de Hergé, Jacobs, Uderzo e Franquin.
    Não podendo ter acesso imediato a esta minha coleção do Mundo de Aventuras, pois está guardada num armário, neste momento com acesso obstruído, vou tentar adivinhar que as capas dos números 325 e 466 terão sido desenhadas pelo nosso grande artista Augusto Trigo.
    Abraço

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  2. Caro Mário,
    Obrigado pelo seu comentário… e congratulo-me por ser também, como eu, um confesso admirador de Jijé. Foi por isso que publiquei algumas aventuras de Jerry Spring no MA, escolhendo sobretudo material inédito, embora uma ou duas já tivessem saído no “Cavaleiro Andante” (mas a cores).
    Quanto ao desafio que aqui foi lançado, e como não houve até agora mais respostas, devo dizer-lhe que acertou em cheio. Parabéns!
    Um abraço,
    JM

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