ENTREVISTA COM MASSIMO ROTUNDO – ARTISTA CONVIDADO NA 3ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL

O Clube Tex Portugal realiza, nos próximos dias 23 e 24 de Abril, a sua 3ª Mostra em Anadia e traz, pela primeira vez, Massimo Rotundo ao nosso país, motivo mais do que suficiente para esta entrevista com o ilustre autor italiano que estará presente na capital da Bairrada, assim como o seu colega Maurizio Dotti, ambos com uma exposição dos seus trabalhos no Museu do Vinho Bairrada, onde terá lugar a Mostra.

Caro Massimo, você estará presente em Portugal, numa exposição do Clube Tex Portugal, a decorrer na cidade de Anadia. O que representa para si esse acontecimento, num país estrangeiro?

Massimo Rotundo: Esse convite representa a oportunidade de conhecer pessoas e lugares, além de viver situações para mim inesperadas, visto que, desde que comecei a desenhar Tex, conheci um mundo de aficionados, uma coisa incrível que jamais aconteceu na minha carreira, graças ao fascínio de uma personagem que contagiou milhares de pessoas e que parece imortal. Nos últimos anos não frequentei muitos eventos deste tipo, um pouco por preguiça e um pouco devido aos muitos compromissos de trabalho, por isso esta viagem é uma oportunidade para sentir de novo ao vivo o entusiasmo de quem ama a BD e a apoia.

Massimo RotundoO que convenceu Massimo Rotundo, autor de fama mundial, a aceitar um convite tão invulgar?

Massimo Rotundo: A curiosidade de conhecer Portugal, onde nunca estive. Apesar de ter viajado muito, nunca tive a oportunidade de visitá-lo. E chamou-me a atenção o facto da Mostra acontecer no Museu do Vinho, que é uma das minhas paixões, e isso inspirou-me a desenhar o cartaz com Tex entre as parreiras. E também a convicção de que, juntamente com Pasquale Ruju, fiz um óptimo trabalho, um dos meus melhores no que diz respeito ao género aventuroso [“Tempestade em Galveston”, livro com uma aventura de Tex que será lançado pela Polvo Editora, durante o evento].

Quais são as suas expectativas em relação à 3ª Mostra do Clube Tex Portugal?

Massimo Rotundo: Espero conversar sobre desenho, roteiros, BD e Tex, e espero também desenhar ao vivo, provar produtos locais e admirar paisagens que nunca vi. Aficionados por quadradinhos são óptimos convivas, sejam esses encontros culturais ou não, e isso porque a BD tem muitos pontos em comum com o mundo da imagem, incluindo o cinema e a literatura.

Tem algum contacto com a BD feita em Portugal? Conhece algum autor como, por exemplo, Eduardo Teixeira Coelho, que inclusive viveu e trabalhou durante muito tempo em Itália, e é considerado por muitos como o melhor desenhador de quadradinhos português de todos os tempos?

Massimo-Rotundo (Pasolini)Massimo Rotundo: Nos anos 1990, tive um livro publicado em Portugal, “Pasolini”, escrito por Jean Dufaux e que saiu pela Bertrand, mas não conheci ninguém da editora, porque tudo foi tratado pelo meu agente Aurelio Staletti e pela Glénat Editions. Recordo-me de E. T. Coelho quando ele trabalhava para o mercado francês em revistas como “Vaillant”, mas já não tenho as minhas colecções dessa época. Se não me engano, ele recebeu vários prémios como autor de BD e ilustrador.

Alargando um pouco o horizonte desta entrevista, pode dizer-nos o que o convenceu a entrar para a indústria da banda desenhada?

Massimo Rotundo: Depois de tantos anos, agora tenho bem claro o motivo: na BD concentram-se todas as disciplinas artísticas e isso satisfaz a minha permanente exigência de trabalhar em 360 graus. Além disso, a BD permite construir um projecto com poucos meios e sem filtros. E detalhe não secundário, dá-nos a possibilidade de ter um trabalho contínuo que garante a manutenção da família. Jamais devemos esquecer que nós, profissionais da BD, fazemos um trabalho digno desse nome e que merece grande respeito.

Como analisa a evolução da sua carreira?

Massimo Rotundo: Comecei com sátira política, depois passei à chamada BD de autor e agora trabalho com BD seriada. Geralmente, diferenciar estas duas últimas categorias não faz muito sentido, é só para dar uma ideia da escala temporal. De todo o modo, sempre mantive um bom nível e daria a mim mesmo uma nota oito ou oito e meio (numa escala até dez), mas espero chegar a nove com os próximos trabalhos.

Em que é que está a trabalhar actualmente?

Massimo Rotundo: Estou a fazer um especial que será publicado a cores e dedicado a Brendon, uma personagem de Claudio Chiaverotti, que foi a primeira que desenhei para a Sergio Bonelli Editore. Nesse trabalho, procuro aperfeiçoar os enquadramentos para torná-lo mais dinâmico.

O que sentiu quando recebeu o convite para desenhar o Tex Gigante?

Massimo Rotundo: Para ser franco, primeiro senti-me lisonjeado e depois atemorizado. Disse a mim mesmo: isto é difícil, mas se conheces o teu ofício, é o momento de prová-lo.

Tex (Massimo Rotundo)Para si o que representa e qual a importância de Tex na sua vida?

Massimo Rotundo: No fundo, Tex representa a minha juventude, as longas tardes de Verão a ler as suas histórias. E creio que, tal como para muitos outros, é um ícone que tem uma filosofia de vida própria, que partilho com frequência. Por exemplo, Tex é um dos primeiros heróis do Faroeste que tratou com dignidade os índios e isso antes de se tornar moda.

Para encerrar, gostaria de deixar uma mensagem aos seus leitores e admiradores que estarão presentes em Anadia?

Massimo Rotundo: Será um prazer encontrá-los e podermos falar das nossas experiências. Até breve, em Anadia.

Massimo, agradecemos-lhe muitíssimo pelo tempo que nos dedicou.

Massimo Rotundo: Eu é que vos agradeço.

(Nota: Esta entrevista foi-nos facultada pelo Clube Tex Portugal, a quem apresentamos os nossos agradecimentos, e pode ser lida também no Tex Willer Blog, onde a 3ª Mostra de Anadia tem sido tema de abundante noticiário).

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2 thoughts on “ENTREVISTA COM MASSIMO ROTUNDO – ARTISTA CONVIDADO NA 3ª MOSTRA DO CLUBE TEX PORTUGAL

  1. Incansável e polivalente Jorge Magalhães: embora não tenha encontrado o teu nome registado neste “site”, as pistas transversais sugerem-me estar a visitar mais um espaço teu. Parabéns! Grande abraço,

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  2. Caro Geraldes Lino,

    Sê bem-vindo a este blogue e obrigado pelo teu comentário e pelos elogios, que fazem sempre bem ao ego e nos incentivam a trabalhar ainda mais e melhor, dentro das nossas capacidades e dos nossos limites… sobretudo quando reflectem a opinião sincera de pessoas que estimo e admiro.

    De facto, este é mais um blogue que criei no âmbito da Loja de Papel, nome com que também foi crismado o primeiro da série (O Gato Alfarrabista na sua Loja de Papel), sem na altura pensar que iria estender esse projecto de principiante a outros temas, alargando assim os horizontes da minha actividade como blogger (ou bloguista). Neste momento, já são cinco os blogues a que me dedico, com a preciosa colaboração técnica da Catherine, que me faz as digitalizações e retoca as imagens, quando é preciso, no Photoshop. Do resto trato eu, porque entretanto também ganhei alguma experiência.

    A ideia de criar este novo blogue – depois d’O Gato Alfarrabista, d’O Voo d’O Mosquito, d’A Montra dos Livros, do Franco Caprioli, Desenhador dos Mares do Sonho (todos ainda activos) – nasceu da necessidade de libertar espaço no primogénito, que já está cheio como um ovo. Por isso, alguns dos primeiros posts aqui colocados serão oriundos desse blogue, onde os irei eliminando à medida que surgirem neste espaço. É uma solução provisória, mas para já vai-me dando algum fôlego e espaço de manobra…

    Manter daqui em diante cinco blogues (divididos por temas) dá um bocado de trabalho, reconheço, mas espero, se os deuses ajudarem, aguentar-me no balanço… E ainda tenho de arranjar tempo para continuar a seguir, regularmente, a actividade dos meus colegas da blogosfera, sobretudo daqueles que também se dedicam à banda desenhada, como é o teu caso e de outros veteranos nestas lides, com os quais aprendo sempre muitas coisas.

    Um grande abraço e votos de boas continuações, também, para todos os teus projectos.

    Jorge Magalhães

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