MESTRES DO CONTO “WESTERN”: JOHNSTON MC CULLEY – AUTOR DE “O SINAL DO ZORRO” (5)

A NOITE DO ANO NOVO  (4ª e última parte)

Como prometido, aqui têm a conclusão do conto de Johnston McCulley publicado em 1949 n’O Mosquito nºs 1051 a 1054, com tradução de Raul Correia e um sugestivo cabeçalho desenhado por E. T. Coelho. Como muitos outros que figuraram na rubrica “Antologia de Contos de Acção”, este conto era oriundo da célebre revista americana The Saturday Evening Post, à qual já fizemos referência num artigo anterior.

Resumo: O Ranger Pat Malloy chega a Copper City, nas vésperas do Ano Novo, para visitar a sua noiva, e é informado pelo pai desta que a cidade poderá tornar-se um inferno quando começarem os festejos, à meia-noite, devido à presença de dois bandos rivais. Um deles é chefiado pelo desordeiro Bart French, que planeia vingar-se de Malloy (por este o ter prendido, em tempos) e de Ed Catlin, gerente da Companhia Mineira.

À meia-noite em ponto, estalam as primeiras salvas de tiros, celebrando a passagem do ano, mas Bart aproveita a oportunidade para alvejar traiçoeiramente Ed Catlin. Forçado a intervir, Malloy derruba French com uma coronhada, enquanto os seus cúmplices se refugiam no saloon onde tinham passado a noite a beber.

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IV

Uma bala arrancou o chapéu da cabeça do Ranger, mas o tiroteio esmorecia rapidamente. Sentia-se prestes a explodir o perigo que Pat Malloy mais receava… e que era uma luta entre os minei­ros e os brush-poppers. Uma voz rouca praguejou e um grito encheu a rua:

— Atirem nos brush-poppers! Mataram o Catlin! Fogo neles!…

Malloy encaminhou-se para a porta aberta do saloon de Pedro Lopez e olhou para dentro. Os brush-poppers estavam ali quase todos reunidos, falando em tumulto e carregando as armas. Bart French tinha sido encostado à parede e um homem dava-lhe a beber uns goles de whisky. Bart rouquejava ordens.

De repente, estalou uma detonação e Malloy sentiu uma pancada no braço esquerdo. Voltando-se no mesmo instante, disparou sobre um homem que tentava esconder-se com o ângulo do barracão. Os mineiros, do outro lado da rua, tinham-se jun­tado em grande número à porta do armazém. Um deles gritou:

— Aí vamos, Ranger!

— Fiquem onde estão, rapazes! Vigiem Catlin! Ele está vivo?

— O médico diz que sim!

— Deixem o resto comigo!

Pat tinha falado sem se voltar, mantendo sob a ameaça das armas os homens que estavam dentro do saloon. Começava a sentir o sangue escorrer-lhe sob a manga, ao longo do braço esquerdo, mas a mão que segurava o colt não tremia. E foi em voz tranquila que ordenou:

— Saiam daqui, todos vocês! Bart French fica! Eu vi-o disparar sobre Ed Catlin! Comecem a sair já… ou eu começo a disparar!

Os brush-poppers olhavam-no com espanto. French levantou-se com dificuldade.

— Ouviram? Saiam todos!

Junto do balcão, um homem fez fogo. Os revólveres do Ranger trovejaram e o homem caiu. O chapéu de um outro foi levado por uma bala no momento em que ele se preparava para atirar. Então, empurrando-se e disparando ao acaso, os brush-poppers precipitaram-se para a porta do saloon.

Malloy sentiu uma espécie de chicotada na perna direita e compreendeu que tinha sido ferido outra vez. De novo os dois colts dispararam. Um dos companheiros de French ficou estendido, enquanto o resto do grupo se lançava para a rua. Através da fumarada, Pat Malloy ouviu os brados de raiva dos mineiros. Estalou um inferno de tiros… mas os brush- -poppers fugiam. Pat ouviu o tropel dos cavalos…

Foi então que sentiu a perna ferida ceder sob ele. Escorregou ao longo da parede e sentou-se no chão, em frente de Bart French. Estavam sós. Os dois homens olharam-se durante uma fracção de segundo e ambos ergueram as armas e dispararam, quase ao mesmo tempo. A bala de French cravou-se na parede, a dois ou três centímetros da cabeça de Pat. Mas a bala do Ranger tinha atravessado o pulso do adversário e French deixou cair o colt e tombou para diante, desmaiado.

Quando Lopez e um grupo de mineiros entraram no saloon, Malloy bradou:

— Não toquem em French! Isto está arrumado! Que se passou lá fora?

— Os brush-poppers fugiram, mas deixaram três deles estendidos na rua! O médico diz que o Catlin escapa desta! Você está ferido, Ranger?

— Num braço e numa perna, mas não é coisa de importância! Quando o médico estiver disponível, peçam-lhe para vir cá! O French tem de ser tratado… porque a cadeia está à espera dele!

Alguns dos mineiros voltaram a sair. Pedro Lopez foi encher um copo de whisky e aproximou-se de Malloy, que bebeu um trago. Jim Wheeler entrou nessa altura.

— Isto não é nada! — disse Pat. — O médico trata de mim num instante! Vou ter uns dias de descanso, Mr. Wheeler, e gostava de passá-los perto de Lola! Podia arranjar-me um colchão no seu armazém? Se me estender um bocado… amanhã já poderei jantar consigo e com Lola para festejar o Ano Novo!

Jim Wheeler perguntou: — E French?

— Vou nomear Lopez e um ou dois homens mais, como meus ajudantes! Eles tratarão de levar o Bart para a cadeia e vigiá-lo-ão até que venha o sheriff! Telegrafe-lhe, Mr. Wheeler, e conte o que se passou! E essa gente aí na rua?

 — Nenhum morto! Estão feridos e ficam na cadeia também até vir o sheriff! Vou telegrafar!

Pat Malloy encostou a cabeça para trás e come­çou a enrolar lentamente um cigarro. O caso estava arrumado. E, através das espirais de fumo do ci­garro, o Ranger começou a pensar que Wheeler tinha razão: aquela vida não era certamente a que mais convinha a um homem que queria casar!

— Pat!

— Lola! Nada de apoquentações, querida! Isto não tem importância! Estava aqui a pensar que vou realmente pedir a demissão e…

— Oh, Pat! Estou tão contente!

Pedro Lopez, que olhava melancolicamente as dezenas de garrafas que juncavam o saloon, olhou para eles e sorriu…

FIM

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